segunda-feira, 30 de novembro de 2009

THOR - Parte 149

- Thor: Blood Oath 1 (Novembro de 2005)

Histórias:

* Blood Oath Part 1 - Escrita por Michael Avon Oeming e desenhada por Scott Kolins

Juramento de Sangue.

A minissérie Blood Oath foi publicada em uma época em que os leitores ficaram sem uma revista mensal do Thor e, ao mesmo tempo, ainda em um clima de saudosismo, também deixou o clima pesado das últimas histórias do personagem, adotando uma linha mais voltada para a aventura. Mais que isso, talvez nunca se viu tanto humor nas histórias do herói quanto nessa minissérie. Ainda assim, não soa forçado, já que a história acontece no passado de Thor, quando ele ainda utilizava a identidade secreta de Donald Blake. Ou seja, bem o clima descompromissado dos anos 60, quando foi criado.

O curioso é que o responsável por essa divertida série é ninguém menos que o escritor Michael Avon Oeming, que também escreveu a última (e sombria) história que fechou a revista do personagem. Para acompanhar a aventura, o desenhista Scott Kolins dá um tom caricato em várias passagens da minissérie. Kolins também foi responsável pela arte de uma minissérie do grupo de super-heróis Vingadores, Avengers: Earth's Mightiest Heroes, contando suas primeiras aventuras do passado. Sua presença e o fato de Blood Oath acontecer também no mesmo passado que a minissérie dos Vingadores, pode levar o leitor a pensar que a idéia tem a mesma abordagem, só que com o Thor. Mas o foco de Oeming é outro, mais voltado para a aventura.

Retornando de Midgard (nome pelo qual os deuses nórdicos conhecem a Terra), após enfrentar o vilão Homem-Absorvente, Thor chega a Asgard a tempo de testemunhar o julgamente dos Três Guerreiros (Fandral, Hogun e Volstagg), que mataram acidentalmente o filho do rei dos gigantes.

Tomando as dores dos amigos, Thor acaba tendo que cumprir a mesma sentença que seus amigos. Ao contrário do que se pensava, não era morte que o rei dos gigantes tinha em mente. Surpreendetemente, mostra que até ficou feliz com a morte de seu filho, que só lhe dava desgosto. A sentença que tem em mente é mais baseada no sadismo. A idéia é mandar os quatro (os três guerreiros e Thor) para missões impossíveis dentro do reino mitológico (e não só de Asgard). Detalhe: Thor não poderá usar seu martelo encantado.

Assim os amigos partem para suas missões. Aliás, "amigos" mesmo! Apesar de Thor ser o príncipe de Asgard, as piadinhas entre eles estão além de qualquer protocolo real. Principalmente pelo naturalmente engraçado e volumoso Volstagg.

Continua...
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domingo, 29 de novembro de 2009

THOR - Parte 148

- Thor Son of Asgard 10 a 12 (Janeiro a Março de 2005)

Histórias:

* "Worthy: Part 1 a 3" - Escrita por Akira Yoshida e desenhada por Greg Tocchini

Digno.

A última história publicada na (que se tornou) maxissérie Filho de Asgard, conta como Thor conseguiu levantar, pela primeira vez, o martelo encantado Mjolnir. O escritor Akira Yoshida amarra esse acontecimento a uma antiga história dos anos 60, quando o personagem era escrito por Stan Lee e Jack Kirby, mais especificamente em um dos primeiros Contos de Asgard. Trata-se do resgate de Lady Sif das garras da deusa da morte, Hela. Na época (e, curiosamente, apenas naquela história), todos os personagens tinham um visual bem diferente do que seriam conhecidos.

As incessantes tentativas de Thor em levantar o martelo encantado parecem começar a surtir efeito. Porém, um dia, ao retornar a Asgard, o jovem príncipe encontra o reino sendo atacado por gigantes. O saldo negativo da batalha é que eles levaram Lady Sif como refém. Furioso e decidido a salvar aquela que está se tornando sua amada, Thor finalmente consegue empunhar o martelo.

Chegando ao reino dos gigantes e empunhando a nova arma, Thor descobre aos poucos os poderes que ela traz. Graças ao martelo, consegue invocar e direcionar trovões e derrotar gigantes. Também descobre que, ao lançá-lo, o martelo o leva junto como se estivesse voando. Ao chegar a sala do trono do rei dos gigantes, Thor descobre que Sif foi negociada e oferecida a Hela, a deusa da morte.

Thor invoca Hela e percebe que, mesmo com o martelo encantado, é incapaz de derrotar divindade tão poderosa. Então, em uma atitude nobre, oferece a si mesmo para a morte, em troca da liberdade de sua amada. Hela, inicialmente, comemora sua vitória... mas tamanho ato de nobreza é capaz até mesmo de tocar a morte, que acaba perdendo a coragem de levar o tão corajoso príncipe.

Livres da morte, Thor e Sif partem do local e percebem que o que havia entre eles, naquele período, era algo mais forte do que uma simples amizade.
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domingo, 22 de novembro de 2009

THOR - Parte 147

- Thor Son of Asgard 7 a 9 (Outubro a Dezembro de 2004)

Histórias:
- "Enchanted: Part 1 a 3" - Escrita por Akira Yoshida e desenhada por Greg Tocchini
Amora e Brunhilda.

A revista mensal do Thor terminou, mas o personagem ainda seria lembrado em especiais e minisséries. Uma dessas séries, a interessante Filho de Asgard, que mostra a juventude do deus do trovão, continua e destaca a jovem Lady Sif. Além tratar de assuntos como o despertar do interesse amoroso em Thor, também vemos a juventude da feiticeira Encantor e da guerreira conhecida pelo nome de Brunhilda (personagem que seria conhecida no futuro como a super heroína Valquíria, intergrante do grupo Defensores). Um roteiro leve e descompromissado de Akira Yoshida somado aos desenhos impressionantes do brasileiro Greg Tocchini.

