sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 573

 - Captain America n° 17 (Novembro de 2003)
* História escrita por Dave Gibbons, desenhada por Lee Weeks e artefinalizada por Tom Palmer

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Os Poderosos Vingadores n° 15

Atlântico Norte. Março de 1964.

Um submarino alemão encontra algo incomum. Um bloco de gelo com um corpo dentro. Trazido para bordo, percebem que o homem usa um uniforme do exército americano, algo que não é visto desde o fim da Segunda Guerra. O médico do submarino sabe que o estranho está congelado há anos. Mesmo assim, não sabe se está tecnicamente morto. A atividade nervosa começa a funcionar e o homem sonha.

“Eu acelero até o fim. A motocicleta ruge sob mim. Velocidade máxima. O avião está perto. De repente, Bucky fica em pé. Eu grito 'Não, Bucky! Não! '. Tarde demais. Ele salta. 'Não vá sozinho, rapaz'. Ele não pode me ouvir. Então, me aproximo mais. E salto. Minhas mãos escorregam na fuselagem. É lisa demais. 'Solte, Bucky. Bucky! Salte do avião, garoto. Agora! Ele pode estar cheio de armadilhas'. Ele responde: 'Tem razão, Capitão. '. Sua voz se perde no vento. 'Eu tô vendo uma bomba. Ela vai explodir'. Eu grito novamente: 'Bucky! '.

Nesse momento, o homem acorda gritando pelo nome de seu parceiro. Mas um militar de alta patente do submarino informa que ele morreu... faz tempo. O Capitão percebe algo muito peculiar nas vestimentas dos tripulantes. Suásticas. Todos ali... são nazistas. Provavelmente os responsáveis pela morte de Bucky. O Capitão América, como é reconhecido, tenta enfrentar a todos. Mas uma dose de morfina consegue desacordá-lo novamente. Assim que o herói é amarrado, o militar ordena que rumem para Nova Berlim.

Assim que chegam a Nova Berlim, ainda acorrentado, o Capitão América é levado para fora do submarino e se espanta com o que vê. Ele reconhece vagamente o local. No local onde costumava haver a Estátua da Liberdade, agora há uma estátua, na mesma proporção, só que de Adolf Hitler. Anos atrás, a cidade que hoje é Nova Berlim também era conhecida como... Nova York! O herói é levado em uma espécie de cortejo, apenas para mostrar ao povo que o grande combatente da Segunda Guerra, símbolo da América, agora é um exemplo da derrota dos Estados Unidos na Segunda Guerra. Calado e apenas observando, o Capitão América é levado ao Empire State, sede do governo nazista. É então que ele é colocado diante do líder daquele governo. Seu antigo inimigo... o Caveira Vermelha.

O Caveira Vermelha solta as correntes do Capitão e lhe mostra uma visão da sua Nova Berlim. Através da invenção chamada televisão, o vilão lhe conta o que houve enquanto o herói esteve congelado.

"Após seu misterioso desaparecimento em 1944, o rumo da guerra virou a nosso favor. Aparentemente, algo havia mudado no mundo. Condições climáticas aberrantes e descobertas milagrosas em nossos projetos com armas secretas nos ajudaram a expulsar seus soldados invasores de nossos territórios. O destino realmente estava do lado do Reich. Em poucos meses, tomamos a Inglaterra, reocupamos o norte da África e a União Soviética. Por fim, uma poderosa frota partiu para os Estados Unidos. Após batalhas ferrenhas, dominamos Washington e o sul do país. Mas somente a detonação de uma poderosa bomba atômica em Detroit fez com que os americanos se rendessem. Depois de controlar os Estados Unidos, começamos a erradicar as raças não arianas que aqui encontramos. Nossas tropas eliminaram impiedosamente as formas semi-humanas em nosso caminho. Permitimos que nossos aliados orientais controlassem a Ásia e o Pacífico pra nós, mas, salvo essa exceção, a bandeira com a suástica tremula sobre toda a humanidade. Este Reich não vai durar apenas mil anos, mas para sempre. Não esqueça minhas palavras... pra sempre."

O Caveira ainda informa que tomou o poder após a morte de Hitler. Ele propõe ao Capitão que ele se torne um ícone, o símbolo da Nova América... para que o povo pare finalmente de resistir. Para tanto, o herói terá que jurar lealdade ao Reich publicamente. Em troca, ele poderá ter tudo o que quiser: terras (oferecendo toda a Califórnia) e mulheres (ou, como maliciosamente sussurra, “garotinhos, meninos uniformizados e mascarados, se preferir...”).

Diante da hesitação do herói, o Caveira diz que a alternativa será bem pior. Eles irão criar uma raça de super-homens a partir do sangue do Capitão. Todos loiros, fortes, arianos. Depois realizarão vários procedimentos médicos para entender completamente como funciona o corpo modificado do herói. Após a tortura, ele será enforcado em Times Square e seu cadáver deixado em exposição... seu escudo se tornará uma mera mesinha de café nos aposentos do vilão.

Finalmente, quando o Caveira questiona se é tão difícil tomar uma decisão, o Capitão fala. E, pelo ataque ao vilão, a resposta é não se render. Com seu escudo, o Capitão consegue se defender dos guardas que cercam o Caveira. Mas eles são em maior número e ele decide bater em retirada... saltando pela janela do alto do Empire State.

Continua...
A+:

* O britânico Dave Gibbons, escritor desse arco, ficou mais conhecido como desenhista da minissérie Watchmen, escrita por Alan Moore. Com seu nome sendo facilmente reconhecido, vem contribuindo com participações especiais em diversas publicações, seja como desenhista ou como escritor (Gibbons também já fez trabalhos como letrista)

* O traço do desenhista Lee Weeks é mais lembrado pelas histórias do Demolidor, no início da década de 90, em parceria com a escritora Ann Nocenti. Antes desse arco, Weeks contribuiu com a arte da revista do Hulk, escrita por Bruce Jones.

* Chuck Austen passou a escrever vários títulos da Marvel, sendo mais notória sua passagem pelos títulos envolvendo os mutantes x-men. 

* Jae Lee viria a ser o principal desenhista da adaptação em quadrinhos para a série "The Dark Tower", de Stephen King.

* Esse arco começa com o Capitão América sendo encontrado congelado em Março de 1964. Essa data é a mesma do lançamento da revista Avengers n° 4, onde o Capitão América foi reintroduzido no Universo Marvel, quando foi encontrado pelos Vingadores.

