sábado, 27 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 769

Arte de capa por John Romita Jr.
 - Captain America n° 10 (Setembro de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Parte 10", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, Scott Hanna e Tom Palmer, colorizada por Dean V. White e Rachelle Rosenberg, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 9 ("Náufrago Na Dimensão Z - Parte 10"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Após a derrota de Zola, Steve consola sua filha, Jet, e observa que é hora deles partirem para salvar a Terra. Ela se lembra de que seu irmão, Ian, ainda precisa ser resgatado. Mas Steve a informa... que Ian está morto. Sharon ainda a lembra de que há explosivos implantados para que a base flutuante de Zola não consiga atravessar o portal dimensional. Jet se enfurece com o fato de que tudo que seu pai criou está prestes a ser destruído. Por isso, ela se desvencilha de Sharon, dirigi-se a uma das motos voadoras... e os deixa para trás, possivelmente indo destruir o detonador da base. Steve já é de opinião que ela não fará isso... Está apenas confusa, perdida... mas ciente das mentiras do próprio pai. Os danos que Zola promoveu na mente da própria filha durante todos esses anos são inimagináveis. Mas Jet sabe que ele era mal, que não tinha razão. Ainda há esperança de que ela faça o correto.

De carona na moto voadora pilotada por Sharon, Steve tenta chamar a atenção (e a razão) de Jet. Mas uma voz logo atrás deles interrompe a tentativa. Antes, Steve deu cabo de uma das criaturas que utilizavam um uniforme parecido com o seu. Mas havia uma segunda criatura dessa categoria, que parte pra cima deles liderando uma horda de mutantes. Steve salta da moto para lutar com o monstro e dar tempo para que Sharon alcance e convença Jet.

O monstro de Zola, feito do sangue de Steve, evoca suas memórias e tenta humilhá-lo lembrando de que sua mãe morreu de vergonha por ele ser fraco. Steve se enfurece e lembra que sua mãe, na verdade, tinha medo de deixá-lo só. Agora, mais do que nunca, ele sabe que ela nunca o abandonou. Tem certeza de que seu espírito o ajuda naquele exato momento. Mesmo que o monstro compartilhe suas memórias, suas palavras não o convencem do contrário. Steve fere a criatura antes de saltar da moto voadora... que se dirige velozmente para um enorme paredão. Steve cai sobre a moto de Jet, que voltou para salvá-lo.

Jet e Steve seguem para o portal que os levará para a Terra, tentando alcançar a base de Zola antes que ela infecte a humanidade com seus mutantes. Mas são surpreendidos por uma voz que parece sair da chama vinda das turbinas da base: a voz do próprio Arnim Zola. Ele transferiu sua mente para um gigantesco corpo. Através de seus olhos, dispara uma rajada, derrubando Sharon primeiro. Ela é resgatada por Steve. Os três estão quase no portal e Jet acelera ainda mais. Steve pede que Sharon acione os detonadores, mas, se ela fizer isso, uma vez que estão tão perto, poderão morrer. Sharon olha para Steve e, com um sorriso, lembra que, novamente, ele irá escapar do altar. Logo em seguida ela afrouxa a luva, soltando-se da mão dele. Sharon pousa sobre o monstruoso Zola o atinge com vários disparos e aciona o detonador. Steve, desesperado, pede a Jet que volte... mas já é tarde demais. A base e boa parte de Dimensão Z explodem... no exato momento em que Jet e Steve conseguem atravessar o portal. Os dois caem no que parece ser um túnel de metrô abandonado. Steve ainda volta para o brilho do portal logo à frente, com o intento de salvar Sharon. Quando chega à Dimensão Z, no entanto, vê escombros dominados pela vegetação. O tempo, que passa de forma diferente em relação à Terra, fez com se passassem anos após a explosão, e não instantes como lhe parece. O mesmo efeito aconteceu enquanto ele estava naquela Dimensão e teve impressão de passar doze anos de sua vida por lá (enquanto Sharon lhe confirmou que, na Terra, se passaram apenas trinta minutos).

Jet puxa Steve de volta ao túnel... antes que tudo desabe e o portal se feche. Não há mais nada que o herói possa fazer por Sharon. Ele e Jet saem do túnel, por uma escadaria onde Steve vê cidadãos americanos novamente. O portal de Zola foi destruído. Não existe modo de voltar. Ironicamente, Steve e Jet estão "presos" na Terra... definitivamente. Steve pensa no tempo em que passou naquela dimensão... em Ian... em Sharon. E percebe que, agora, ele é um homem ainda mais fora de seu próprio tempo.

Epílogo.

Após a partida de Steve Rogers, uma furiosa guerra continuou na Dimensão Z. Os mutantes acabaram se recuperando e revidando contra os demais habitantes. Continuaram as mesmas diretrizes pregadas por Zola. Apesar de nunca ter sido provado, havia quem acreditasse que Zola tivesse sobrevivido em um novo corpo. Até mesmo a batalha contra o chamado Capitão América era vista como uma espécie de truque do próprio Zola para minar as esperanças dos habitantes. Ou que essas eram apenas lendas.

As lendas que se formaram após o surgimento do mítico Capitão, no entanto, só serviam para mostrar aos habitantes que eles podiam, sim, lutar por sua própria liberdade pela verdade e pela justiça. Um pequeno exército, formado por aqueles que realmente acreditavam, montaram a resistência contra a tirania definida por Zola.

Falava-se também sobre uma lenda específica, na qual um misterioso guerreiro estaria ajudando a vitória daqueles que acreditavam. Talvez fosse o espírito do homem que, um dia, teria vencido Zola. Sempre que uma fortaleza de mutantes era arrasada, essa lenda aumentava ainda mais. Assim como a esperança daqueles que enfrentavam adversidades. Daqueles que devem sempre se manter de pé. 

Esse misterioso guerreiro, tornou-se lenda por não se saber se ele tinha um nome. Ou um rosto. Ou um lar. Aqueles que haviam lutado a seu lado sabiam apenas... que ele era um Nômade. Mas, em um passado distante, ele também já foi chamado de filho. Em uma época em que nem mesmo ele se lembra. Em uma época em que ele honrou seu nome: Ian.

A+:

* O primeiro arco de Remender a frente do Capitão América "Marvel Now" divide opiniões. E até o próprio escritor está incluso nesse "vai-não-vai". Em uma história tão dramática, há elementos que não dão muito certo no decorrer da narrativa e que foram sendo "limados" durante os meses em que se seguiram. A mais notória é a questão do retcon mostrando o passado de Steve Rogers, algo que foi abandonado nessa segunda parte, apresentando apenas ecos de suas consequências em lembranças das lições que a vida deu ao personagem (afinal, Remender pode ter deixado essa narrativa pra lá... mas não iria jogar tudo o que já fez no lixo...).

O arco tem uma infinidade de ganchos que poderão ser usados no futuro, mas traz a cruel tarefa de voltar a um antigo elemento das histórias do Capitão: o fato de ele se sentir deslocado em uma época que não é a dele. Após doze anos na Dimensão Z, essa sensação foi aumentada a outro nível. Voltando para a Terra, sua melancolia está em se sentir deslocado em UMA DIMENSÃO da qual ele pode não se adequar mais.

* O Arnim Zola gigante chegou a ser apelidado carinhosamente de... Godzola!!!

* A identidade de Ian, chamada Nômade, remete ao mesmo nome assumido por Steve Rogers no passado e, tempos depois, por Jack Monroe.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 768

Arte de capa por John Romita Jr.
 - Captain America n° 9 (Setembro de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Parte 9", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, Scott Hanna e Tom Palmer, colorizada por Dean V. White, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 8 ("Náufrago Na Dimensão Z - Parte 9"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Seis anos atrás.

Ian chega feliz da pescaria. Com sua astúcia, conseguiu pegar cinco peixes. Steve está orgulhoso do garoto. Ele é maravilhoso em tudo que se propõe a fazer. Ian fica encantado com o que o pai acaba de pintar. Uma imagem onde eles, pai e filho, passaram uma tarde agradável no rio perto da tribo onde ele foi criado.

Hoje.