Sif, de temperamento forte, se sente marginalizada com a chegada das duas novas personagens. Amora (futuramente conhecida como Encantor) é tão vilanesca quanto Loki e não mede esforços para conquistar o amor de Thor. Brunhilda, uma excelente guerreira, acaba se tornando um desafeto de Sif por despertar a atenção devido ao seu talento em batalha.

Mas, curiosamente, o que mais afeta a jovem asgardiana de lindos cabelos negros... são justamente a cor de seus cabelos. Tanto Amora quanto Brunhilda são loiras, algo compreensível já que se tratam de deuses nórdicos, e Sif sente-se deslocada por ter cabelos negros. É claro que o ciúme (por Amora com Thor) e a inveja (Brunhilda como melhor aluna de combate corpo a corpo) acabam dando essa baixa estima distorcida a guerreira.

Entristecida, Sif acaba caindo na lábia de Loki e roubando o Espelho de Mysha, um objeto capaz de fazer com que aquele que é refletido se apaixone por quem o segure. A intenção, óbvia, é fazer com que Thor olhe para o espelho enquanto ela o segura. Mas tudo não passa de uma artimanha de Loki com Amora. Assim que consegue o espelho e corre para Thor, Sif é paralisada pela jovem feiticeira. Amora toma o espelho e o mostra a Thor, que cai de paixão pela vilanesca loirinha.

Arrasada, Sif agora é ajudada por seu outro desafeto, Brunhilda, que viu o desenrolar dos planos de Amora. Juntas, as guerreiras vão ao encontro da feiticeira e Loki e destroem o espelho encantado, fazendo com que Thor tome consciência de ter sido ludibriado por Amora. O problema é que ele também se lembra que Sif tinha a mesma intenção de encantá-lo e a julga por essa atitude.

A mãe de Thor, Frigga, convence Sif de desculpar-se com Thor (interessante como Frigga e Odin já tratam a jovem guerreira como uma "prometida" a seu filho). Sif procura Thor e, aparentemente, os dois se reconciliam... como bons amigos.
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sábado, 21 de novembro de 2009

THOR - Parte 146

- Thor 85 (Dezembro de 2004)

Histórias:

* "Ragnarok, Part The Last" - Escrita por Michael Avon Oeming e Daniel Berman, desenhada por Andrea Di Vito

O Fim.

Thor vai até Surtur e descobre que o demônio está ocupado forjando diversos martelos encantados já que, agora, tem a forja roubada por Loki. Dotando seus demônios com os martelos, Surtur cria um exército assassino que, de tanto ódio, atacam a si mesmos.

Diante da dantesca cena, e acompanhado pela cabeça de seu irmão, Loki, Thor pede a Surtur que reconstrua seu martelo. Desconfiado, o demônio reluta, já que isso dará poder para que o deus do trovão o ataque. No entanto, em uma atitude surpreendente, Thor não só promete não atacá-lo, como também oferece caminho livre para que ele possa destruir todo o reino dourado.

Surtur reconstrói o martelo encantado e Thor cumpre sua promessa. Permite que o demônio e seu exército cruzem as terras asgardianas e destruam todos os nativos restantes. Bill Raio Beta, que ajudava a combater o ataque, é retirado da batalha por Thor e devolvido ao espaço para que proteja seu povo. Thor explica a Bill que aquela é a gloriosa última batalha dos asgardianos... um fim digno de guerreiros e que, no entanto, o alienígena não merece acabar junto a uma cultura que não é a sua. Entristecido porém compreendendo as razões do amigo, Bill se despede de Thor.

Com os asgardianos mortos e o reino dourado destruído, Thor retorna a árvore da vida e vislumbra uma espécie de tear, onde um longo tecido traz cenas dos fatos até então. Por trás do tear, há um novelo que alimenta a fabricação desse tecido. E o novelo é alimentado com mais linha... vinda do alto desse mesmo tecido. Ou seja,o tecido é feito com a própria linha que é desembaraçada em sua outra ponta, em um cíclo interminável. Esse tear, que representa o tempo, traz a resposta que Thor procurava: cada destruíção é seguida por renovação... até o próximo ciclo de destruição... e assim por diante, em um ciclo que não tem fim.

Thor, munido do renovado martelo encantado, decide destruir o tear. Os deuses superiores que encontrou anteriormente entram em pânico diante do que ele está pra fazer, assim como o desesperado Loki. Thor não reluta e destrói o tear. O universo (dos asgardianos) então é engolido para dentro da árvore da vida, assim como ela própria é engolida para dentro de si mesma... até que não reste nada.

De fato, uma viagem surrealista dentro das páginas de Thor, trazendo o fim digno de um deus para um personagem clássico. Diferente das outras vezes, onde cancelamentos de uma revista tinham um planejamento de renovação do título, dessa vez a revista do Thor saía de circulação sem previsão de volta... nem mesmo do personagem. Restaram apenas algumas edições que mostrariam histórias do passado do personagem e... uma esperança! O último pensamento de Thor enquanto descansa em paz é que ele simplesmente fechará os olhos e seus pensamentos calarão. E, mesmo assim, diante do fim, o deus do trovão sabe que essa situação tem duração de um "por enquanto".

Por enquanto.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

THOR - Parte 145

- Thor 84 (Novembro de 2004)

Histórias:

* "Ragnarok, Part The Fifth" - Escrita por Michael Avon Oeming e Daniel Berman, desenhada por Andrea Di Vito

A Derrota de Loki.