* Enquanto apresenta Nova Berlim, o Caveira Vermelha mostra vários edifícios nova-iorquinos batizados com nomes de nazistas conhecidos. A Cúpula Albert Speer, traz o nome do arquiteto que se tornou uma pessoa próxima a Hitler e, responsável por um novo projeto de reconstrução de Berlim, utilizou de trabalho de escravo vindo dos campos de concentração. A Torre de Comunicações Joseph Goebbels traz o nome de um dos maiores seguidores de Hitler, responsável pela Solução Final, que exterminou os judeus durante a Segunda Guerra; sua propaganda em prol do nazismo visava convencer o povo alemão a entrar agressivamente na guerra; no final da Segunda Guerra, acabou cometendo suicídio (após matar os seis filhos e a esposa). E o Aeroporto Internacional Hermann Goering, traz o nome do fundador da Gestapo; quando soube das intenções de Hitler em cometer suicídio, solicitou substituir o fuhrer, mas só conseguiu provocar a ira de seu líder, o que lhe rendeu a ordem de prisão. Após o fim da Guerra, Goering foi condenado à morte por enforcamento, mas cometeu suicídio antes, ingerindo cianeto.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 572

 - Captain America n° 16 (Outubro de 2003)
* "Ice - Part 5", escrita por Chuck Austen, desenhada por Jae Lee

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Os Poderosos Vingadores n° 11 ("Gelo - Parte 5")

Furioso por Hana ter sido assassinada, o Capitão América ataca os soldados lemurianos e o Interrogador, retirando a mão que o controla. Em seguida, Nick Fury e Sharon Carter, representando a SHIELD, que os seguiu, os resgatam da ilha. Sharon pergunta se Hana era importante para Steve para ele estar tão abalado. Ele nega e prefere deixar a questão para Namor. Sharon insiste e ele confessa que Hana realmente mexeu com ele. Talvez as descobertas recentes o tenham deixado vulnerável.

Dentro do destróier da SHIELD, Steve confessa a Sharon que não sentia por Hana o mesmo que sente por ela. Sharon gosta do que houve e os dois ficam a sós na cabine dela, onde fazem amor. Ela o questiona sobre a ética em tirar uma vida, quando necessário, mas ele se mostra incomodado com a questão. Ela prefere deixar esse questionamento de lado.

Tempos depois, o Capitão América reencontra o vilão Barão Sangue. O vampiro já fez inúmeras vítimas e o desafia a decapitá-lo novamente, com o fez no passado. Dessa vez, no entanto, o Capitão prefere espancá-lo até que o desacorde... mas não o mata.

As missões nas quais o Capitão participa parecem cada vez mais violentas, cada vilão mais frio e impiedoso. É como se sua crença em não matar fosse desafiada a cada momento. Em um hotel, Sharon questiona Steve sobre o mesmo assunto: sua crença em preservar a vida. Quando ele tenta desviar o assunto para que ela fale, também, um pouco sobre ela... Sharon revela que está grávida. É hora do Capitão América se aposentar.

Steve tem visto uma propriedade em Wyoming. São cem acres perto de um lago. Com uma casa que ele pretende consertar. É uma forma de se afastar, afinal, da violência, do ódio e da matança... e começar a ter o dia-a-dia pacífico pelo qual tanto lutou. Enquanto conversam sobre o futuro, em um simples jantar, Sharon e Steve são atacados por soldados lemurianos liderados pelo Interrogador. Se o Capitão tivesse matado o vilão antes, sua esposa e o bebê ainda estariam vivos. Steve começa a estrangular o vilão e admite que todos tem seu limite... Mas se detém antes de matá-lo. É então que Steve percebe que... desde que foi atingido pelos filamentos da mão do Interrogador... nunca deixou o local. Ele ainda está próximo a Lemúria.

Agora, Namor também está presente e vê o amigo resistir às sondas do Interrogador. Hana, que está viva, revela que esteve sob ordens de Namor desde seu salvamento em Miami. Pelo visto, alguém pretendia enviar o Interrogador para desafiar a fé do Capitão América, talvez o convencendo a ser o soldado que mata quando necessário. Namor apenas tentou ajudar a descobrir quem é o responsável.

O Interrogador agora tenta espalhar sua sonda em Namor, Hana e, novamente, no Capitão. Mas, enfurecido, o herói arranca a mão do vilão. Ele a questiona quem pediu que ele fosse interrogado e a mão lhe dá um nome. Micah Alvar Reeve, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos.

"O mundo é um lugar diferente agora, Capitão. Seu país precisa de agentes que matem em nome de uma causa certa, uma causa justa. Reeve sabe disso... e veio atrás de você. Eu mantinha o homem conhecido como Interrogador vivo, Capitão. Ao me tirar dele, você acabou com sua existência... e Reeve atingiu seu objetivo. Ele o transformou em um assassino."
ÂmagoNews: 

* Falando sobre desorganização mutante: Todos Ao Mesmo Tempo Agora

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 571

 - Captain America n° 15 (Agosto de 2003)
* "Ice - Part 4", escrita por Chuck Austen, desenhada por Jae Lee

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Os Poderosos Vingadores n° 10 ("Gelo - Parte 4")

Durante a viagem para um ponto no Oceano Atlântico, muitas questões ainda atormentam o Capitão. Se ele foi congelado e revivido anos depois, porque Bucky, que também havia sido congelado, não estaria vivo? E quem é o verdadeiro responsável por sua situação?

O herói estranha ter sido levado para uma espécie de caverna, imaginando que o local poderia ter sido feito para recebê-lo (ao contrário de Lemúria, que fica no fundo do oceano e não permitiria que ele respirasse). Para sua surpresa o local também foi feito para alguém que já estava ali... o Interrogador. De fato, é a mão quem fala e confirma que eles já se viram antes. O Capitão América confirma que está ali para extraditar o vilão... independente de acordos entre a Lemúria e a América. Há três soldados lemurianos no local para garantir a segurança do Interrogador. O vilão se sente indignado com o fato do histórico do Capitão mostrar que ele é um herói que se recusa a matar.

Facilmente, Capitão América e Hana se livram dos soldados. Ele se sai bem com o escudo substituto. "Acho que não se trata da arma... mas do homem que a usa." A mão do interrogador dispara filamentos, que se fixam no rosto do Capitão. Hana consegue retirar os filamentos, mas o herói está muito fraco. Os soldados atacam, mas Hana consegue tirá-los de lá. Com um beijo, ela consegue extrair oxigênio suficiente da água para os dois. Eles conseguem chegar a uma pequena ilha. Hana tem um ferimento profundo no braço e o herói usa parte de sua luva para estancá-lo. Ela tenta se aproximar... mas ele não se sente a vontade com a situação. Talvez não seja nem pela manipulação do vilão, que o deixou confuso. O fato é que ele é de outra época, outra cultura, outra atitude. Ela tenta argumentar e o deixa ainda mais confuso.