Sharon Carter carrega o muito debilitado Steve Rogers e tenta convencê-lo que ele foi manipulado. Ian não poderia ser  seu filho. E muito menos ele poderia ter passado décadas na dimensão de Zola. O vilão provavelmente o induziu a imaginar isso. Depois que ele foi sequestrado pelo trem, passou-se apenas trinta minutos até que a agente o encontrasse. Ali chegando, ela o salvou do garoto que estava prestes a matá-lo. Sharon tem pressa em sair daquele local. Ela colocou explosivos por toda a base. Zola pretende disseminar seu vírus mutante pelo mundo. Alguns dos mutantes de Zola os cercam, mas Sharon consegue alvejá-los. Steve está destruído... em todos os sentidos. Ele sequer pretende continuar. Sharon se enfurece com o que Zola o tornou e ordena que se levante. Essa ordem parece despertar algo em Steve... Ele se lembra de que precisa se manter de pé. Sempre. Eles irão sair da base. Steve pode ter falhado com Ian, mas ainda conhece alguém que pode salvar.

Quando Steve chega até a sala de comando, Jet está lutando contra Zola. Defendendo os integrantes da tribo que ele capturou. O herói surpreende e acerta em cheio o vilão. Apesar de Steve informar Zola de que seu filho, Ian, está morto, o vilão desdenha da fraqueza do garoto. Enfurecido, o Capitão América afunda seu pé no rosto artificial de Zola. Ele não permitirá que o monstro machuque mais ninguém.

A estação flutuante de Zola abre uma fenda no espaço e adentra os céus da Terra. Ele pretende infectar a todos com o vírus Zola. Steve vê com tristeza o céu azul. Céu que maravilhava Ian quando ele pintava em seus quadros. Céu que nunca poderá mostrar a seu filho. Steve agarra o corpo de Zola e o golpeia ainda mais. Ambos caem pela estação, atravessando suas janelas. Zola revida e, mesmo com seu corpo destroçado, tenta estrangular Steve. O herói se lembra do sorriso que seu filho lhe dava todas as vezes que ele prometia levá-lo para a Terra. Não era exatamente um sorriso de esperança. Era um sorriso de dúvida... sobre suas promessas. Steve ainda tem a bala que carregou durante todos esses anos. Ele a coloca dentro do corpo de Zola e, com uma pedra, a faz explodir dentro dele, ferindo-o de forma definitiva.

Jet e Sharon chegam até os dois. Zola não quer ver o olhar de piedade da filha. Ela também concorda que a vida lhe derrota quando não se é forte o bastante para derrotá-la. Zola lhe dá a chance de se redimir... e matá-lo. Mas ela aprendeu o suficiente sobre compaixão, salvando o povo da tribo... e aprendendo a amar seu pai. Mutantes acima deles empurram um grande rochedo... a fim de matar a traidora Jet. Em um último ato, e percebendo a escolha que sua filha fez, Zola a empurra... salvando-a do grande rochedo... que cai sobre seu próprio corpo. Sharon mata os mutantes acima deles. Zola ainda tem esperança de renascer... em toda pessoa e animal que seu vírus infectar. Ele nunca disse antes... mas a verdade é que ama sua filha. A dominação da Terra a fará ser uma deusa. Então... Zola morre.

Continua...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 767

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Alex Maleev
 - Captain America n° 8 (Agosto de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Parte 8", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, Scott Hanna, colorizada por Dean V. White, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 7 ("Náufrago Na Dimensão Z - Parte 8"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

A agonia dá lugar à dormência. O corpo cansado já não vê sentido em avisar ao cérebro que está ferido. É como os homens feridos no campo de batalha que alucinam... antes de morrer. Steve está sendo incessantemente espancado pela criatura que veste um uniforme parecido com o seu. A seu lado... um rosto... que ele conhece: Ian, seu filho. Antes do próximo golpe, porém, ele se lembra que não tem filho. Ian é filho de Zola... apesar de Steve tê-lo criado. Agora, o garoto está se responsabilizando por sua morte.

Ian e a criatura contam coisas terríveis sobre a mãe de Steve. De que ele foi responsável por ela trabalhar até morrer e que ele entrou para o exército para esquecê-la. Não é verdade. Ela foi a razão pela qual Steve se tornou um soldado. A razão pela qual ele lutou pela América. A voz de Ian... está distorcida e confusa... Sinais da manipulação de Zola. Steve reza por mais forças. Forças para levar Ian a um lugar seguro. Forças para continuar lutando. Ele ignora as palavras ofensivas de Ian. Ignora também a ferida em seu estômago... as lesões em seu peito... o frio sangue correndo delas. Sangue que já perdeu demais. Sua visão fica turva. Ele vê luzes e estrelas. O mundo se torna negro... depois de todo esse tempo. Mas ele tem que se levantar, não pode falhar agora. Ele precisa mostrar a seu filho tudo o que Zola lhe fez. Precisa ver que o que faz é correto. O protegeu dessa vida. O ensinou a lutar. Steve derrota a criatura, ferindo-a mortalmente com o escudo. Mas Ian reage com violência contra ele. Ian o acusa de ter sido induzido a ser fraco. Mas Steve só lhe mostrou sua força... o salvou de Zola.

Ian continua espancando o exausto Steve Rogers, cheio de ódio pelas palavras de Zola o terem convencido que ele foi retirado de um destino mais nobre do que viver nas cavernas. Mas Steve sabe que, assim, ele teria se tornado um monstro como o pai. É impossível chegar até a razão de Ian. Ele está plenamente convencido. Assim que o garoto lhe aponta a arma... Steve é obrigado a golpeá-lo.

Enquanto Ian jaz desacordado atrás dele, Steve segue para sua missão. Ele deve sair. Voltar a Terra. Reagrupar. Só depois voltará trazendo ajuda. Reed Richards, por exemplo, poderá ajudá-lo. Por um momento, uma ideia terrível ocorre a Steve. E se não for controle mental? E se Ian realmente sentir esse ódio? E se ele realmente o odeia.

Assim que chega a ponte, Steve percebe que Ian já se levantou e o perseguiu, armado e carregando o escudo da criatura. Ian o questiona do porque seu nome indicar que ele protege apenas uma parte do mundo. Para o garoto, isso é sinal de arrogância. Enquanto discursa, Ian crava o escudo dentado nas costas de Steve. Apontando uma arma para o herói tombado, o garoto se incomoda quando é chamado de Ian. Seu nome é Leopold. Nome que seu pai, Zola, lhe deu. Steve diz que ele tem o poder da escolha. O poder de escolher seu nome. Seu destino. Ser quem ele realmente sente que é. Essa compaixão faz o garoto perceber que seu nome... realmente é Ian. E que Steve é seu pai. Ainda com lágrimas nos olhos, Ian ainda aponta arma para Steve. É então... que o garoto é alvejado com um tiro no pescoço. Seu corpo ensanguentado cai pela ponte... até fossa fervente logo abaixo. Horrorizado, Steve vê seu filho morrer. Atrás dele, alguém que imagina tê-lo salvo do garoto: Sharon Carter.

Continua...

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 766

Arte de capa por John Romita Jr.
 - Captain America n° 7 (Julho de 2013)

* "Ashes of Our Fathers", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, Scott Hanna, colorizada por Dean V. White, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 6 ("As Cinzas de Nossos Pais"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Dois anos atrás...

Ian pergunta a Steve se não sente falta da vida que deixou pra trás, na Terra. Ele responde ao garoto que seu pai lhe dizia não valer a pena perder tempo falando sobre algo que não se tem, que devia se concentrar no que tinha... e seu filho era tudo que tinha naquele mundo. Aquele momento a sós, sentir o sol, a luz refletida sobre o rio depois de um simples dia de trabalho. Ele era feliz com coisas simples como aquela. Steve nunca havia falado de seu pai para Ian. O garoto está curioso em saber mais sobre o "avô". Steve pondera... e diz que ele se deixou definhar por aqueles duros tempos... mas ele era um bom homem. Durante todo esse tempo, Steve se deu conta que estava se convertendo em um pai para Ian. Isso lhe traz velhas recordações. O ajuda a entender melhor a pressão que recai sobre um pai. Seu pai não queria, mas sua incapacidade para manter sua família naqueles duros dias... o privou de seu orgulho e mais tarde de sua fé. Ele não pôde superar. Passou a beber, acreditando que era a única forma de superar a situação. E, com o tempo, simplesmente desapareceu...

Ian lhe pergunta sobre essa situação. Sobre perder a esperança. E se não pensa que um dia poderia acontecer com ele. Mas Steve passou muito tempo afastando-se dessa sombra, tentando ser forte cada vez que se sentia fraco. Também se perdeu sendo um escravo de um ideal e perdendo a noção do dever. E, por sua vez, abusou daqueles que amava. Ficou inacessível para eles. Mas esse tempo se foi e ele jamais deixará que nada o separe de seu filho.