Cego, Thor ainda passa por provações e adquire mais conhecimento e poder. Enforca-se da mesma forma que Odin quando se enforcou por nove dias e noites, sua alma vai parar no reino de Hela, a deusa da morte, mas é salvo pela de Odin, que o leva até uma espécie de Conselho de Deuses (algo como se fossem deuses dos deuses asgardianos). Mesmo com todos esses sacrifício, esse conselho trata Thor como se fosse um mero brinquedo e, irritando-se com essa postura, o deus do trovão utiliza os poderes das runas para voltar a Asgard.

Thor chega até os domínios do megalomaníaco Loki e derrota facilmente (e sozinho) seus exércitos. Ao conseguir botar as mãos em seu irmão, arranca-lhe a cabeça mas a mantém viva e consciente, apesar de pendurada em sua cintura. É uma espécie de castigo por todo mal que Loki causou. Durante muito tempo os dois estiveram ligados em uma infinidade de conflitos que só terminavam para iniciar de outra forma mais tarde. Esse longo percurso agora chegaria ao fim, com Thor carregando o contrariado irmão (ou melhor... a cabeça dele) para sua última jornada.

Continua...
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

THOR - Parte 144

- Thor 83 (Outubro de 2004)

Histórias:

* "Ragnarok, Part The Fourth" - Escrita por Michael Avon Oeming e Daniel Berman, desenhada por Andrea Di Vito

A Força Odin.

De fato, quando Bill Raio Beta, o alienígena que ganhou do próprio Odin poderes semelhantes ao de Thor, veio ajudar a derrotar as forças de Loki... ele não estava para brincadeira. Na fúria da batalha, Bill aniquila sem piedade o filho do vilão, o lobo Fenris, de uma vez por todas. E, agora que o que resta do reino dourado está sobre a proteção do alienígena, Thor consegue se recolher para tentar meditar sobre os últimos acontecimentos.

Todo o reino dourado destruído, a maioria de seus amigos e mesmo do povo asgardiano foi massacrado. Até mesmo o garotinho que Thor protegia (e praticamente adotou) encontra a morte nos campos de batalha. E é justamente uma aparição desse garotinho que interrompe a meditação do deus do trovão. Na verdade, o garoto revela que era a personificação da Força Odin, que abandonou Thor quando percebeu que ele poderia enlouquecer e se tornar um tirano no futuro.

O garoto-Força-Odin leva Thor até a árvore da vida, para que esse ofereça um sacrifício ao Poço de Mimir e adquira sabedoria para resolver a crise. Assim como seu pai, Odin, ofereceu um dos olhos para o Poço no passado, Thor também arranca-o de sua face e o joga em oferenda. Mas o Poço parece não se importar com um sacrifício apenas imitado ao de Odin. Ele quer mais. É então que Thor arranca seu outro olho e o Poço transborda com as águas da sabedoria.

Mesmo cego, o deus do trovão tem visões de seu passado, onde aparentemente encontra a resposta para o que está acontecendo. Respostas que mostram que diversas crises já se abateram sobre Asgard e sobre Thor. Momentos de dificuldade que parecem acontecer de tempos em tempos. Algo que só pode ser mudado com um sacrifício definitivo.

Continua...
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terça-feira, 17 de novembro de 2009

THOR - Parte 143

- Thor 82 (Agosto de 2004)

Histórias:

* "Ragnarok, Part The Third" - Escrita por Michael Avon Oeming e Daniel Berman, desenhada por Andrea Di Vito

O fim dos Três Guerreiros.

Fandral, Hogum, Volstagg... Os Três Guerreiros sempre foram os melhores coadjuvantes das aventuras do Thor. O curioso é que eles poucas vezes tiveram uma história que fosse focada em suas participações, o que talvez deixasse cada uma de suas aparições tão especiais. Mas, infelizmente, aqui eles encontram seu fim...

Pelas palavras de Volstagg... Fandral, o mais galanteador dos guerreiros, teve seu rosto arrancado e Hogum, o mais severo do trio, teve seu coração trespassado. Sim, restou apenas o engraçado e volumoso Volstagg, que agora se tornou uma figura dramática e... bem... o único sinal de que um dia ele foi volumoso está em suas roupas agora extremamente folgadas, cobrindo seu quase esquelético corpo (algo que não é novidade, já que John Romita Jr mostrou isso no início da fase em que o escritor Dan Jurgens escreveu as histórias do deus do trovão).

Acuado pelos ataques de Loki que, com sua embarcação voadora, espalhava a morte por todo o reino dourado, Volstagg se escondeu assustado na devastada terra dos elfos. Em choque pelos tempos de terror que passou, vendo seus amigos sendo mortos e tendo que enterrar a maioria do povo que procurou proteger, o ex-volumoso guerreiro é encontrado por Thor que percorre o seu reino, encontrando morte e destruição por onde passa. Thor também leva o misterioso garoto que ajudou, aparentemente adotando-o.

O grupo chega até as terras das guerreiras valquírias, que estão sendo massacradas pelos exércitos de Loki. Thor, mais contando com seus poderes como deus do trovão do que com os de seu destroçado martelo, ainda consegue fazer a diferença a batalha. Lady Sif, que auxilia as valquíria, faz o que pode, agora com apenas um braço.

Mas, uma ajuda inesperada irá mudar os rumos dessa guerra, dando uma incrível vantagem aos asgardianos. É a chegada de Bill Raio Beta, o alienígena que ganhou poderes semelhantes aos de Thor e está de volta para enfrentar furiosamente os inimigos.

Continua...
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

THOR - Parte 142

- Thor 81 (Agosto de 2004)

Histórias:

* "Ragnarok, Part The Second" - Escrita por Michael Avon Oeming e Daniel Berman, desenhada por Andrea Di Vito

A morte de Balder.

Thor, Capitão América e Homem de Ferro encontram Asgard devastada e os asgardianos mortos. Para se ter idéia da extensão da devastação, Homem de Ferro fica curioso sobre pedaços de uma estranha substância que cai como fuligem da batalha. Tratam-se dos pedaços da ponte arco-íris que também foi destruída.