"Você esconde suas emoções atrás de uma máscara... e revela seu corpo em um uniforme apertadinho. Por que, Steve? Por que a ideia de ficar nu comigo te atrai e te incomoda tanto? Por que quem respira ar... principalmente os americanos... acredita que a atração física é sinônimo do mal? Associa com pecado e depravação? Você acha que isso é "errado" ou "ruim" como as pessoas do seu tempo? Seja sincero, Steve. O que acha que aconteceria se nós tirássemos a roupa agora? Eu e você, vestidos apenas com os raios do sol e as brisas suaves de nosso jardim particular... fazendo amor por horas e horas... por prazer e não por necessidade. Isso seria "maligno"? Por quê, Steve? Você... aqui e agora, tão longe das mentes pudicas e morais repressoras... acredita que seria errado os nossos corpos nus se envolverem na busca do prazer mútuo?"

Nesse momento, Hana é trespassada por uma lança lemuriana. Os soldados os encontraram e trouxeram o Interrogador, que ouviu o discurso de Hana... e o momento em que o Capitão estava sendo convencido de uma nova realidade.

"Até onde a percepção do bem e do mal é flexível, Capitão América? Considerando que matar viola certos mandamentos religiosos e posturas morais... ou talvez, mais importante neste caso, certas convicções pessoais... se fosse possível confrontar o assassino de alguém que você desejava... alguém de quem gostava... ‘aqui e agora, tão longe das mentes pudicas e morais repressoras’... você seria capaz de justificar a mudança de suas crenças pessoais sabendo que outra delas já mudou... e assassinar os assassinos?"

Continua...
ENQUANTO ISSO...

Setembro de 2003:

* Segundo um comunicado oficial, a Marvel Enterprises e o quadrinhista Joe Simon finalmente chegaram a um acordo sobre a disputa legal sobre os direitos do Capitão América, personagem criado por Simon e Jack Kirby em 1941.

A editora e o criador não revelaram detalhes do acordo, mas Simon cedeu os copyrights sobre o personagem para a editora. Com o fim do processo, a Marvel declarou que vai direcionar esforços para a franquia do herói bandeiroso em todas as mídias, incluindo uma nova série para o cinema.

"O Capitão América é um dos mais famosos super-heróis do mundo. Agora, com esse problema legal superado, finalmente podemos explorar totalmente o potencial da franquia para o Universo Marvel", declarou um representante da Marvel.

(Fonte: Omelete)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 570

 - Captain America n° 14 (Agosto de 2003)
* "Ice - Part 3", escrita por Chuck Austen, desenhada por Jae Lee

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Os Poderosos Vingadores n° 9 ("Gelo - Parte 3")

Hana confirma que foi enviada pelo lemuriano conhecido por Interrogador. "Ele era mantido vivo pela mão... e falava por meio dela. Cego, surdo e mudo para qualquer informação que a mão não lhe transmitisse. Mesmo assim, conhecê-lo foi uma experiência perturbadora. Particularmente, porque ele queria que eu trouxesse outro habitante da superfície até ali. Quando comecei a recusar, senti sua mão alisar meu ombro. Não significou nada pra mim na hora. Eu estava concentrada na imagem de sua pretensa vítima. Curiosa pra saber o que ele queria desse homem... e o que o levou a crer que eu cumpriria a missão. Levar você... à Lemúria."

Resistindo inicialmente, Hana se lembra apenas da mão do Interrogador enxertando sondas nela... e, logo depois, de estar no local onde salvou o Capitão América... no momento em que se apaixonou por ele. As mulheres que atacaram o apartamento de Steve Rogers eram uma espécie de segundo grupo de ataque ao herói.

O casal segue para Kentucky, no Hospital de Veteranos Nelson. O Capitão América ainda desconfia das coincidências envolvendo Hana. Mas, ultimamente, muitas outras dúvidas assombram sua mente.

"Por que nada mais é simples? Heróis. Vilões. Certo e errado. Por que não podemos resolver os problemas com socos e pontapés como antes? Por que não posso esmurrar alguém e estar fazendo a coisa certa? Por que os filmes que me mostraram sendo enterrado no gelo me fizeram questionar o governo e a mim mesmo? Por que não posso ter certeza de que meu país nunca faria algo assim comigo? Certeza absoluta?"

Capitão e Hana foram até o Hospital para visitar aposentado General Phillips, que esteve envolvido no experimento com o soro do supersoldado em Steve e, talvez, com a decisão de congelá-lo durante o final da Segunda Guerra. Quando se encontram, no entanto, o hospital é atacado por mais lemurianas assassinas. O idoso general até se empolga com a possibilidade de entrar em ação... mas tem sua garganta cortada. Na confusão, as lemurianas levam o escudo do Capitão, garantindo, assim, que ele as siga. Com o general assassinado e o escudo roubado... é hora do Capitão ir até Lemúria.

Continua...
A+:

* Lemúria foi um continente que, supostamente, existiu entre os oceanos Pacífico e Índico, tendo afundado devido a mudanças geológicas. Tido como lenda, há quem acredite em sua existência, bem como em uma raça que precedeu a humana, apesar de plenamente desenvolvida.

ÂmagoNews:

* Falando sobre a máxima de que ninguém é insubstituível. Ou será que sim? : Dublê de Rei

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 569

 - Captain America n° 13 (Julho de 2003)
* "Ice - Part 2", escrita por Chuck Austen, desenhada por Jae Lee

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Os Poderosos Vingadores n° 8 ("Gelo - Parte 2")

Hana chega até o apartamento de Steve Rogers, mas ele não vem atendê-la. Ela decide invadir. Lá dentro, uma voz fraca pede apenas que ela vá embora. O ginásio improvisado onde ele treina está destruído. E o Capitão América... se encontra enrolado na bandeira, em um quarto escuro, desolado. Por mais que ele peça que ela vá embora... ela decide ficar e ajudá-lo. Alguém lhe mandou filmes, documentos e registros que mostram que ele e Bucky foram congelados e enterrados no gelo. O governo americano o usou como se fosse um brinquedo.

Em verdade, ele nunca foi um soldado... no sentido de que deveria ser uma máquina de matar. Por isso, foi afastado, enquanto tiveram que recorrer a outros métodos mais letais para atacar o inimigo... em onze de Junho de 1945, em Hiroshima. Dois dias depois, em Nagasaki.

A desconfiança do Capitão começa a se tornar paranoia. Desconfia até mesmo de seus amigos, os Vingadores, que o encontraram nas águas geladas (segundo eles). "Esse é o perigo das mentiras e conspirações... você começa a enxergar manipulação em toda parte." Mesmo assim, ele ainda precisa acreditar em seus amigos. Tem que acreditar que, seja lá o que os fez parar naquele lugar... e os jogou na sua direção... não tenha a ver com qualquer conhecimento prévio da situação. Tem que acreditar que tudo foi obra do destino. Tem que acreditar... ou todos os anos de sua vida perderão o sentido.