Hoje.

Os guardas mutantes de Zola chegam até o quarto de Jet. Steve se concentra no fato de que não são humanos... não são reais... são criações de Zola. Não são seres naturais. Seres malvados. Demônios entre ele e seu filho. Por isso, não se contém ao decapitá-los. Demoníacos... mas um deles quase o possuiu. Quase não pôde contê-lo. Seu corpo está no limite... próximo ao colapso total. Steve quase não tem fôlego. Ele sente seu peito arder. Se sente inquieto. Espasmo muscular... depois do esforço sobre-humano. Acabaram suas reservas de adrenalina. Mas ele se esforça... levanta-se... Ele sempre se levanta.

O laboratório de Zola está no alto da torre, como ele se lembra muito bem. Foi ali que ele salvou Ian do vilão. Steve sabe o bastante sobre Zola. Os mutantes já devem ter encontrado Jet, amarrada em seu quarto. Estarão esperando. Preparados para lutar. Uma luta que Steve não lhes dará. Ele apenas quer tirar Ian daquele manicômio. E de algum modo irá conseguir. Levá-lo para casa. A casa pelo que tanto sonha, pelo que tem lutado. Lutado para regressar a normalidade. 

Quando Steve está prestes a invadir o laboratório... um dos seus clones deformados o ataca. Ambos caem. A criatura, com movimentos vagarosos, morre empalada. Steve escapa graças a seu escudo. Custa-lhe respirar. Seu ombro foi deslocado. Mas ele tem que ignorar a dor, se levantar. Salvar seu filho.

No laboratório abaixo, Jet o espera diante de uma ponte. Ele não quer perder a esperança de que vai atingir seu objetivo... não irá fraquejar em seu empenho. Essa é sua principal diferença entre ele e Zola. Mas... o que Jet fará a respeito? Jet consegue ampliar seus sentidos. Ela ouve o coração se Steve... fraco... exausto... Ele lhe pergunta se... usando esses seus sentidos ampliados, ela pode ouvir o povo capturado em suas celas. Ouvir que estão assustados, esperando uma morte sem sentido. Sentir seus medos. Mas Steve também pode ouvir algo escondido na voz de Jet: a dúvida. Ainda assim eles lutam. Ele pede para ela ajudá-lo a salvar aquele povo. A salvar Ian.

Durante a luta, uma cela de contenção se abre. Steve só tem um cabo que lhe servirá para o salvamento. Prendendo o cabo na ponte e se jogando para pegar o alienígena no ar, ele percebe o líquido fervente abaixo... e o cheiro... deles. Dissolvidos naquele caldo. Steve consegue salvar a fêmea e percebe que ela está chorando. Ela chorava enquanto observava sua gente cair no líquido quente. Esperando sua vez. Pendurados, agora eles só contam com a ajuda... de Jet. Steve pede que ela puxe a corda... antes que caia outro. Ele a lembra que não é sua culpa o que Zola lhe fez. Ele sabe muito bem de suas noites sem dormir. Sabe que não se sente bem. Mas se ficar impassível, a culpa só aumentará. Por fim... ela os puxa.

Jet lhe pergunta sobre a náusea em seu ventre e a pressão em seu peito. Ele explica que isso se chama culpa. Salvando aquele povo, essa sensação se aliviará. Jet contata Zola e pede que desconecte as turbinas de biomassa. Zola responde e pede que ela procure um lugar seguro... enquanto abandona aquela dimensão. O chão começa a tremer. Aquela não é uma simples cidade. É uma estação de batalha. Uma nave de guerra indomável com uma carga mortal. Os tremores que sentem são devido aos propulsores que tem. A velha casa de Zola finalmente se eleva. Içando-os. Elevando-se para cumprir o pesadelo para o qual Zola tanto trabalhou e desejou. Uma cidade bomba cheia de milhares de mutantes. Milhares de mutantes armados com armamento hipodérmico infectado. Cada um dos quais contém a consciência de Zola. Uma infecção mais potente do que a que Steve recebeu. Zola pretende invadir a Terra. Lançar os mutantes. Tomar o controle. Super seres, líderes mundiais e poderosos... todos serão pegos desprevenidos. Serão infectados. Serão parte de Zola.

Steve precisa chegar a Terra. Contatar os Vingadores. Zola tem os super-heróis como alvo primário. Steve precisa chegar lá antes... mas a dor em seu peito aumenta. Mesmo tendo retirado o vírus Zola, ele ainda parece presente. Jet diz que irá ajudá-lo... contanto que leve Ian para um lugar seguro. Jet lhe dá as coordenadas de onde está o garoto. Sua mente está sendo recalibrada... por isso ele deve se apressar. Enquanto isso, ela libertará o povo do clã e lhes dará uma nave para que cheguem à superfície. Rogers precisa ignorar a dor e se levantar. Pegar o garoto. Dar-lhe um abraço. Deixá-lo saber que está seguro.

No entanto, assim que entra em um compartimento... Steve é alvejado... por Ian.

Continua...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 765

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Pascual Ferry
 - Captain America n° 6 (Junho de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Part 6", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, Scott Hanna e Tom Palmer, colorizada por Dean V. White, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 5 ("Náufrago na Dimensão Z - Parte 6"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

A fortaleza de Zola está cercada por seus mutantes. Para Steve Rogers, eles não passam de uma legião de idiotas. Indivíduos com inteligência quase nula. De qualquer forma, nada pode detê-lo enquanto avança e recupera seu escudo, que se cravou na cabeça do líder dos mutantes quando o atirou. Ele está disposto a acabar com Arnim Zola de uma vez por todas. Uma década de sua vida perdida. Uma década que lhe foi roubada. Uma parte de sua vida sem Sharon. Sem seus amigos. Suas responsabilidades foram tomadas. Uma década vivendo em cavernas naquele planeta esquecido por Deus. Uma década. Parte de sua vida que foi roubada. Tempo que nunca irá recuperar. Mas ele não permitirá que leve Ian. Mesmo ele tendo os genes do vilão. Ele é seu filho. Tem um grande coração e é forte. Um coração que nunca poderá ser corrompido. Nunca servirá em qualquer retorcido projeto de Zola. Steve o levará para Terra. Para dar-lhe a vida que merece. É por causa de Arnim Zola que Steve prossegue, massacrando os mutantes que encontra pelo caminho. Disposto a enterrar o corpo artificial de Zola onde ninguém possa encontrá-lo jamais. Impedindo que aquele coração negro e maldito volte a corromper seres vivos e brincar de Deus.

Steve fica horrorizado ao chegar ao que parece ser um cemitério de mutantes. Criaturas que saíram ainda mais deformadas do que os mutantes de Zola. Criaturas que clamam por misericórdia... e pela morte. O mais bizarro é que entre as vísceras e seus dilacerados corpos existe um rosto conhecido. O seu rosto. São muitos. A determinação de Steve o faz concentrar-se em buscar o caminho até a torre principal. Ignorando os corpos destroçados. Ignorando os gemidos dos caídos. Para acabar de vez com Arnim Zola.

O esforço por sobreviver naquele lugar... o perigo constante... o tem debilitado. Mas encontrar todos aqueles corpos... trazem-lhe recordações da guerra. Durante um momento isso o comoveu. A ferida em seu peito continua sangrando. Logo acima, Steve vê a caverna por onde surgiu naquele mundo... uma década atrás. A Terra... está muito distante. Ele está ali há muito tempo. Aquela dimensão... agora é sua casa. Esta é sua nova vida. O mundo que conhece. Ele poderia ir buscar ajuda... encontrar os Vingadores... qualquer um deles. Mas prefere não correr o risco... de deixar Ian com Zola. Só e em perigo. Cercado de ameaças.

Steve consegue invadir a fortaleza e chega até o quarto da mulher chamada Jet, a filha de Zola. Ele a surpreende. Ela, na verdade, já o havia detectado cinco minutos antes. Apenas permitiu que se aproximasse. Ele pergunta sobre seu filho. Ela retruca, dizendo que sequestrar um menino não lhe dá direito de ser pai. Mesmo ameaçada, Jet continua desdenhando de Steve. Ele entende que pode ter perdido seu filho. É por isso que quer dar o troco em Zola e fazer com que perca sua filha. Steve dispara contra Jet.