Após avistarem a dantesca imagem dos asgardianos massacrados, o trio encontra os vilões ainda a espreita de Thor. A batalha é feroz e os vingadores ajudam como podem (afinal, Capitão e Homem de Ferro são mortais e estão lutando com vilões que são divindades). Mas Thor, furioso e apenas com um cotoco de martelo, os enfrenta com a fúria de um guerreiro viking. Com os punhos, consegue dar conta de Loki e Fenris, o lobo, dando-lhes uma sova capaz de intimidá-los. Após a fuga dos vilões, os três destroem um dos martelos criados por Loki (Thor utilizando o seu cotoco de martelo e os seus amigos cada um usando os punhos de ferro de Ulik).

Encontrando os asgardianos sobreviventes, os três descobrem, além de um garoto assustado, o corpo de Balder, que foi morto no meio da batalha. Isso não é bom sinal, uma vez que a morte do Bravo significa a vinda do Ragnarok, o fim dos deuses nórdicos. Prevendo o desastre, Thor envia Capitão América e Homem de Ferro de volta a Terra, já que esse é um assunto de seu povo. Povo que é convocado para a última batalha a ser deflagrada no reino dourado.

Continua...
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domingo, 15 de novembro de 2009

THOR - Parte 141

- Thor 80 (Agosto de 2004)

Histórias:

* "Ragnarok, Part The First" - Escrita por Michael Avon Oeming e Daniel Berman, desenhada por Andrea Di Vito

Ragnarok. (de novo). E o fim da revista do Thor. (de novo, também).

A última saga apresentada na revista do Thor tenta dar um fim ao personagem, fazendo parte da reformulação planejada ao personagens do grupo Vingadores (dentro da Saga Vingadores - A Queda), do qual o deus do trovão fazia parte. No entanto, essa saga pode ser lida independente das apresentadas nas revistas de seus colegas de grupo. Mas chega a ser tão independente que ignora diversos detalhes da cronologia do personagem. A própria participação dele nos Vingadores é uma delas. Na última vez que foram visto juntos, Thor, Homem de Ferro e Capitão América terminaram uma amizade de décadas... algo que foi reatado aqui sem muita explicação ou pedido de desculpas.

O escritor Michael Avon Oeming, apesar do brilhante trabalho de adaptação do Ragnarok, espécie de fim do mundo para os deuses nórdicos, parece pouco se importar com uma pesquisa das histórias passadas do personagem, fazendo uma espécie de resumão sem apegar-se a detalhes. O resultado é uma história que agrada o leitor pouco acostumado com o personagem, sendo digno até mesmo de figurar em uma edição encadernada, mas que irritaria um seguidor puritano dos quadrinhos ou algum fanático asgardiano.

Um destaque para essa fase é a arte do desenhista italiano Andrea Di Vito (sim, dO italianO... não se engane pelo nome... não é uma garota). Além do capricho necessário para desenhar paisagens e personagens típicos de Asgard (uma vez que a história se passa toda naquele ambiente), as cenas que apresenta ficam realmente empolgantes e chocam quando o roteiro pede isso. A visão que ele dá para a cidade dos elfos de Asgard em muito lembra a da trilogia cinematográfica "Senhor dos Anéis", algo que o próprio Oeming pode ter influenciado, uma vez que a obra é uma das claras influências dessa saga.

Segundo a lenda, Loki a muito procura pela forja mágica responsável pela criação do martelo encantado de Thor. Após muitos anos em que os anões responsáveis pela criação da arma tentaram escondê-la, Loki finalmente consegue colocar as mãos no artefato e o resultado é o início do fim dos deuses. O vilão cria não um, mas vários martelos encantados, tão poderosos quanto o de Thor, e os dá para seu exército (formado por antigos inimigos do deus do trovão). Dotado de tal poder de ataque, Loki destrói todo o reino dourado e a força da guerra de martelos mata vários asgardianos. Uma das baixas de guerra é Lady Sif, que não é morta, mas tem um dos braços decepados na força da batalha.

Thor vê, horrorizado, o ataque cruel de seu irmão, que é auxiliado, entre outros, pelo troll Ulik e pelo deus lobo Fenris (filho de Loki que, ironicamente, chega a chamar Thor de "tio"). No meio da batalha, o martelo encantado de Thor é despedaçado e o deus do trovão conta apenas com sua experiência como guerreiro para enfrentar os inimigos. No desespero da luta, Thor se teleporta para a Terra, onde convoca seus amigos vingadores, Homem de Ferro e Capitão América, para ajudar.

Continua...
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

THOR - Parte 140

- Thor: Son of Asgard 1 a 6 (Maio a Setembro de 2004)

Histórias:

* "The Warriors Teen: Parts 1 a 6" - Escrita por Akira Yoshida e desenhada por Greg Tocchini

Filho de Asgard.

Pra quem está cansado do clima sombrio da fase escrita por Dan Jurgens, essa série é uma boa pedida. E, não, dessa vez não existe radicalizações surpresa como a feita por Garth Ennis. Na verdade, trata-se de um roteiro até simplório. Três jovens amigos saem pelo mundo em busca de artefatos e enfrentam perigos fantásticos, além de descobrirem um pouco mais um sobre o outro, aumentando ainda mais seus laços de amizade. Tudo isso com direito a um final onde os três são peças importantes para derrotar o misterioso vilão que os segue durante o percurso. Sim, parece história de Sessão da Tarde... mas funciona perfeitamente no que se propõe.

A equipe criativa da série não podia ser mais incomum: o escritor japonês Akira Yoshida e o desenhista brasileiro Greg Tocchini (nome artístico de Eduardo Gregório), conseguem dar um ritmo cinematográfico a aventura, que mais parece um storyboard para longa metragem juvenil.