De repente, o apartamento é invadido. Três mulheres, em trajes de combate lemurianos. Mesmo assim não equiparam a destreza do Capitão, que as derrota facilmente. Elas utilizam uma máscara. Hana confirma que é a máscara da liga de assassinas. Elas são contratadas para agredir, sequestrar ou matar. É basicamente uma máscara cerimonial... usada em festas e comemorações. Originalmente, foi feita para que o usuário intimidasse sua presa... assim que estivesse bem à vista. Um detalhe que Hana parece conhecer bem demais.

Continua...

domingo, 26 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 568

 - Captain America n° 12 (Junho de 2003)
* "Ice - Part 1", escrita por John Ney Rieber eChuck Austen, desenhada por Jae Lee

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Os Poderosos Vingadores n° 7 ("Gelo - Parte 1")

Brooklyn, Nova York. Steve Rogers ensina um garoto do bairro a recolher a bandeira americana. A bandeira que representa todo o país, motivo para sentir orgulho. Mas Steve sabe que é difícil explicar um conceito, um ideal. Por enquanto, ele pede apenas que o garoto respeite a bandeira.

"Como se explica um conceito? Um ideal em que acredito... mesmo quando os guardiões desse ideal... eleitos ou não... se escondem atrás dele... pra fazer coisas hediondas? Até onde eles iriam? Roubariam a vida de alguém? Suas memórias? Só porque a pessoa é idealista demais?"

Uma encomenda chega à porta de Steve Rogers. Uma caixa enviada pelo exército.

No reino submarino da Lemúria, o pai de Hana explica que trabalhou em uma expedição científica no Ártico, onde estava prestes a roubar as mais recentes descobertas... quando foram impedidos pelo príncipe Namor. Antes que o monarca da Atlântida pudesse atacá-los, os cientistas se apressam em retirar a mão do que parece ser um corpo alienígena. Próximo ao local, Namor encontra um bloco de gelo que contém alguém que ele conhece. Um antigo amigo: o Capitão América. Furioso, Namor despedaça o bloco. O príncipe submarino volta suas atenções para atacar a equipe de exploradores. Durante a batalha... o corpo do Capitão América revive.

O cientista segura a mão alienígena quando Namor está preste a atacá-lo. Esse ataque é impedido por um monossilábico Capitão América, que tenta grunhir algo... que depois é definido como... Bucky. O herói procura por seu parceiro. Namor informa que Bucky está morto e, retirando o escudo do herói, decepa a mão do cientista. O Capitão América enfrenta Namor, enquanto a mão alienígena se funde ao antebraço do cientista, que ativa a sequência de autodestruição da base... e foge. O que o outrora cientista se lembra é que o Capitão América seria encontrado minutos depois pelos Vingadores... e ele seguiria para Lemúria, onde se tornaria membro da raça inimiga da Atlântida.

Enquanto isso, o Capitão América assiste, estarrecido, a um filme onde é mostrado um bloco de gelo mantido pelo governo. O bloco de gelo onde ele esteve congelado por muitos anos.

Continua...
A+:

* Tendo a Panini saltado várias histórias do Capitão América na fase escrita e desenhada por Dan Jurgens, as histórias do personagem acabaram ficando com uma grande diferença cronológica em relação aos demais personagens da Marvel. Isso foi ajustado parcialmente entre o grande hiato (quase um ano) sem as histórias do personagem (apesar dele poder ser visto nas aventuras dos Vingadores). Sua volta se deu na nova revista do grupo chamada Os Poderosos Vingadores, que substituiu a publicação conhecida como Marvel 2003.

* Nessa época, após a batalha judicial sobre os direitos do personagem (levantadas pelo criador, Joe Simon) dar mais credibilidade para a Marvel, rumores sobre produções cinematográficas com o Capitão América ganharam força... entre as boatarias. Uma delas dava como certa que o intérprete do herói seria o ator Brad Pitt.

sábado, 25 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 567

 - Captain America n° 11 (Maio de 2003)
* "The Extremists - Part 5", escrita por Chuck Austen, desenhada por Jae Lee

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 11 ("Os Extremistas - Parte 5")

Nick Fury ainda se incomoda com a presença da atlante conhecida como Hana:

"Quer dizer que cê apareceu do nada e tirou o Capitão do mar antes que ele se afogasse. Só por isso devo confiar em ti?"

Ela, espertamente, retruca:

"Você se enrola na bandeira americana e só aparece depois que o estrago está feito. Só por isso se julga confiável?"

O Capitão América já sabe que Inali controla o clima. Baseado nisso, decide solicitar uma ajuda de peso: Thor, o deus do trovão e seu amigo vingador.

Dum Dum Dugan conta que enviaram o agente Inali para o complexo de engenharia humana para descobrir porque se gastava tanto nele. Inali encontrou os cientistas supervisionando e aperfeiçoando os clones, mas, em vez de relatar o que encontrou... decidiu agir sozinho... e acabou sendo fatalmente ferido. Antes de morrer, Inali sacou um cajado de orações indígenas e invocou o espírito de seus ancestrais, oferecendo sua vida para seguir sua vontade. Pelo visto, "algo" resolveu atender sua última vontade. Horas depois, Inali apareceu com um exército de clones de Steve Rogers, Bucky e dele mesmo, além da capacidade de controlar o clima.

Capitão América, para limpar sua mente, treina no ginásio da SHIELD junto a Hana. Apesar de formidável, ele ainda a supera em suas habilidades físicas. Mas, realmente, o fato de alguém tão habilidosa e que respira embaixo d'água aparecendo no momento em que ele estava se afogando... é algo que está além da coincidência. Desconfiado, ele pergunta quem a enviou. Ela só confirma que, sim, estava pela região, pois o reino da Atlântida não fica tão longe da Flórida. O herói deixa esse questionamento de lado. Afinal, seja quem for que a enviou... o quer vivo.

Thor enfrenta Inali, que consegue revidar graças ao poder concedido pelo deus do trovão do povo sioux: Haokah. Porém, esse momento de concentração se torna distração... para que o Capitão América o ataque.

Steve fica chocado com a linha de pensamento de Inali:

"Ninguém é inocente, Steve... quer você queira aceitar, quer não... todo americano é cúmplice das trevas que este país espalha pelo planeta... ao pagar seus impostos."

O povo, a maior vítima de atrocidades de vilões como Inali, sendo culpado pelas decisões de seus governantes. Uma linha de pensamento que só existe na argumentação de um terrorista. Inali provoca o Capitão, lembrando-o que suas memórias após a morte de Bucky podem ter sido implantadas pelo governo da América que tanto defende. O Capitão América acredita que essas lembranças, que seriam falsas, são fruto da alucinação causada pela poção que foi obrigada a beber. Mas Inali ainda lhe dá mais um motivo para desconfiar:

"Eles te congelaram porque não podiam te controlar. Eu encontrei os filmes. Os arquivos. Aí, tentaram clonar uma versão mais cooperativa de você. Uma que não resistiria se precisassem matar milhões de japoneses inocentes no final da guerra."