Continua...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 764

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Jung-Geun Yoon

- Captain America n° 5 (Maio de 2013)


* "Castaway In Dimension Z - Part 5", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, colorizada por Dean V. White, Lee Loughridge, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 4 ("Náufrago na Dimensão Z - Parte 5"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

A chuva fria pica e morde. Não tão fria quanto a coisa crescendo em seu peito. O vírus de Zola planejando seu golpe. Steve reza para segurá-lo... só por mais algumas horas, para que consigam chegar em casa e conseguir ajuda. Ele nem pode pensar nas consequências caso falhe. Steve faz com que Ian prometa... que ao primeiro sinal de mudança... ele irá apontar a arma pra sua cabeça e matá-lo. Ele não pode permitir que Zola tome conta de seu corpo. Zola tenta fazer com que ele perca o controle... apenas para testar se o garoto irá matar Steve. Mas o herói, por mais dificuldade que encontre, ainda está no controle. De repente, ele vê com o canto do olho. A coisa que ele mais temia na pior hora possível. Fumaça negra quilômetros atrás deles. A escolha mais difícil na pior das horas. Arnim Zola encontrou a tribo.

De volta à tribo, Steve lembra Ian o movimento que praticaram. Formação firme. Manter-se perto. Seguir suas ordens. E fazer cada tiro valer a pena. Os habitantes da tribo são tão família de Ian quanto Steve é. Ian lhe disse certa vez que preferia morrer tentando salvá-los a fugir e viver. O garoto tem um coração. E Steve não pretende falhar com ele. Treinado para ser um guerreiro, mesmo assim ainda é só uma criança. Um criança em perigo por sua causa. Apesar do exército de Zola ser numeroso, Steve ordena que Ian foque em um de cada vez, tomando cuidado com os que estão a sua volta.

Bucky, Nômade... todos os jovens que ele levou a guerra... Não é o mesmo medo. Ian é seu filho. O impulso de defendê-lo o deixa num estado de fúria diferente de tudo que já experimentou. Mas ele não vai morrer hoje. Não chegaram tão longe pra falhar. Algumas criaturas de Zola vestem uniformes parecidos com o do Capitão América. Mas elas não refletem apenas suas roupas... são feitas de seu sangue. Clones mutantes fabricados com uma carga negativa de raios gama. Mais fortes, ferozes... Algo que Steve pode perceber pelas costelas quebradas encravadas em seus pulmões. As criaturas, apesar de seguir Zola, nem suspeitam quem Ian é de verdade.

Obviamente, os heróis estão em menor número. Steve pede para Ian se proteger em outro local. Mas, para isso, teria que tirar os mutantes de sua frente. Steve ouve uma voz raivosa atrás dele... antes de sentir o pontapé em suas costelas. A mulher previu seu movimento... Quase quebrou sua coluna. Ela é mais forte do que aparenta ser. Ele não pode deixá-la acertar outro golpe daqueles. Ela também é muito rápida. Salta antes mesmo de ele começar a atacar. Uma fluidez sem esforço. Um beija-flor lendo seus movimentos antes mesmo dele se mover. Revida sua defesa antes mesmo dele ter tempo de contra atacar. Ela o joga no meio dos mutantes para machucá-lo... fazê-lo sangrar... acabar com ele. Ela é a filha de Zola. E acha que Steve matou seu irmão. Sua ferocidade vem de uma vingança pessoal. Exaltada e letal. Enquanto um mar de garras e dentes o retalha, ele percebe que enfrentá-la é até um conforto. Afinal, se for para morrer ali... pelo menos ela irá cuidar de Ian.

O punho da mulher o atinge com rapidez. Mais três socos certeiros. Movendo-o em meio à imundície. Tudo fica preto. Seu corpo não responde... a espinha inchada por causa do chute. Os gritos dos habitantes do clã ecoam no discurso dela. Tudo que Steve pode fazer agora é esperar. Esperar pelo fim. Ian salta sobre ele e pede para a mulher parar. Ela o reconhece. E o momento em que ela fica estática... é o suficiente para que Ian acerte um golpe em sua garganta. Não chega a ser fatal, mas faz com que ela caia. Ela nada mais é do que um dos experimentos de Zola. Mais uma alma confusa e adulterada. Steve não revida. Não é ele que vai dar sentenças de morte para as crianças com lavagem cerebral de Zola. Ele deixa Ian vigiando-a.

Ele salta sobre os mutantes que usam uma versão de seu uniforme. São mais fortes que ele. Porém, mais lentos. Tem apenas força bruta. Sem treinamento. Steve foca o ataque neles. Depois que forem embora, vai ser mais fácil com os mutantes. De repente... os monstros batem em retirada. Há algo errado. Estavam longe de serem derrotados. O herói logo descobre que não estão fugindo. Foram reconvocados por Zola. O vilão agora está em campo de batalha... e utiliza um novo corpo, mais ameaçador do que o que costumava usar.

Zola, ao atacar, convence Steve de que ele roubou seu filho apenas para expô-lo a essa dimensão devastada. De fato, ele pegou Ian assumindo que fosse o melhor. Mas tirou de Zola a chance de conhecê-lo. Zola ordena que Jet, sua filha, mate o Capitão América, que agora jaz ferido na beira de um penhasco. No entanto, ela se lembra de que ele teve a mesma chance de fazer o mesmo com ela... mas preferiu poupá-la. Enfurecido, Zola dispara contra o herói... fazendo-o cair no abismo.

Steve acorda em uma falha no penhasco. Na verdade, o tagarelante vírus Zola é quem o acorda. Enquanto escala de volta, Zola o lembra de como Steve falhou com Ian... da mesma forma que seu pai falhou com ele no passado. Ao chegar ao topo... Steve vê os habitantes da tribo... mortos. Enquanto o vírus tagarela, Steve retira uma espada do corpo de um dos integrantes do clã... Steve lembra que seu pai deixou as circunstâncias transformá-lo de um homem bom para um homem fraco... Mas ele não é seu pai. Não será corrompido. E nunca vai desistir. Em seguida, crava a espada em seu peito, retirando o vírus Zola.

O herói ainda sobrevive. E parte de sua resistência vem do fato de que jamais dará as costas aqueles que precisam. Precisa se manter sempre de pé. E mesmo que tenha que matar cada maldito monstro daquele lugar... ele irá voltar para seu filho.

Continua...


A+:

* O escritor Rick Remender teve a difícil tarefa de substituir Ed Brubaker nas histórias do Capitão América. Mudança um tanto abrupta, dado o planejamento do que foi chamado de Marvel Now, que mudava as equipes criativas de todas as revistas da editora. Ao invés de cair no erro de tentar continuar a linha que Brubaker firmou para o personagem (afinal foram cerca de oito anos escrevendo o Capitão), Remender preferiu fazer algo diferente, ainda que imitando uma outra fase do personagem. Era retorno do Capitão América envolto em uma ficção científica quase psicodélica, da mesma forma que Jack Kirby fez na década de 70. Esse material de Kirby é, em sua grande maioria, inédito no Brasil. Inclusive ficou inédito também a primeira aparição de um dos vilões mais bizarros criados por Kirby: Arnim Zola.

A homenagem a Kirby não se limitou apenas ao roteiro. John Romita Jr. também fez um trabalho com os desenhos que, em vários momentos, homenageava a psicodelia geométrica do Rei dos Quadrinhos. O resultado, na verdade, causou certa estranheza aos leitores, que chegaram a atribuir certa "pressa" na arte de Romita Jr., o que não é impossível, devido o imediatismo de Marvel Now. 

Remender ainda apresenta um "retcon" onde ficamos conhecendo mais da infância traumática de Steve Rogers. A ideia é tentar montar um paralelo entre o duro aprendizado do garoto que viria a ser o Capitão América, com o desolador cenário em que se encontrava na atual aventura. Mas foi uma "ponte" que não ficou muito clara na primeira parte desse grande arco. Foi quase unânime que ela se tornou desnecessária, aliás. O mais curioso é que enquanto uma história mais realista não agradou os leitores (chegando até mesmo a ser considerada violenta demais), a parte da ficção, com grandiloquentes devaneios de uma dimensão de pesadelos, foi considerada divertida. Leva-se em conta que, apesar do brilhantismo de Jack Kirby na década de 70, essa sua fase com o personagem (onde escrevia e desenhava as histórias) causou certa estranheza entre os leitores da época, levando até mesmo a levantar a questão se ele não estaria ultrapassado. Talvez uma história mais realista, como a infância do personagem, agradasse mais nos anos 70. E, nos dias de hoje, Remender encontra um público exatamente avesso àquele. O gosto do público é algo difícil de entender em algumas ocasiões, algo que os editores, nem com o mais acirrado planejamento, consegue acertar de primeira. Planejamento que o evento Marvel Now, por mais que tenha se esmerado, ainda teve que se render a uma adaptação de mercado imediata. Para agora. Now!

domingo, 21 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 763

Arte de capa por John Romita Jr

Arte de capa por Simone Bianchi
 - Captain America n° 4 (Abril de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Part 4", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, colorizada por Dean V. White, Lee Loughridge, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 4 ("Náufrago na Dimensão Z - Parte 4"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Manhattan, 1933.