Os jovens abordados são Thor, Lady Sif e Balder, seguidos sorrateiramente por um igualmente jovem Loki. Os três amigos, que mostram os primeiros sinais de bravura, são incumbidos pelo próprio Odin para capturar quatro elementos mágicos, que formarão a essência de uma nova e indestrutível espada. No meio do caminho enfrentam dragões, duendes de gelo, criaturas da areia e monstros de pedra, além de descobrirem suas próprias diferenças de personalidade.

Thor tenta se destacar como o principal protagonista da história, e é justamente essa "arrogância" abordada entre os três. Ele não age exatamente como um príncipe, mas como o filho do rei que, por esse motivo, se vê no direito de ditar ordens e decidir os rumos a serem seguidos. Lady Sif tenta se destacar como a mais cabeça quente do grupo, tentando desfazer a imagem de donzela indefesa apenas por ser mulher. Balder é o amigo sensato, mas quase ingênuo, que tenta dar certo equilíbrio a mistura. Loki, por sua vez, tenta atrapalhar a missão do trio, mas esbarra em um problema bem maior do que qualquer um que ele poderia inflingir.

Ao final da odisséia em busca dos artefatos, os amigos retornam a Asgard, apenas para descobrirem um violento ataque por parte da bruxa Karnilla. Sendo a verdadeira vilã da história, Karnilla é mostrada como sendo uma personagem extremamente cruel, a ponto de rivalizar com a experiência de Odin. Essa imagem a distancia da mulher apaixonada por Balder (quando adulto), mostrando a verdadeira face de sua maldade.

E por falar em Balder, é ele quem oferece a própria vida para salvar a de (quem diria) Loki. Atitude que desequilibra a bruxa e a faz desistir de seu ataque (ou um gancho para que ela nutra sentimentos que se definirão no futuro como uma paixão doentia pelo jovem guerreiro). Com os quatro elementos colhidos, um milagre "romantizado" no final que salva a vida de Thor (gravemente ferido durante a batalha) e direito a um final festivo, vemos a tal espada sendo entregue ao bravo Balder, por ensinar a todos que, apesar da coragem e força dos asgardianos, é a compaixão que deve guiar um guerreiro em momentos de impasse.
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domingo, 8 de novembro de 2009

THOR - Parte 139

- Thor 75 a 79 (Maio a Julho de 2004)

Histórias:

* "Realization" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

* "Challenge" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

* "The Reckoning" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

* "Slipstream" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

* "Letting Go" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton
Deuses e Homens. O Final do Reinado de Thor na Terra do Futuro e de Dan Jurgens como escritor do título.

Esse negócio de futuro alternativo, viagens no tempo e versões sombrias tendem a sempre terminar de uma forma meio clichê. Não é algo novo, obviamente. Mas o que diferencia cada uma das obras que abordam esses assuntos é a forma como elas são conduzidas. Trata-se de um cuidado mais aprimorado do começo, do meio e do fim da história. E cada uma dessas partes merece uma atenção muito especial do autor.

Para alguns, o escritor Dan Jurgens se alongou demais em contar uma história que já foi contada em bem menos números. Mas não se tratava da história, e sim do rumo que ele daria para a revista do Thor. Desse ponto de vista, pode-se computar o saldo positivo de ótimos "contos", quando os imaginamos isoladamente. E lá se foram seis anos do trabalho de Jurgens em um título.

É revelado que Lady Sif não morreu na queda de Asgard. Ela foi banida por Thor e tem auxiliado Magni, o filho do deus do trovão, secretamente nos últimos anos. Magni, por sua vez, fica horrizado em saber que Thialfi foi morto ao tentar assassinar seu pai e que os revoltosos, liderados pela filha da Feiticeira Escarlate, Kya, serão enforcados em praça pública. O enforcamento acontece, mas Magni tem uma visão do espírito de Kya, que o leva até o martelo encantado. O jovem, bem mais consciencioso que seu pai, é digno o suficiente da arma e consegue empunhá-la assim como Thor fazia no passado. O problema é que o ressurgimento de alguém digno a levantá-lo faz com que Desak, o Assassino de Deuses, ressucite com a missão de matar os asgardianos.

Magni questiona seu pai sobre suas ações e pede para que ele prove sua nobreza... levantando o martelo. Thor, claro, não quer ser arriscar a passar essa vergonha e tenta se valer da Força Odin para provar que seu filho está errado. É nesse momento que Desak chega a Nova Asgard aniquilando todos os asgardianos. E não há uma cabeça asgardiana que permaneça presa aos respectivos corpos, nem mesmo carne asgardiana que permaneça seus ossos! Desak massacra tudo que encontra pela frente. Hogum, o severo, um dos três guerreiros, personagem coadjuvante importantíssimo desde as primeiras histórias do personagem, tem sua cabeça decepada e jogada para Thor!

A situação piora ainda mais quando Loki decide ajudar e enviar a armadura do Destruidor contra o Assassino. Para tanto, ele a preenche com a alma de Tarene, a designada. Loki sabia que a jovem seria responsável pela evolução da humanidade e queria impedir isso. O que não sabia era que, no futuro, Tarene se responsável pela criação Desak. Ele vê, então, horrorizado o Desak ocupar a armadura de Destruidor.

Desak e a Designada aniquilam os asgardianos restantes, sobrando apenas Thor, Magni, Lady Sif e Encantor. Tarene consegue, então, convencer Thor de que aquela situação só chegou aquele ponto graças aos seus atos desde a queda de Asgard. É então que o deus do trovão, Senhor de Nova Asgard, se despede de seu filho e esposa (e de Sif) e utiliza o equipamento de viagem no tempo de Zarrko. Com isso, retorna ao dia em que Asgard seria derrubada em Nova Iorque, impede a tragédia e une a alma de Jake Olson (que, naquele momento, ainda estava vivo) a sua versão passada e descontrolada, dando-lhe um pouco de humanidade e consciência para medir seus atos futuros.