Nesse momento, o corpo de Inali começa a desfazer. É isso que acontece com um clone. Eles são molecularmente instáveis e acabam se desintegrando... principalmente se tiverem o poder de um deus sioux os consumindo por dentro. Inali, no entanto, tem outros corpos. Muitos mais. E promete voltar. Mas o Capitão diz que ele não fará isso.

Quando o herói viu a fita em que o vilão invoca os espíritos, lembrou-se do único ancestral vivo de Inali. Seu avô. Um velho sioux com atitudes antiamericanas, profundas crenças xamanísticas e ligações com deuses tribais. Ele estava ajudando Inali a ser o hospedeiro de Haokah. O Capitão não seria capaz, no entanto, de destruir Inali. Isso ficaria nas mãos de outros. De fato, naquele momento, Fury e seus agentes invadem uma reserva em Dakota do Norte e prendem o avô de Inali... além de destruir os demais corpos clonados.

Com Inali derrotado, Thor consola seu amigo diante da cidade devastada pela tempestade que vitimou 147 cidadãos:

"Bom Capitão... conheço-te bem e sei que lamentas profundamente a perda de inimigos derrotados. Contudo, uma vez que tenhas chorado por um oponente tão digno, pensa nas palavras de Ricardo III. A consciência é apenas uma palavra usada pelos covardes para conter os poderosos. Que os nossos braços sejam nossa consciência... o martelo e o escudo nossa lei. Eu e tu sempre marchamos juntos, bravamente, fazendo o que sabemos ser correto."

E o Capitão, finaliza a citação:

"Se não é um mundo que transformaremos no paraíso, podemos seguir lado a lado... para o inferno."
A+:

* "Dividir para conquistar", como é citada pelo Capitão América quando Thor é usado como distração contra Inali, é uma regra da terminologia política que também foi utilizada como estratégia de guerra pelo governante romano Cesar e o imperador francês Napoleão. A regra é válida para os dois lados, tanto para descentralizar e desestruturar o centro de poder do inimigo, quanto para ampliar as possibilidades com aliados fiéis ao comando de quem os ataca.

* Miami, onde também fica o Centro Nacional de Furacões, é uma das cidades que enfrentam temporadas de violentas tempestades. Furacões avançam pelo Atlântico e Caribe até atingir suas praias. A má fama climática da região serviu de pano de fundo mais verídico para a história.

* A peça Ricardo III foi escrita em 1592 pelo dramaturgo William Shakespeare, que se baseou na história do Rei Ricardo III da Inglaterra. O texto citado (praticamente declamado) por Thor e Capitão América é uma adaptação livre de um trecho da peça, trocando apenas alguns termos em relação ao original. Por exemplo, ao invés de “... o martelo e o escudo sejam nossa lei.", em uma clara referência às armas dos heróis, o original cita que a espada seja a lei.

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 566

- Captain America n° 10 (Maio de 2003)
* "The Extremists - Part 4", escrita por Chuck Austen, desenhada por Jae Lee

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 10 ("Os Extremistas - Parte 4")

A poção que Inali Redpath deu ao Capitão América está distorcendo seu senso de realidade. Apesar de estar em Miami, o herói pode ver apenas seus piores inimigos diante dele. Também tem visões de Bucky, correndo risco de vida. O Capitão espanca os vilões que ameaçam seu parceiro... apenas para descobrir que atacou cidadãos que tentavam lhe ajudar. Ao enfrentar Modok (ou algo que ele imaginava ser Modok) acaba sendo atingido por um enorme tronco de árvore e caindo desacordado no mar. Em seu delírio, ele se vê preso a uma espécie de maquinário de agentes que parecem trabalhar para o governo. A máquina faz com que suas memórias sejam manipuladas e ele imagine-se caindo em águas geladas após a morte de Bucky.

Ainda desacordado e prestes a morrer afogado, o herói é salvo por uma mulher. Os lábios dela dão ao Capitão a chance de respirar novamente. Acima deles, Inali ainda controla a violenta tempestade.

Após a tempestade, em um quarto semidemolido perto da praia, o Capitão América se recupera aos poucos do trauma das últimas horas. Ao abrir os olhos, ele vê sua amada, Sharon Carter. No entanto, "Sharon" diz não conhecer ninguém com esse nome. Talvez seja o efeito da poção de Inali. O herói sabe que perdeu seu amigo na Segunda Guerra. Mas as lembranças que a poção lhe trouxe, mostrando que há outra realidade, ainda são fortes demais. Ele agradece a mulher a sua frente por salvar sua vida... e diz que, apesar de elogiar sua beleza (como se fosse Sharon), os efeitos da poção já sumiram. Ao beijá-la, ele percebe sua verdadeira aparência... ela é uma atlante, assim como seu antigo aliado, Namor, o príncipe submarino.

Lá fora, a destruição causada pela tempestade é impressionante. O som de um rotor de helicóptero Blackhawk se aproxima. Nick Fury chegou. O Capitão apresenta a atlante, que se chama Hana. Fury acha conveniente demais uma atlante estar ali no momento em que o Capitão estava se afogando. Enfim... Fury estranha que o Capitão tenha recebido ordens dele para investigar a morte de Inali. Afinal, desde que foi jogado contra uma parede nos escombros do World Trade Center, o coronel não lhe dá ordens nenhuma. Tudo, até agora, não passou de uma armadilha. Primeiro, a instalação de engenharia humana não era da SHIELD. Na verdade, enviaram Inali para investigar e ele sumiu por dias. Barricada e Twotrees, que também eram agentes da SHIELD, apareceram por lá por conta própria. Depois, Inali reaparece com poderes climáticos e seguido por um exército pessoal. Inclusive, "esse" Inali que o herói enfrentou provavelmente também é um clone. Fury diz que capturou alguns desses soldados e faz questão de mostrá-los ao Capitão. Fury informa que cerca de cem cidadãos morreram na tempestade.

Dum Dum Dugan, no novo destróier aéreo da SHIELD, barra a entrada de Hana. O Capitão insiste que ela pode entrar, pois salvou sua vida. Fury retruca que ela não pode entrar. O clima entre os dois não é mais o mesmo. Quando finalmente mostra os soldados de Inali... o Capitão fica chocado com o que vê. São aparentemente idênticos... todos clones dele mesmo... e de Bucky.

Continua...
A+:

* Enquanto relembra o dia em que Bucky morreu, Capitão América deixa mais precisa a localização do incidente: Newfoundland. A Terra Nova, como é conhecida, pertence à região canadense e, durante a década de quarenta, foi um importante ponto de troca de bases navais entre a Inglaterra e a América.

* Jae Lee passa a ser o desenhista da série. Com um traço em estilo sombrio e bem característico, Lee ainda era lembrado por sua visão única de personagens Marvel em minisséries como Inumanos e Quarteto Fantástico: 1, 2, 3, 4.