Sarah Rogers está muito mal. Steve a lembra sobre seu antibiótico, doado pelo doutor Williams. Sarah pede para Steve chamar seu avô e buscar mais. Acontece que Ian, avô de Steve e pai de Sarah... morreu no último inverno. O senhorio bate insistentemente na porta. Ao abri-la, ele lembra que estão devendo dois meses de aluguel. Steve o lembra de que sua mãe está doente e não pode trabalhar. Como tem que cuidar dela, também não ganhou nada ultimamente. O senhorio não quer saber desse drama e dá até o dia seguinte para pagarem... ou terão que sair. Steve não conta a Sarah sobre a cobrança. Logo em seguida ele sai, em busca de uma solução.

Steve encontra Deidre. Ele pede ajuda da garota... que o leva até Hutch. Apesar de recebê-lo com ironia, Deidre lembra a Hutch sobre o Código das Ruas e pede para ajudá-los. Ele concorda.

Titubeante sobre o que está fazendo, Steve entra na farmácia. Assim que o proprietário lhe dá atenção, um tijolo atinge a vidraça. Lá fora, os marginais conversam despreocupadamente, isentando-se da culpa do que aconteceu. Enquanto o farmacêutico discute com os garoto, Steve, que ficou dentro da farmácia, pega o máximo possível de medicamentos e, conforme a orientação de Hutch, dinheiro do caixa. Quando o farmacêutico retorna, Steve sai como se tivesse perdido o interesse no que foi buscar.


Steve acaba de fazer seu primeiro grande roubo. Ao contar o que lhe é entregue, Hutch sabe que o garoto guardou parte do dinheiro consigo mesmo. No entanto, permite que ele fique com o dinheiro. Por enquanto, o delinquente está orgulhoso até mesmo da ousadia de seu novo "funcionário".

Ao voltar pra casa, Sarah continua febril, mas, ainda assim, está preocupada com o pagamento do aluguel. Steve a acalma. Ele pagou o senhorio graças a seu novo trabalho. Trabalho que ele pretende continuar, para que consigam tudo que precisam. Até Sarah ficar boa de novo. Steve promete fazer qualquer coisa pra isso. Sarah não sabe onde Steve conseguiu o dinheiro, mas não quer que o filho faça "qualquer coisa" para consegui-lo. O pai de Steve deixou circunstâncias perfeitas para que o garoto se tornasse um homem fraco... ao invés de um homem bom. Sarah pede que Steve prometa que irá se manter um homem bom e honrado, não importando as circunstâncias.

No dia seguinte, Steve vai até a farmácia. Ao encontrar o proprietário, ele confessa que é o garoto que roubou o dinheiro. Diz que sua mãe está muito doente... apesar desse fato não tornar certo o que fez... e ele sabe que fez a coisa errada. Steve se oferece para trabalhar e, assim, recuperar o dinheiro e os danos. O garoto é trabalhador. Ele pretende trabalhar até ter pagado por tudo. Pensando por um momento, o farmacêutico mostra a Steve a vassoura e o esfregão nos fundos. O garoto começa a trabalhar imediatamente.

Hoje.

Já se passaram onze anos desde que o Capitão América pousou na Dimensão Z. Hoje, sua mente se encontra clara como há meses não acontecia. Zola, incrustado em seu peito, está quieto. Descansando de suas investidas em sua mente. Mas ele está lá. Esperando sua hora. À noite se oculta em seus sonhos. Observando. Aprendendo. Procurando uma fraqueza. Para enchê-lo de desespero. Ele se agarra a sua desolação, sua vontade de voltar pra casa. Qualquer maneira de entrar. Sua única proteção é tentar manter o medo acuado. Para se manter focado no lado positivo e no que ele tem. Ian.

Steve nunca teve a intenção de criar o garoto. Mas fica feliz por tê-lo salvo de Zola. Ele agradece por ter tido esse tempo, por tê-lo visto crescer. Por tê-lo treinado e ensinado. Por poder oferecer a ele um caminho diferente daquele que Zola teria planejado. O garoto é nervosinho, sarcástico e imprudente. Mas também é honesto, leal e obstinado. Então há isso para agradecer. Se Steve nunca tivesse pisado naquele trem, nunca teria o privilégio de conhecer Ian. Nunca teria conhecido o garoto que hoje chama de filho.

Hoje eles estão caçando para a tribo. Apesar da pouca experiência e de ainda não ter se acostumado com o peso do escudo, Ian é eficiente. Steve, por outro lado, consegue acertar a criatura que caçavam. Ao contrário do que Ian desejaria, eles não usam a pistola. O escudo oferece uma precisão maior ao invés da força bruta. Algo que não é do funcionamento de um pistola. E é importante que Ian aprenda a usar o escudo. Afinal, irá ficar com ele um dia, depois que Steve for embora. 

Logo à frente, eles encontram um posto avançado dos mutantes de Zola. Está muito próximo da localização da tribo. O exército de Zola está se propagando. As tropas mutantes devem estar próximas. Antes que eles deem o fora da li... uma das criaturas os surpreende. Rapidamente, Ian saca a pistola de Steve e mata o monstro. A ação choca o garoto, mas foi um tiro justo. Não havia escolha. Não só por ter salvado a vida deles. Se Zola encontrar a tribo, vai levar seus habitantes para fazer seus experimentos. Eles levam a lula voadora para o clã. As reservas de alimento estão baixas e eles contam com a ajuda do dois. Antes de partir, Steve encontra uma das motos utilizadas pelo mutante. O mapa dela ainda está funcionando! E isso significa que encontrou um mapa pro túnel que poderá levá-lo pra casa. "Casa" para Steve, não para Ian. Tudo o que o garoto sabe é que foi encontrado "numa situação perigosa de onde Steve o tirou.”.

O Zola no peito de Steve acorda com o questionamento do garoto sobre quem ele é realmente... e sorri. A verdadeira mãe de Ian, Mary, nunca lhe daria crianças e tentou deixar o vilão quando descobriu suas experiências. Zola a deixou sair da cidade, pra que pensasse que tinha chance de escapar, mas antes disso, atirou nos pneus. Através da ligação com o vilão, Steve sente sua excitação quando viu Mary se acidentar. Compartilha a recordação do forte terror no rosto dela quando a retiraram da batida. Ian, por fim... é filho de Zola!

Steve adormece. Seus sonhos, como sempre, são atormentados pela voz de Zola. Literalmente. Isso acontece até ele despertar. Dessa vez, no entanto, ao despertar, ele vê Ian. O menino descobriu o Zola no peito de Rogers. E o vilão acaba de revelar que Steve não é seu pai... e sim ele. Antes que Steve cubra seu corpo novamente, Zola ordena que o garoto fuja. Se possível, que mate Rogers. Steve explica para Ian que aquele é apenas um vírus colocado por Zola. Mas o garoto, com lágrimas nos olhos, sente que o que ouviu é verdade. Zola é seu pai! E Steve nunca contou.

Atordoado, Steve explica que não podia deixar Ian nas mãos de Zola. Ele era apenas um bebê... não podia simplesmente deixá-lo. Antes de fugirem, o vilão injetou um vírus em seu peito. Desde então, a criatura tem tentado tomar conta de seu corpo por todos esses anos. A mente de Zola infiltrada na dele. As memórias de Zola entrelaçadas com as dele. Steve não pode mais lutar contra aquilo. Ele iria contar a Ian apenas quando não houvesse mais esperança de que pudesse segurar Zola. Steve lembra Ian que agora eles já sabem como chegar a Terra. Tudo indica que eles finalmente poderão ir embora. Ele pretende contatar seus amigos, os Vingadores, para salvar o clã dos exércitos do vilão. Mas eles devem partir o mais breve possível. Além do que, se Steve não encontrar ajuda logo, Zola vai acabar matando-o.

Continua...

sábado, 20 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 762

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Alex Maleev
 - Captain America n° 3 (Março de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Part 3", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, colorizada por Dean V. White, Lee Loughridge e Dan Brown, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 3 ("Náufrago na Dimensão Z - Parte 3"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Manhattan, 1930.