O Thor daquele futuro, que não mais acontecerá, desaparece. Mas as memórias desse tempo ainda estão na mente do atual Thor, para que ele não cometa os mesmos erros.
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sábado, 7 de novembro de 2009

THOR - Parte 138

- Thor 73 e 74 (Março e Abril de 2004)

Histórias:

* "The Betrayed" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

* "Forever Branded" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Roger Robinson

O atentado contra Thor.

A ofensiva da resistência tem seu auge nesse desfecho de O Reinado e o desenhista Roger Robins dá um curioso tom mais sombrio na última história do arco.

Thor sonha com o dia em que enfrentou os heróis remanescentes da Terra quando estes invadiram seu castelo (em 2020). Faziam parte do ataque heróis como Doutor Estranho, Capitão América, Wolverine (adivinhe quem foi responsável por mutilar o braço de Thor?), Hulk e Coisa. Mas o que mais traumatizou o Senhor de Midgard foi a morte de seus ex-companheiros, graças ao emprego de sua própria Força Odin. O pesadelo, cheio de detalhes, mais parece um novo mau presságio para Thor.

De fato, há o ataque do grupo liderado pela filha da Feiticeira Escarlate, que serve apenas como distração para que o velocista Thialfi tente assassinar Thor, uma vez que este está enfraquecido devido a poção que tomou para o Sono Sagrado (este descanso periódico era usado por Odin para recuperar suas forças).

Apesar de Thialfi ter a vantagem da ajuda mística de Kya em lacrar o quarto de Thor, Encantor, esposa do Senhor de Midgard, também é versada nas artes da magia e consegue permitir que um gigantesco lobo mate Thialfi antes que ele ataque.

Enquanto isso, Magni resgata sua amiga mortal de um campo de recondicionamento, onde os revoltosos sofrem lobotomia para apoiar Asgard.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

THOR - Parte 137

- Thor 72 (Fevereiro de 2004)

Histórias:
* "Paradise Lost" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

O lado negro de Thor.

Interessante ver o quanto Thor ficou parecido, fisicamente, com Odin; o quanto Magni, seu filho, ficou parecido com ele, tanto no caráter quanto fisicamente, e o quanto os dois vivem brigando pela impetuosidade do filho em se meter em assuntos mortais. Igualzinho quando Odin e Thor batiam boca sobre os relacionamentos com mortais.

Os temores de Thialfi se tornam realidade quando ele questiona Thor sobre seu braço amputado e sobre o martelo perdido. Thor deixa a amizade de lado e mostra-se pouco a vontade diante dos questionamentos, proibindo Thialfi de tocar novamente no assunto.

Para destrair o velocista, o Senhor da Terra envia-o junto com seu exército para conter uma revolta na Espanha. Mas, dentre os guerreiros, está outro personagem que começa a questionar sobre os rumos que o Reinado está tomando: Magni, o filho de Thor. Tal qual Thor e Odin no passado, Magni vive entrando em conflito com o próprio pai devido a sua admiração excessiva pelos mortais.

Na Espanha, sobre os olhares e semblantes boquiabertos de outros asgardianos, Magni contém a explosão de um homem-bomba com o próprio corpo... e sobrevive. O episódio, no entanto, o deixa pensativo a respeito do quanto de ódio os mortais podem ter pelos asgardianos, ao invés da convivência pacífica que até então ele imaginava ter.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

THOR - Parte 136

- Thor 71 (Janeiro de 2004)

Histórias:

* "Undertow" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

O lado negro do Reinado.

Até agora, Thor mostrou todas as melhorias que fez pelo mundo. Mas... se o mundo está tão perfeito, pelo que a resistência luta afinal?

Kya, filha da Feiticeira Escarlate e líder da resistência, sequestra Thialfi afim de lhe mostrar o outro lado do Reinado de Thor, uma vez que, originalmente, o velocista era um mortal que foi adotado por asgardianos.

Utilizando sua supervelocidade, Thialfi descobre que o mundo perfeito de Thor também tem seus excluídos. Da mesma forma que o mundo parece ter dado um salto para a melhoria, proporcionalmente as desigualdades também se tornaram mais acentuadas. Porém, de quem é a culpa afinal? Thor aparentemente ofereceu um mundo melhor, apesar de ser pelas suas regras, e os excluídos simplesmentes parecem não ter aceito, ficando a margem do novo sistema. Thor teria causado isso, tirando-lhes a liberdade para decidir o futuro? Ou foram eles que simplesmente se entregaram ao lado marginal por acreditarem em um sistema antigo, no qual a miséria e a pobreza prevaleciam... mesmo que menos acentuadas.

A prova irrefutável de Kya está no esconderijo da resistência, onde o antigo martelo encantado jaz ao lado do que foi o corpo de Jake Olson. Se Thor é tão digno de ter melhorado o mundo, porque ele não consegue mais levantar o martelo? Thialfi começa a questionar sobre as ações de seu soberano.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

THOR - Parte 135

- Thor 69 e 70 (Novembro e Dezembro de 2003)

Histórias:

* "Earth 2170" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

* "Paradise" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

Thialfi: de ida para o futuro.

Os saltos no tempo, recurso utilizado por Jurgens, continuam. Dessa vez, vislumbramos como está o mundo de Thor no ano 2170.

Quando Asgard foi derrubada sobre Nova Iorque, o asgardiano Thialfi tentava deter o vilão futurista Zarrko de saltar no tempo, sem saber que ele estava tentando se salvar de uma situação que já sabia que aconteceria e vinha tentando avisar desde sua chegada. Asgard desabou e, aparentemente, os dois também morreram.