* Há uma troca de equipe criativa no meio de um arco, o que muda, de certa forma, o foco da história. John Ney Rieber passaria a escrever histórias de franquias como Tomb Raider (para a editora Image) e o encontro entre Transformers e G.I. Joe (para a DW). Este último em parceria com o desenhista Jae Lee, que permaneceu na série do Capitão América. O escritor Chuck Austen, que fazia parceria no roteiro com Rieber, continuou como escritor oficial da série. Até então, o direcionamento estava nas questões dos direitos dos povos indígenas. Esse foco não foi exatamente apagado, mas se tornou um mero pano de fundo. A incursão da personagem Hana distancia ainda mais a atenção desse tema.

* Apesar de atlante, Hana não tem a pele azulada como os demais de sua espécie. A decisão de mostrar a personagem coadjuvante como sendo uma atlante de pele rosada provavelmente é o indício de uma homenagem às histórias do Capitão América na década de 40, onde o herói fazia parceria com Namor, também um atlante que se destaca dos demais por ter pele rosada. Nessa época, inclusive, Namor se destacava ainda mais de seu povo, que mais pareciam peixes humanoides. O príncipe submarino tem a pele rosada por ser um híbrido (e mutante) de humano (homo sapiens) e atlante (homo mermanus).

ÂmagoNews:

* Nem todo conterrâneo pode ser chamado de "cumpádi": X-Men, por Claremont & Byrne Parte 2 – Conterrâneos

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 565

- Captain America n° 9 (Abril de 2003)
* "The Extremists - Part 3", escrita por John Ney Rieber e Chuck Austen, desenhada por Trevor Hairsine, artefinalizada por Danny Miki e Allen Martinez

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 9 ("Os Extremistas - Parte 3")

Inali, utilizando seus poderes de controlar o clima, assassinou Barricada. Apesar disso, os soldados do vilão não o estão atacando, dirigindo suas atenções para o Capitão América. Inali critica a decisão do herói em ter revelado sua identidade secreta na TV. Mas o Capitão, no momento, só quer que Inali liberte as crianças do ônibus escolar, feitas como reféns. Irritado pela insensibilidade de Inali, que insiste em chamá-lo amigavelmente de Steve, o Capitão acaba atacando-o. Os soldados ficam de prontidão. As crianças são soltas. Inali argumenta sobre utilizar seus poderes dos ventos e do clima contra o que chama de "invasores":

"Este governo roubou o país do meu povo, Steve. Você tem que enxergar meu ponto de vista nisso tudo. Tem que entender que este país de pessoas brancas que você tanto endeusa, é o invasor... Eles criaram uma nação... sobre o sangue do meu povo. Usaram um sistema federal de governo... para oprimir aqueles que criaram o conceito. Povoaram a terra... removendo aqueles que, por direito, viviam aqui. Meu espírito se uniu ao do deus sioux do trovão, Haokah... que vai me ajudar a retirar os terríveis e indesejáveis puritanos de outras nações que infestam nossa terra. Os mesmos que se recusam a se importar até com os integrantes de suas próprias tribos. Aqueles que tomaram e defecaram em nosso solo. Juntos, vamos extinguir a América que você tão orgulhosamente veste... as cores que envolvem seus ideais pessoais... e representam o egoísmo de uma nação covarde e conquistadora. Um povo que espezinha... fingindo nem sequer ver... qualquer um que os lembre... qualquer um que os faça temer... que um dia possam perder tudo. Ter seu mundo arrancado deles... como aconteceu com meu povo."

Controlando os ventos, Inali consegue tirar o escudo do Capitão e o derrubá-lo. O vilão, vendo que o Capitão está quase desacordado, ainda lhe dá uma poção de ervas feita, segundo ele, pelo seu avô sioux. Ironicamente, Inali está fazendo tudo isso baseado no que o próprio Capitão América lhe disse no passado:

"O melhor americano é o que faz o que seu coração lhe diz que é certo... pelo bem de toda a humanidade... não só por outros americanos."

Inali parte em um helicóptero. Ainda zonzo, o Capitão América consegue se agarrar no veículo para tentar impedir o vilão de dizimar Miami com uma tempestade. Carregado pelos ventos, Inali sobrevoa Miami fora do helicóptero. Já dentro do veículo, o Capitão consegue convencer os soldados a ajudá-lo contra seu insano líder. Como o piloto não consegue chegar perto de tão forte tempestade (na qual Inali se encontra no centro), o Capitão América se arrisca e salta nela de paraquedas. A tempestade causa inúmeros danos em Miami. Nesse momento, a poção que o Capitão foi obrigado a engolir começa a fazer efeito e, diante dele, em meio a uma cidade que está sendo destruída... ele apenas vê seus piores inimigos, prontos para enfrentá-lo.

Continua...
A+:

* Haokah, o deus do trovão para os índios sioux, é uma entidade considerada travessa e costumeiramente afeita a contradições. Em algumas tribos, sua mitologia mostra que ele faz tudo ao contrário: anda para trás, veste suas roupas ao contrário e até fala de trás pra frente. Talvez por isso, entre os sioux, sua fama está em rir durante um momento triste ou chorar em um momento alegre. Algo que, dependendo do ponto de vista, é tido como certa virtude ou resistência, principalmente ao rir em momentos tristes. É, dessa forma, uma das versões para o que conhecemos como palhaço, em suas origens mais ritualísticas. Haokah usa o vento para tamborilar os céus e, assim, causar os trovões.

ÂmagoNews:

* Escrevendo sobre o detetive do impossível: Impossível... Mas Verdade 

Âmago EXTRA:

* Amanhã, 25 de janeiro de 2014, seu blog Âmago terá DUAS postagens, DUAS partes do Diário de Steve Rogers, apresentando o final do arco "Os Extremistas", com as duas edições desenhada por Jae Lee. Fique alerta! A primeira postagem ocorre as 18:00 e a segunda em seu costumeiro horário nobre, às 21:00.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 564

 - Captain America n° 8 (Março de 2003)
* "The Extremists - Part 2", escrita por John Ney Rieber e Chuck Austen, desenhada por Trevor Hairsine, artefinalizada por Danny Miki

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 7 ("Os Extremistas - Parte 2")

Cinco anos atrás.

Steve Rogers e Inali Redpath estão em uma missão para levar suprimentos para refugiados em um centro de apoio nos Bálcãs. É quando agente Redpath diz que há algo mais importante. No entanto, a missão é uma fachada para outra operação da SHIELD... do tipo que o Capitão América não faria. Há um campo de confinamento a uns 32 quilômetros de onde estão, cheio de mulheres e crianças. As ordens de Redpath são de matar os guardas e libertar os reféns. Jocosamente, Inali questiona Steve:

"Que é o melhor americano? O homem que faz o que o governo manda, não importa o que seja? Ou o que corre por aí fantasiado e vive um ideal mais alto do que o país cujo nome ele partilha?"