Steve esconde seu caderno, sentando em cima dele, quando a garota que observava se aproxima. Ela notou que ele o escondeu... e pede para ver. Timidamente, ele lhe mostra o desenho que fez dela. Ela gostou. Seu avô, Ian, foi quem lhe ensinou a desenhar. A garota, Deidre Doyle, reconhece Steve da mesma turma que frequentava a escola com ela. Mas ele parou de ir às aulas depois que seu pai morreu. Desde então, Steve tenta ajudar sua mãe, que não ganha o bastante, vendendo jornais e fazendo uns bicos. A conversa é interrompida quando Steve presencia seu amigo, Arnie Roth, correndo da gangue de Hutch. Os garotos alcançam Arnie e começam a espancá-lo. Apesar de Deidre tentar afastar Steve daquela confusão, ele se incomoda... e desafia o valentão. A gangue parece conhecer Deidre. A pequena estatura de Steve lhe dá a vantagem de golpear o líder da gangue primeiro. Mas uma vantagem momentânea, uma vez que ele é preso pelos demais integrantes para que o delinquente revide. Por fim, Arnie e Steve estão no chão e Hutch revela... que Deidre é sua irmã. Ela confessa que acabou de conhecer Steve... nem sequer são amigos.

Com as roupas sujas e rasgadas, Arnie e Steve voltam para casa. Hutch atacou Arnie porque o viu com dinheiro, comprando cartões de baseball. O amigo de Steve está cansado de apanhar. Decide que irá começar a revidar. Steve até acha que as garotas gostariam mais dele se revidasse... Mas o garoto entende tanto de garotas quanto de alienígenas. Arnie vai pra casa e agradece o amigo. Agora é hora de ele explicar isso pra sua mãe e ouvir seu pai chamá-lo de frouxo... um problema que Steve não tem.

Hoje.

Steve vê o escudo ser levantado sobre a cabeça de Ian. Ele sabe o que acontecerá em seguida. É algo que não pode acontecer. Os grilhões prendem suas mãos, mas elas estão envoltas em suas luvas. Para salvar Ian, ele quebra a própria mão e a retira da luva. Antes que o garoto seja decapitado, ele consegue empurrá-lo. Em seguida, acerta o soldado alienígena mais próximo, aproveitando a falha em sua armadura. Mas está muito debilitado e, logo, está sob a espada de energia dele. Para sua surpresa, outro alienígena impede que ele seja morto. Eles discutem em uma língua alienígena. É hora de rezar para o tradutor universal de Hank Pym funcionar. Sua vida e a de Ian dependem disso. O tradutor funciona perfeitamente. O alienígena que o defende diz que eles não são servos de Zola. Inclusive, ajudou a combater os mutantes do vilão. O argumento de Ksul, o alienígena que o ajudou, funcionou por enquanto. A mão de Steve está quebrada e Ksul é gentil ao ajudar a levantar-se.

Mais tarde, Steve pratica seu dom com a arte, pintando um quadro. Ele imagina que as pessoas que o conheciam, fora da Dimensão Z, devem ter desistido dele por lá. Presumindo o pior. Menos Sharon. Sem um corpo, ela deve estar sofrendo indefinidamente. Magoada e furiosa consigo mesma, por ter lhe colocado nessa missão. Seu lar está impossivelmente distante. Mas também há coisas para ser grato. Ksul e sua esposa deram abrigo para ele e Ian. O garoto agora tem comida. Pintar afasta maus pensamentos da mente de Steve. Exceto... quando chega a dor. Ksul percebe a agonia de Steve e o chama para pegar água cristalina para aliviar essa dor.

A dor está piorando e Steve precisa voltar para casa logo. Infelizmente, não há outras tribos, como a de Ksul, por perto. As bestas de Zola desfazem a cadeira alimentar, deixando-os famintos. Ksul e seu povo só têm sobrevivido graças aos peixes escondidos embaixo do templo caverna. Os alienígenas acreditam que estão sendo protegidos pelo tirano Zofjor, mas Steve nota é que eles que se protegem. Um homem não é um exército. O povo deu poder a ele... e tem o necessário para pegá-lo de volta. Apesar de o medo tomar conta dos corações daquele povo... só é preciso que um se levante para que os outros possam segui-lo.

De repente, a dupla é surpreendida pelo próprio Zofjor, que ouve a conversa e não gosta nem um pouco do tom. Zofjor acusa Ksul de usar o estranho para minar a segurança do clã. Ksul, enraivecido por Zofjor golpear Steve e segurar seu peixe recém-pescado, concorda que ele é um tirano. Zofjor responde com algo que, segundo ele, um tirano não daria: misericórdia... de um disparo diretamente no rosto de Ksul, matando-o. Steve se culpa pela morte de Ksul e reage, antes que Zofjor dispare novamente. Ele tenta superar a enxaqueca e golpeá-lo com seu escudo. Mas nem toda a sua força tem efeito contra o alienígena. A espada luminosa de Zofjor corta o peito de Steve e ele cai... ao lado de um dos enormes cristais do lago. Sabendo que não é só sua vida que está em jogo, uma vez que Ian acabará sozinho e abandonado pra sempre, Steve supera a dor e golpeia Zofjor com o cristal. Golpeando incessantemente, ele consegue derrubar o tirano. Apesar da vitória, a dor em seu peito é causticante. Zofjor o rasgou e ele sente a carne escorregando dos ossos. Steve sente por ter mentido para Ian. Mentido desde que o jogou nesse pesadelo. Mentiu todas as vezes que prometeu pra ele que iam conseguir. Todas as vezes que prometeu levá-lo pra casa. Fugindo para um local isolado, ele ainda sente muito sangue sair pela ferida. É então que... ela começa a falar! Ao rasgar sua camisa, ele finalmente vê o que Zola fez com ele um ano antes. O rosto do vilão está incrustado em seu tórax... e agora faz parte de seu corpo.

Continua...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 761

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Julian Totino Tedesco
 - Captain America n° 2 (Fevereiro de 2013)

* "Castaway In Dimension Z - Part 2", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, colorizada por Dean V. White, Lee Loughridge e Dan Brown, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 2 ("Náufrago na Dimensão Z - Parte 2"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Rua Essex, Manhattan, 1926.

O jovem Steve Rogers vende jornais a quatro centavos. Ainda assim ele é atormentado pelos garotos mais velhos. É o que prova a pedrada que atinge sua cabeça. Pouco tempo antes, ele perdeu seu pai, que bebeu até morrer. Hutch, o líder da gangue local, cita que, já que a mãe de Steve está sem marido, ele poderia mantê-la quentinha. Apesar de ser respeitado, Hutch é alertado pelos outros dois garotos da gangue. Mães são sagradas até mesmo para o Código das Ruas. Comentários daquele tipo podem ser baixos até mesmo para os pequenos marginais.

Steve, ainda no chão, leva um pontapé no estômago. Hutch volta a citar que poderia muito bem ser seu novo pai. Beber a noite toda e vadiar por aí com outras damas... como o pai de Steve fazia. Ainda chorando, Steve vê a gangue de Hutch levando sua pilha de jornais.

Ao chegar em casa, com a cabeça ainda sangrando, Steve assusta sua mãe, Sarah. Com lágrimas nos olhos, o garoto se envergonha ao lembrar que falaram "coisas" sobre ela. Coisas sobre seu pai... dizendo que ele era um bêbado e que não era boa gente. Seu avô, o pai de Sarah, que está ajudando-a nesse momento de dificuldades, coloca um compressa na ferida do neto e o conforta, dizendo que aqueles garotos não conheciam seu pai. Ele foi apenas um bom homem... que acabou perdendo a esperança. E um homem que perde a esperança... acaba perdendo tudo.

Hoje.

Provavelmente, um ano depois de ele ter aterrissado nesta estranha dimensão.

Eles estão em um péssimo lugar para montar acampamento, aberto de vários ângulos. Mas o garoto está cansado e tem água. Na verdade, o que sobrou do degelo. O inverno veio rápido e eles tiveram sorte de cairem fora da caverna onde estavam antes da chegada das criaturas. Isso o lembra de que não quer ficar pra conferir outro inverno. Ian não come há dias. Há esperança de se encontrar alguma coisa no deserto, que está cheio de formas de vida estranhas. Lagartos de fumaça, enguias voadoras, formigas vermelhas gigantes com rostos levemente humanoides... e tem muito mais. Os experimentos de Arnim Zola.