Porém, Thialfi foi transportado pelo aparelho de viagem do tempo de Zarrko até o ano de 2170, onde pôde ver como o mundo mudou após as mudanças impostas por Thor. Acidentalmente associado a uma mortal que leva a vida roubando pequenos mercados, o asgardiano velocista acaba sendo capturado e levado a Nova Asgard, onde reencontra um Thor aparentemente mais idoso, sem um dos olhos e um dos braços (o que aconteceu para ele ficar assim é uma das brincadeiras dos saltos no tempo, que deixam o leitor imaginar o que ocorreu até ali).

Thor, reconhecendo o velho amigo que julgava estar morto (na já citada explosão de Asgard sobre Nova Iorque, onde, agora, ficamos sabendo que vitimou Lady Sif), leva-o por uma viagem pelo mundo mostrando como acabou de vez com os conflitos, a miséria e a fome. Para surpresa de Thialfi, ele também explica que para conseguir esse intento, foi preciso acabar com certas religiões, afim de que essas terminassem com os conflitos regionais.

Outra mudança mostrada ao leitor (e não a Thialfi) é o surgimento do que parece ser um novo Thor. Trata-se de Magni, filho do deus do trovão com Encantor, que se tornou adulto e empunha um martelo encantado e um visual muito parecido com o herói do "passado". Magni, mostrando ser um jovem rebelde, apesar de honroso (tal qual seu pai foi nos tempos de herói), logo faz amizade com a jovem delinquente acompanhante de Thialfi e revela, entre outras coisas, sua antipatia para com o chefe de segurança, seu tio Loki.

Nos bastidores da história, vemos um grupo de resistência liderado pela filha da Feiticeira Escarlate (aquele bebê que nasceu em 2020... como viveu tanto é um mistério...). Esse grupo detém o martelo encantado original, que Thor deixou de ser digno de empunhar quando matou Jake Olson.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

THOR - Parte 134

- Thor 68 (Novembro de 2003)

Histórias:

* "Earth 2020" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Scot Eaton

Scot Eaton.

Um dos méritos dessa fase de Thor é que, enquanto o texto (e o rumo dos acontecimentos) mostra que o personagem está agindo de forma errada, praticamente ditatorial, os diálogos chegam a convencer de que ele está certo. O que tira essa certeza é o clima sombrio que ronda as histórias.
Aqui, Jurgens também utiliza o recurso de salto no tempo, em relação a edição anterior, mostrando o que está acontecendo no futuro. Isso deixa as respostas do que aconteceu desde o último acontecimento a cargo da imaginação do leitor. Por exemplo. Vemos uma Feiticeira Escarlate grávida. Quem é o pai? Vemos Loki com o manto do Doutor Estranho. Como ele o conseguiu? Sabemos que Stark (o Homem de Ferro) resistiu e foi capturado. O que aconteceu afinal? E para cada uma dessas questões, devido ao clima sombrio, não se pode imaginar respostas com finais felizes.

E Scot Eaton se firma como desenhista oficial da série, fazendo um trabalho mais convencional, porém com competência necessária para os "rococós" asgardianos.

No ano de 2020, a Terra praticamente está dominada pelo reinado de Thor e dos Asgardianos. Loki é o chefe de segurança e agora fiel súdito de seu irmão. No lugar da destruída Nova Iorque, agora temos Nova Asgard, que mescla a arquitetura dos deuses aos arranhacéus da Terra.

Os que não são asgardianos, no entanto, vivem como se fossem rebeldes em fuga. A doutora Jane Foster, antigo interesse amoroso de Thor (desde o surgimento do personagem, na década de 60), é uma espécie de capitã dessa resistência e tenta esconder o nascimento do filho da heroína Feiticeira Escarlate. O motivo é que todo nascimento deve ser catalogado, supostamente para que o controle asgardiano seja mantido.

Jane, após ser descoberta, é levada a Nova Asgard e revê um sorridente Thor, que justifica suas ações como uma forma de evitar a tragédia de Nova Iorque no passado. Mesmo tendo uma audiência em particular, a médica não revela o paradeiro da misteriosa criança ao deus do trovão. Ele então a deixa aos cuidados de Loki e Encantor (esta última, agora sua esposa), para ser interrogada a forma asgardiana.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

THOR - Parte 133

- Thor: Vikings 1 a 5 (Setembro de 2003 a Janeiro de 2004)

Histórias:

* "Endless Ocean" - Escrita por Garth Ennis e desenhada por Glenn Fabry

* "Kingdom of Iron" - Escrita por Garth Ennis e desenhada por Glenn Fabry

* "Time Like a River" - Escrita por Garth Ennis e desenhada por Glenn Fabry

* "Fight the Good Fight" - Escrita por Garth Ennis e desenhada por Glenn Fabry

* "See You In Valhalla" - Escrita por Garth Ennis e desenhada por Glenn Fabry

Marvel Max.

Pois bem... para espantar um pouco este clima pesado que anda rondando as histórias de Thor, nada como uma minissérie trazendo o bom e velho deus do trovão, agindo como herói e em seu uniforme clássico. Diversão garantida, despretensiosa e inocente.

Tá...

O único senão é um escritor irlândes insano conhecido como Garth Ennis. Ele ficou famoso por apresentar histórias com um alto índice de violência gráfica, escatologia, palavrões, heresias e outros exageros que proibiríam terminantemente qualquer mãe de comprar quadrinhos pros seus filhinhos. No entanto, o grau de sangue e tripas nas histórias de Ennis é tão alto...que chega a ser engraçado. E, para comportar tamanha carga, o trabalho de Ennis com Thor foi publicado no selo Max da Marvel, criado para histórias adultas utilizando os personagens da casa (nem sempre seguindo a cronologia atual). E, para a arte dessa minissérie, Ennis, que sempre conta com um elenco de artistas que fazem parte de sua panelinha, tem a presença de Glenn Fabry, mais conhecido como capista das revistas que o escritor participa.