Mesmo não esperando uma resposta, Redpath a recebe de Steve:

"O melhor homem é o que faz o que seu coração lhe diz que é certo... pelo bem de toda a humanidade... não só por outros americanos."

No campo de confinamento, apesar de Redpath já ter um dos guardas na mira, Capitão América toma a dianteira e, conseguindo se defender do disparo de um morteiro, chega até o alto do muro. Resgataram cento e oitenta e duas pessoas naquele dia. Demorou vinte e cinco minutos do começo ao fim da ação. Nenhuma vida foi perdida. 

Presente.

Barricada e seus homens incendeiam a motocicleta do Capitão América... mas o herói consegue escapar em tempo... de retornar e derrotar os capangas do vilão... até conseguir confrontá-lo pessoalmente. Derrotando-o, Capitão América pergunta sobre o paradeiro de Inali Redpath. Ao invés de responder, Barricada tenta incendiar o herói... Mas, com seu escudo, o Capitão consegue cortar o tubo de combustível da arma do vilão. Infelizmente, por aquele caminho, se aproxima um ônibus escolar cheio de crianças, que Barricada logo domina. Com o sua arma vazando combustível, ele ameaça incendiar o ônibus. O Capitão, então, se vê obrigado a utilizar as algemas especiais feitas pra ele. Mesmo assim, ainda dominado, o herói vê Barricada jogar um sinalizador no ônibus encharcado de combustível.

O vento começa a aumentar de forma anormal, até se tornar um pequeno tornado... e jogar o sinalizador longe do ônibus. É Redpath... com seu novo poder de controlar os ventos.

Continua...
A+:

* O escritor e desenhista Chuck Austen une-se a equipe criativa da revista, escrevendo juntamente com John Ney Rieber (ao qual substituiria mais adiante). Austen, até então, trabalhou com a revista e o personagem Máquina de Combate e desenhou as primeiras histórias da revista da Elektra.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 563

- Captain America n° 7 (Fevereiro de 2003)
* "Barricade", escrita por John Ney Rieber, desenhada por Trevor Hairsine, artefinalizada por Danny Miki

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 6 ("Barricada")

Capitão América tem um pesadelo. Nele, se vê novamente congelado... algo que durou décadas. E relembra que, durante esse período, o mundo, que tanto precisava dele, ainda sofria as consequências da guerra.

"Não foi a sua liberdade que foi tomada. Mantida sob a mira de uma arma e embrulhada em arame farpado. Mas você não podia desviar o olhar como lhe ordenaram. Outros o fizeram. Você era incapaz de fechar seus olhos. Não poderia. Agora, não consegue fazer isso de forma alguma. Fora de sua prisão congelada... além de sua cela de gel... os anos passaram... e as pessoas viveram e morreram... desprotegidas... e com medo. Você devia ter estado lá, lutando por eles. Carregando seu escudo. Mas não esteve. O escudo está congelado junto à sua pele. Sua carne e ossos estão tão rígidos quanto o gelo que os cercam... cristalizados em frio e dor. Esta geleira é uma tumba. Mas você fez uma promessa ao povo. Jurou que jamais se renderia enquanto suas vidas e sua liberdade estivessem em risco. Então lute, soldado. Com todas as forças. A morte não é desculpa para a rendição... quando sua luta é pela liberdade."

Steve Rogers acorda assustado. Voltou a morar no Brooklyn... e agora está se adaptando a vizinhança.

"Não se dorme durante um tiroteio... quando ele acontece na sua porta. É o primeiro que você ouve em uma semana. Quando se mudou pra cá, acontecia o tempo todo. Mas isso foi antes. Antes deste se tornar o seu bairro. A maioria das gangues é da velha escola. Seus integrantes não saíram de um filme ou da TV. Eles tomam conta dos seus. Das pessoas de seus quarteirões. De seus prédios. Mas não sabem quando parar. Ou quando desistir. E todos têm armas."

Rogers pula de seu apartamento até um beco. Com o escudo, consegue desarmar e deter os marginais que se enfrentavam.

"A melhor coisa que um homem pode fazer depois de um pesadelo... é levantar e ir trabalhar."

A mudança na vida de Rogers é bem maior do que se imagina. A começar pelo seu novo emprego.

"Estaleiro naval do Brooklyn. Isto é bom. Este trabalho. Você sua. Suja as mãos. Mas, no fim do dia... a sujeira é lavada. Faz quatro meses que você mostrou ao mundo quem é o homem por trás da máscara. Um norte-americano, não os Estados Unidos. Três meses desde que decidiu viver aqui em vez de numa mansão. Você não tem notícias do pessoal desde que se mudou. Graças a Deus. Quanto tempo de privacidade resta? Dias? Semanas?"

Na volta do trabalho, Steve conversa com um garoto na vizinhança, mas pede que ele vá para casa. Logo em frente, alguns integrantes da gangue de marginais o reconhecem, pois Steve revelou sua identidade na TV.

"Armas. Por aqui, todos os garotos andam como se tivessem uma. Eles movem as mãos para as costas. Ou as escorregam para baixo das camisas quando você não está olhando."

O líder deles reconhece que o Capitão pegou integrantes da gangue rival na noite passada. Ele ordena que os garotos abaixem as armas. De certa forma, a imponência do herói traz certo respeito para a vizinhança. Não admiração, mas respeito.

Steve treina com seu escudo, ricocheteando-o com precisão para apagar e acender... um simples isqueiro. Um telefone toca.

"Você conhece esse som. A linha privada da SHIELD. Não é ninguém com quem você queira falar. Ninguém em quem possa confiar."

Steve não atende. Mas um grande helicóptero simplesmente para diante de sua janela. Nick Fury. Apesar de relutar em atendê-lo (afinal, Steve não trabalha e não confia mais na agência), sua atenção logo é conquistada pela má notícia envolvendo um velho amigo.

Flórida. Dois dias depois. O Capitão América se encontra com Samantha Twotrees. Ele percebe que ela carrega uma escuta e pede para desligar. Ela também conhecia seu amigo, Inali, o homem que o salvou uma vez e ensinou a rastrear... a ler sinais. O esqueleto em sua frente, em uma posição bizarra, pertencia a Inali. Pelo que tudo indica, Inali, nativo e xamã cherokee que carregava um cajado sagrado, invocava o ritual do vento, talvez para deter uma tempestade. Um tornado... que permaneceu diante de Inali por doze horas... até que seu peito fosse perfurado.

Analisando de perto o esqueleto... o herói constata que não é Inali. Possivelmente um clone... mas uma bizarrice do governo. A agente Samantha confirma que a SHIELD tinha uma instalação de clonagem... e ficava justamente ali, onde o tornado causou destruição. Ele segue a viagem de volta.

"Ela mentiu. Dava pra ouvir em sua voz. Estão todos mentindo. Os que estão falando e os que não estão. Como Fury. Talvez eles acreditem que segredos sustentem este país. Mas esse é o país deles... não o seu."