Caçar gasta energia e eles precisam conservar a que tem. Uma tempestade de areia está chegando e eles precisam chegar na serra antes dela. O sorriso calmo de Ian... uma lembrança constante... de que está nessa situação por sua causa. Steve garante ao garoto que encontrarão comida amanhã. Deixaram dias difíceis pra trás e mesmo assim Ian nunca vacila. Tem plena confiança de que Steve o irá tirar dessa situação. O ambiente é inóspito em todos os lados. A vida se passa no limite da exaustão e do completo colapso.

Os sóis gêmeos nascerão logo... por mais tempo do que ele gostaria... e nunca no mesmo horizonte. Por isso é impossível marcar o tempo ou a direção através deles. Provavelmente, um ano antes, eles caíram por centenas de quilômetros antes da colisão. Ele estava completamente drogado durante a fuga. Já nem sabe em que direção se encontra aquela estranha metrópole... ou mesmo o túnel que os levará para casa. A prioridade, no entanto, é encontrar Zola e descobrir o que ele injetou em seu peito. Ele tem enxaquecas todos os dias, desde aquele dia. O peito... ainda dolorido... mesmo depois de todo esse tempo. Mas é melhor não ficar pensando nisso. O medo é um luxo ao qual é melhor evitar. Ian conta com sua ajuda.

As noites se tornam o pior naquele estranho local. Quando Ian dorme, e não mais precisa de atenção constante, Steve está praticamente sozinho. É então que sua mente pondera sobre realidades e decisões desagradáveis. O que acontecerá (e está acontecendo) se ele não conseguir encontrar o caminho de casa? Por quanto tempo conseguirão continuar com esse pesadelo? Encalhado. Lutando pra sempre. Onde fica o ponto de partida, afinal. Quantos anos irão se passar até que encontrem algum sinal de esperança? Quando isso irá se tornar demais? Steve olha para a bala que carrega... e pensa na outra forma de partir. Uma forma que não deveria ser considerada.

A última tempestade de areia quase os matou. Agora, eles procuram por proteção contra uma nova tempestade. Caso não encontrem, não irão durar muito. A área de serra é sua melhor esperança. Apesar de estarem longe demais, não há outras opções. Com pouca visibilidade, eles têm que continuar rumando em linha reta. Se forem, mesmo que por alguns metros, na direção errada... estarão perdidos. Presos na tempestade com as coisas ruins que ela pode trazer. 

Parece que toda a física do lugar está desligada. As estrelas nunca apresentam um padrão constante. A gravidade muda da noite pro dia. Oscilações extremas no tempo como pequenos avisos. Não há folga do perigo. Logo à frente, encontram aquilo que aparenta ser vegetação. Outra difícil lição. Apesar da aparência, na verdade são iscas usadas pelas coisas que vivem debaixo da areia. Mas eles precisam continuar. Devagar e quietos. Ian, em seus braços, o aperta forte, lembrando-o do que tem ali embaixo. Um passo em falso e tudo estará perdido. Ângulos infinitos para se observar. Predadores infinitos que evoluíram no próprio ambiente. Eles sabem como caçar. Sabem como explorar a fraqueza de um tropeço em falso em seu território. E estão tão famintos quanto eles. O pior é que tudo é tão desconhecido para Steve quanto no primeiro dia em que ali pousou.

Apesar de andarem cuidadosamente pela vegetação-isca, dois batedores motorizados das tropas de Zola aparecem. A situação se transforma para uma corrida pela sobrevivência... em um campo minado. As regras para sobreviver são as mesmas. Confiar em si mesmo, não pensar duas vezes... e orar. A alternativa é dar meia volta, se render e deixar que levem Ian até onde é seguro. Os batedores não os reconhecem, mas atiram mísseis em sua direção. Eles não estão procurando por prisioneiros... estão procurando por mortes. Com o escudo, o Capitão consegue avariar uma das moto voadoras de uma das criaturas.

Não há garantias de que possa manter Ian seguro se fugirem. Por isso, agora não poderá pegar leve. Os batedores não são humanos. São criaturas construídas geneticamente para o mal. O escudo os protege dos disparos da criatura restante. E, assim que se aproxima, ele se lança contra ela. A cara do monstro amarrotou com o impacto do escudo. Podem ser bestas medonhas, mas seus ossos ainda se quebram. Essa descoberta dá ânimo ao herói para enfrentar a segunda criatura, derrubada anteriormente, que agora se aproxima... com uma espécie de espada de fogo em seus punhos. 

Quando a criatura golpeia com o fogo, é como se fosse calor de napalm. A cota de malha queima sua pele. Ian grita. Não dá pra fugir. O próximo golpe poderá matá-lo. É então que ele faz a última coisa possível para sobreviverem. Golpeia o solo e acorda a coisa debaixo da areia. E foge. Antes que, depois de devorar o batedor, aquela criatura os veja. Esse parece bem maior do que os outros que já viu. Ele pede para Ian correr. E se lembra de ler, certa vez, sobre Hemingway em um safári, encarando um rinoceronte. A chave para a sobrevivência é esperar até que a besta esteja alinhada pra ser acertada a queima-roupa. E só então... atirar. Com isso em mente, e a arma do batedor morto, o Capitão América abate a criatura. Ian continua assustado, seus olhos miram algo atrás dele. Atordoado, o herói só percebe quando a grande maça na mão do que parece ser um soldado, desce sobre ele... e o desacorda.

Assim que acorda, Steve e "seu filho" estão acorrentados em uma espécie de acampamento. Seu cérebro o presenteia com dor extrema assim que desperta. O batedor de Zola também está acorrentado diante deles... bufando pela mandíbula que ele mesmo quebrou com o escudo. Steve tenta acalmar Ian, que está apavorado. Os guerreiros que os capturaram se aproxima. Ele passou incontáveis meses orando para encontrar algum sinal de civilização. E, agora que encontraram, tudo que ele sente... é pavor. 

Mesmo com as pontadas que sente em seu crânio, cada sentido que tem está em alerta... transmitindo a mesma mensagem... eles não estão diante de amigos. Eles são levados para o que parece ser um palácio. Seus captores têm costuras de carne entre suas armaduras bem reforçadas... felizmente, parecem ser pontos de fraqueza. O problema são cajados com cristais brilhantes que parecem extrair suas forças.

Lutar não é uma opção. Conversar talvez seja. Hank Pym colocou um adaptador universal de linguagens nas placas de seu braço... se ele puder ativá-las, talvez consiga se comunicar. Há uma figura central, que parece ser o líder, sentado em um trono e cercado por servas femininas. Apesar da linguagem alienígena, fica claro que ele é a lei. Um tirano nunca é convidativo com forasteiros. Eles são ajoelhados e suas cabeças colocadas em pilares. Steve percebe o que irá acontecer. Pede para Ian não tirar seu olhar dele. Um dos soldados pega seu escudo e se aproxima do batedor. A criatura confirma que serve Zola. Logo em seguida, com o escudo, o batedor é decapitado. Talvez acreditem que ele também trabalhe para Zola. Steve tenta convencê-los de que não está associado ao vilão. Para seu desespero, o soldado com o escudo se aproxima... de Ian. Ao ver colocarem a cabeça do garotinho do pilar sacrificial e o soldado levantar novamente o escudo... Steve só tem tempo de pedir para Ian que ele feche os olhos.

Continua...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 760

Arte de capa por John Romita Jr.

Arte de capa alternativa por Jerome Opeña

Arte de capa alternativa por Paola Rivera

Arte de capa alternativa por Ryan Meinerding

Arte de capa alternativa por Charles Paul Wilson III

Arte de capa alternativa por Joe Quesada

Arte de capa alternativa por Scottie Young
 - Captain America n° 1 (Janeiro de 2013)

* "Castaway In Dimension Z", história escrita por Rick Remender, desenhada por John Romita Jr., artefinalizada por Klaus Janson, colorizada por Dean V. White, editada originalmente por Tom Brevoort

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Capitão América & Gavião Arqueiro n° 1 ("Náufrago na Dimensão Z"), letreirizada por Gisele Tavares, traduzida por Fernando Lopes e Jotapê Martins e editado por Paulo França

Manhattan, 1926.

Sarah Rogers está preocupada. Sua família está prestes a ser despejada pelo senhorio. Seu marido, Joseph, ainda não encontrou um emprego. Ele diz que tem tentado todos os dias... sem nenhum resultado. Nem mesmo no novo prédio sendo construído em Jefferson ele encontrou algo. Segundo ele, o mestre de obras do local odeia irlandeses. É estranho como o mundo parece sempre estar contra as chances de Joseph. Para Sarah, ele está se tornando alguém como o pai. A comparação desagrada Joseph... que esbofeteia Sarah. Ele não quer que seu filho, Steve, pense que ele é um vagabundo. 