No meio do percurso, ele para sua motocicleta diante de uma parte da floresta a sua volta que foi recém-incendiada. Em seguida, paredes de metal se levantam a sua volta e um exército armado se mostra diante dele. O líder se identifica como Barricada e parece ser o responsável pelo incêndio. Eles pretendem capturar o herói.

Continua...
A+:

* O arco chamado "Os Extremistas" foi apresentado como sendo formado por quatro partes. Inclusive, essa informação consta na capa original americana (parte 1 de 4). A saga, porém, foi formada por cinco partes.

* Apesar da estranha abordagem do Capitão América ser protetor de um bairro (e não de uma nação), essa é a proposta que mais se assemelha ao selo Marvel Knights, agora que o personagem é publicado por ele. História com um tom mais realista, adulto e, também, poderia ser visto como mais... urbano, talvez.

* John Cassaday, então um dos maiores responsáveis por essa revitalização da revista do Capitão América, não é mais o desenhista oficial da série. Porém, ele ainda tem ligações com a revista, uma vez que se torna capista da mesma, continuando seu trabalho inspirado nos antigos cartazes da Segunda Guerra Mundial. Cassaday, inclusive, se torna uma espécie de capista oficial de várias séries, o que condiz mais com seu ritmo mais moroso de trabalho.

* O britânico Trevor Hairsine assume a arte da revista. Seus trabalhos anteriores mais conhecidos foram publicados na 2000AD e em histórias do Juiz Dredd. Seu estilo é comparado com a linha de desenho de Brian Hitch.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O DIÁRIO DE STEVE ROGERS - Parte 562

 - Captain America n° 6 (Dezembro de 2002)
* "Warlords - Part Three", escrita por John Ney Rieber, desenhada por John Cassaday

Publicada no Brasil, pela Editora Panini, na revista Marvel 2003 n° 4 ("Os Senhores da Guerra - Parte 3")

"É apenas dor. Irá embora. Sempre vai. Você alcançou seu primeiro objetivo tático. Atrair o inimigo para longe dos civis. E ainda continua vivo."

"Você está morto. Outro fantasma nesta cidade de fantasmas. Outra pilha de ossos e cinzas... se não usar cada fração de segundo que tiver... cada fagulha de consciência... e se mover. Enquanto puder. Para onde puder. Escolha o território, soldado... e mantenha sua posição."

Após a explosão, o edifício desaba sobre o Capitão América e ele só consegue escapar graças ao seu escudo, fincando-o no chão e fazendo com que ele impedisse que colunas maiores o esmagassem. Agora o herói está em um pequeno espaço, cercado de toneladas de escombros.

"Ninguém está gritando... Graças a Deus. Não tem ninguém enterrado aqui, exceto você. O tempo das explosões foi irrepreensível. Alguém esteve vigiando você. Um profissional. E profissionais sempre confirmam a morte de seus alvos. Ainda há concreto suficiente em cima de você para construir um abrigo antiaéreo. Ou te esmagar se... Não... Nada de "se". Só enfrente a pressão. Mantenha sua posição. Está lá em cima... esperando por você."

Forçando caminho entre os escombros, o Capitão pode ver a silhueta de seu inimigo logo acima... que também o avista e joga uma granada para terminar o serviço. O herói só escapa graças a seu escudo. Ao encarar seu inimigo, percebe que ele traz um dispositivo no pescoço parecido com os da SHIELD... só que maior. Ao atacar o vilão... o Capitão se surpreende. Trata-se apenas de um homem comum, com o rosto profundamente marcado por queimaduras. Eles lutam e parecem se equivaler em destreza quanto a combate físico. Tanto que o vilão consegue explicar que pretendia cansar o Capitão ainda mais, levando-o a rodar o mundo atrás de pistas. Uma agenda queimada nas ruínas levaria o herói ao Congo; informações no laptop de um traficante de armas apontariam para a Guatemala; as últimas palavras de um ferreiro o levariam às montanhas curdas. E assim por diante.

"Esse monstro... Quantos gritos ele deve ter trazido ao mundo? Quantas vidas essas mãos calejadas sufocaram, queimaram ou fizeram sangrar até a morte? Quantos sobreviventes foram aterrorizados em seus sonhos? Onde eles encontrarão paz, com tudo o que já viram? Você nunca saberá."

Capitão América consegue abater seu inimigo. Policiais alemães cercam o local... mas atacam o Capitão. Todos eles trazem o dispositivo pendurado no pescoço... que os mantém controlados pelo vilão. Seus usuários acreditam que, se morrerem, tal dispositivo transferirá suas mentes para outro corpo... o que não é verdade. Ele explica que plantou a tecnologia na companhia sobre cujas ruínas eles estão agora. Na investigação, a própria organização acabou tomando para si aquela tecnologia... sem saber que ela daria controle a um inimigo. A ideia, agora, é dominar todas as forças armadas americanas... e acabar com o mundo. O vilão, desconhecido, conta um pouco sobre quem ele é.

"Guerrilheiros mataram meu pai enquanto ele trabalhava no campo... com balas americanas. Armas americanas. De onde eu vim? Àquela altura, meu pai não sabia o que era a Guerra Fria... Lembra? Quando os soviéticos eram seus maiores inimigos? O Império do Mal? Minha mãe não sabia que nosso país estava bem no meio de uma guerra civil não declarada entre seus aliados e os aliados do mal... Então ela correu para encontrar seu marido. Minha mãe foi interrogada e morta a tiros. Nossa casa foi incendiada. O fogo me deu meu rosto, mas não fez de mim um monstro. Você conhece sua história, Capitão América. Me diga de onde vem o seu monstro. Você não sabe responder. Vocês jogaram esse jogo em lugares demais. Na África. Ásia. América do Sul. Nós morremos."

Capitão América reconhece esse discurso. E até enxerga certa razão nele. Porém, o povo... o povo nunca soube.

"Nós sabemos agora. E aqueles dias acabaram... Aprendemos com nossos erros. Mas você... Você diz ter visto inocentes morrerem... Conhece essa perda. Sentiu esse sofrimento. Você está cego. Não enxergou nada além da própria dor, do próprio ódio... ou você morreria antes de causar essa mesma dor a outro homem... qualquer homem, mulher ou criança... Você não é melhor do que os senhores da guerra que o criaram. Seja você de onde for."

Finalmente, tomado pela fúria, o Capitão América derrota o seu oponente... e o entregará às autoridades.

"Eles sempre estarão conosco. Os Genghis Khans. Os Calígulas. Os Hitlers. Os monstros. Com sua sede de sangue, seus brinquedos assassinos... e suas mentiras. Mas nós podemos deter a onda de sangue. Desafiar as sombras. Defender o sonho. Nós, o povo. Todos têm a liberdade e o poder de lutar... pela paz."