Assustado e embaixo de uma mesa, Steve vê o rosto de sua mãe sangrar. O pouco que ela ganha na fábrica de roupas não tem ajudado muito. Ela lembra Joseph que o mestre de obras poderia muito bem lhe dar um emprego... se ele chegasse sóbrio de manhã. Sarah leva outro violento tapa e seu rosto, já ferido, deforma-se com o inchaço. Ainda assim, ela o enfrenta e diz que seria melhor aparecer sóbrio de manhã. Ele cerra o punho para agredi-la novamente... mas prefere pegar seu casaco e sair. Assim que Joseph sai, Sarah chama pelo assustado Steve. O garoto não entende porque sua mãe não ficou quieta. Compartilhando de sua coragem, Sarah diz que não importa o que aconteça... devemos nos manter sempre de pé.

Hoje. Quatro de Julho.

O vento ruge. A adrenalina surge em quantidade suficiente para fazer um morto dançar. Mas o Capitão América precisa daquela sensação para se manter acordado. Sua mão esquerda grita, quebrada, lembrando que não há motivo pra ele ficar agarrado na fuselagem de um B-52 em queda livre. O maluco dentro da cabine chama a si mesmo de Caveira Esmeralda... nome emprestado que ativa um sentimento pessoal no herói. Um hippie maníaco afirmando que a única forma de salvar a Terra é matando toda a humanidade. O herói tem apenas trinta segundos antes que ele coloque em prática o atentado baseado nesse princípio.

O Capitão América está há semanas sem descanso. Mas assim é o trabalho. Se fizer besteira, ele se dá mal. O herói consegue entrar na cabine e um dos asseclas do Caveira Esmeralda tenta tirá-lo dos controles. Na confusão, o vilão dispara e acerta o próprio lacaio... que geme de agonia quando a vegetação brota de seu corpo, resultado do super fertilizante que o maníaco leva na aeronave que joga sobre a cidade. O herói tenta desviar o avião e, conseguindo o máximo que pode, abre uma das portas. Depois de três dias lutando com o Caveira em sua fortaleza amazônica, ele tem o forte impulso de deixá-lo. Mas o Capitão sabe que essa não é a coisa certa a fazer. Enquanto agarra o vilão e salta, salvando sua vida, ele ainda o ouve vociferar sobre sua guerra contra o consumismo da humanidade. Não é fácil fazer a coisa certa hoje em dia.

Durante a queda, o Capitão América nota que o Caveira Verde empunha uma pistola. São todos iguais: não apreciam a clemência. O herói não suporta mais aquele discurso e o esmurra para que cale a boca. Sua mão quebrada resmunga. O herói pousa na margem do rio e pede a um policial que chame os Vingadores, pois há uma arma biológica a bordo do avião. O policial não está vendo nenhum avião... mas se assusta quando a aeronave finalmente aparece... caindo no rio. Capitão América entrega o Caveira Verde para o policial e pede para prendê-lo enquanto os Vingadores não aparecem. O herói está com pressa... para se encontrar com seu contato na SHIELD.

Sharon espera Steve em um beco. Ela só o perdoa porque, afinal, é seu aniversário. Ele lhe dá um motivo melhor para receber uma advertência: um beijo. Eles se trocam e caminham para o metrô. No caminho, ela lhe dá uma caixinha. Um presente de aniversário. Um par de alianças. Afinal, não é todo dia que ela comemora o aniversário de 90 anos de um namorado.

Apesar de parecer que estão indo comemorar, na verdade eles estão investigando uma pista da SHIELD que descobriu um vagão de metrô viajando por uma linha antiga... abandonada há uns oito anos. Não se sabe do destino dessa linha ou quem estaria operando o vagão. Um operador descobriu a senha para chegar até ela. Steve parece distante, mas, na verdade, está pensando no presente de Sharon. No seu tempo, eram os homens que faziam o pedido. Ela deixa claro que não está pedindo para que ele deixe sua vida como Capitão América. Mas gostaria de passar sua vida... com Steve Rogers.

Chegando ao local misterioso, descobrem que o "vagão-fantasma" se aproxima. Um agente armado diz que só há vaga para mais um passageiro. Steve toma a dianteira e embarca. Antes, ele olha pra trás e concorda que está certa. Steve Rogers parece estar sumindo dentro do uniforme de Capitão América. E casamento... pode não ser tão ruim, afinal. Ele poderia ter uma vida de novo. Ele é o soldado por tanto tempo, que às vezes se esquece de como é ser uma pessoa normal.

Dentro do vagão, algemas surgem do nada e prendem Steve e os demais passageiros... antes que as portas se fechem. Assim que o vagão se movimenta, ouve um chiado elétrico e a composição começa a adquirir uma velocidade anormal. Ele estava tão distraído que não percebeu os sinais de anormalidade. A velocidade aumenta até que surge uma luz tão brilhante que o cega... e um barulho ensurdecedor... como se a barreira do som estivesse sendo quebrada.

Quando sua visão retorna... ela não lhe traz boas notícias. Lá fora... algo que parece ser um mundo alienígena. Os passageiros se tornaram criaturas disformes, que apontam armas para ele. Steve ignorou a regra principal que nenhum estrategista competente quebra: jamais se meter em algo sem saber ao menos as possíveis consequências. Uma agulha perfura sua nuca e ele apaga. Essas são as boas vindas que recebe da Dimensão Z.

Ainda está escuro e Steve se sente cansado. Ele chama por Sharon. Deve ter dormido no sofá de novo enquanto assistia TV na madrugada. Ele ouve vozes e pede a Sharon que desligue a TV. Com a visão turva pelo cansaço, vê o que parece ser um bebê dentro de um tubo de laboratório. Um filme de ficção? Ele diz que não colocará mais o uniforme hoje. Mas ele conhece a voz que fala incessantemente. Não é Sharon. Mas ainda está muito cansado. Pede novamente que Sharon desligue a TV. Seu coração bate descompassado. Ele foi drogado. Os monstros no vagão... que o drogaram. Não foi um filme na madrugada. Isso realmente aconteceu.

Steve está preso em uma espécie de mesa de laboratório. Um tubo em seu braço... continua enchendo-o de droga? Não. Está fazendo algo inverso. Está tirando seu sangue. Uma enorme agulha aparece a sua frente... e é cravada em seu peito. Ele conhece aquela voz com tom humano sintetizado. A voz do biofanático... Arnim Zola. A agulha cravada em seu peito faz com que suas entranhas se revirem. Seu coração parece pegar fogo. Seus nervos estão inflamando. Nada conseguiria anestesiar aquela dor... que continua subindo por seu pescoço até atingir a parte da frente de sua cabeça como uma lesma. Ele reúne forças para ficar de pé. Deve ficar sempre de pé... não importa o que aconteça.

Steve consegue quebrar as algemas e retirar a agulha de seu peito. Apesar da dor, ele precisa levantar-se e se manter acordado. Seus músculos parecem não responder... anestesiado pela droga. Ainda assim ele tem que se forçar. Assim que recupera seu escudo e uniforme, sabe que tem que fugir... sair dali. Ele se concentra no arremesso antes que os monstros tenham a chance de avançar. Apesar do ângulo difícil, ele causa um enorme dano no laboratório. Enquanto seus inimigos estão atordoados, ele foge, passando pelo tubo onde estava o bebê... destroçando-o. Seguindo em frente, salta por uma das janelas. Está em um local elevado. Uma espécie de edifício. Mesmo com sua prática... teve sorte na queda e sai ileso.

O Capitão América consegue uma aeronave, mas, assim que levanta voo, é perseguido por outras. Sua visão está turva. Ele quase desmaiando. Ainda assim, tenta arrumar os controles e estabilizar a nave. Há uma repentina aceleração e ele não consegue controlá-la. Apesar de escapar de seus perseguidores, acaba pousando a nave de forma desastrosa. Pouco depois, assim que consegue sair... sua primeira percepção é a de ouvir um choro. O bebê do tubo... protegido por seu escudo... graças a Deus o garoto sobreviveu. Apesar de acalmar o bebê, dizendo que tudo irá ficar bem, nem mesmo ele tem tanta certeza... em meio a um ambiente tão alienígena.

Continua...