Tudo começa com um erro até risível. Após ver sua aldeia massacrada por vikings, um sábio os condena a velejar por séculos sem encontrar seu destino. Mas a maldição acontece meio que literalmente, os vikings realmente velejam por séculos... e não morrem! Seus corpos apodrecem com o tempo, mas ainda assim eles continuam cientes da situação. Até o dia que encontram uma certa (e moderna) Nova Iorque. Ainda no espírito de saquear e matar, os vikings, que acabam se tornando indestrutíveis pelo feitiço, dominam a cidade sem que nem mesmo os heróis do grupo Vingadores conseguem detê-los. Até mesmo Thor quebra vários ossos do próprio corpo ao tentar atingi-los.

Inesperadamente, para ajudar o deus do trovão, surge o herói místico Doutor Estranho. Nota: numa versão bem Garth Ennis, o Estranho aqui apresentado tem um grau de deboche que ofende mais do que qualquer espada viking na carne de um simples mortal. Para solucionar o problema, o mago supremo resgata do passado os descendentes do sábio do vilarejo: uma mulher truculenta que sonha em ser uma guerreira, um cavaleiro teutônico ensandecido e sanguinário e um aviador alemão da época da Segunda Grande Guerra (já que o sábio pertencia as terras que, no futuro, seriam a Alemanha).

Acompanhado do inusitado trio, Thor tem força para investir novamente contra o líder dos vikings. No entanto, não é uma batalha fácil, sobrando muitos ossos e sangue dos heróis pelo caminho. Até que Thor, com um soco, consegue mandar o líder viking para o espaço.

Aparentemente, acaba se tornando uma história bonitinha com final feliz. Surge uma grande ameaça, são feitas amizades em um grupo com integrantes que não tem nada em comum e eles, juntos, conseguem derrotar o vilão heróicamente (destaque para o aviador alemão, que age como um herói de cinema americano).

Mas eu disse "aparentemente". Garth Ennis não daria um final feliz ao leitor assim de graça. Nas últimas páginas, o grupo se despede emocionado e cada qual volta para o seu tempo. Thor, que fica no presente, sabe que aqueles bravos guerreiros um dia se verão novamente no Valhalla, para onde vão os corajosos guerreiros mortos em batalha. É então que Ennis dá um jeitinho de presenteá-los ao pé da letra dessa regra, mostrando que, cada qual em seu tempo, teve uma morte horrível em batalha. Decapitados. Empalados. Explodidos. Mas, enfim, todos mortos em batalha... e se encontrando felizes (e mortos) no paraíso dos guerreiros conhecido como Valhalla.

Doa a quem doer.
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domingo, 1 de novembro de 2009

THOR - Parte 132

- Thor 66 e 67 (Setembro e Outubro de 2003)

Histórias:

* "Cometh the End" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Tom Mandrake

* "The Gates of Hell" - Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Max Fiumara

A Queda de Asgard (literalmente falando...)

O fim da saga Espiral. Dan Jurgens decide dar um ponto final na enrolação e colocar um ponto final na saga que mostra um Thor fora de controle. Não que essa fase não tenha rendido contos interessantes e temáticas idem. Mas, verdade seja dita, a coisa vinha se esticando por tempo mais que suficiente. E apesar de haverem vários contos isolados mostrando os bastidores das histórias, o fato de desenhistas diversos estarem se revezando incomodava um pouco, talvez pelo fato de cada um deles ter um estilo muito diferenciado. Antigamente, a troca constante de desenhistas sinalizava que a revista não ia muito bem e não se decidia por uma arte "oficial" do título. No entanto, neste caso a troca funcionou e tornou a experiência até mais curiosa. O senão fica por conta da arte de Max Fiumara, no final, que, apesar de ter lá sua competência para um título que não fosse de super-herói (apesar de Thor quase ter se tornado isso), tira um pouco do impacto necessário para o desfecho. Nas mãos de um Joe Bennett, por exemplo, talvez a coisa tivesse tomado proporções ainda mais marcantes.

Uma espécie de conselho mundial (algo como um "governo das sombras"), decide a investida final contra Thor e os asgardianos. Em uma ilha isolada, usada para testes nucleares no passado, novamente vemos um encontro entre o deus do trovão e o representante do Vaticano (se é que, na altura do campeonato, ele fosse realmente do Vaticano...). Ainda tentando dialogar com Thor, justificando as ações do deus do trovão perante os dogmas da religião, o que só complicou com a desastrosa experiência de trazer uma garota de volta a vida. Como a conversa não dá melhores resultados, o padre decide por uma solução inusitada. Além de, para surpresa de Thor, trazer a garota "sem alma" com ele, aciona um dispositivo que detona uma ogiva nuclear na ilha, sacrificando-se e, aparentemente, destruindo o deus do trovão.

Enquanto isso, em Asgard, um poderosos exército, armado com teletransportadores, armas e bombas com a tecnologia latveriana, invade a cidade e começa a massacrar todos os asgardianos. É claro que não são páreos para os "deuses" de Asgard, mas conseguem causar danos mais do que o suficiente. É bom frisar que, apesar da tecnologia utilizada pertencer a Latvéria, terra do Doutor Destino, o vilão não está diretamente ligado a esse ataque. Ele pode, sim, ter muito interesse no assunto, uma vez que Thor praticamente está dominando um mundo que Destino tenciona um dia conquistar. Mas o estrago que ele "financia" tem muito mais efeito.

Devido aos ataques e as bombas estrategicamente instaladas, o impensável acontece. Asgard é detonada e seus destroços começam a cair do céu, fazendo com que a cidade dourada litaralmente desabe sobre Nova Iorque. Apesar do resultado catastrófico se mostrar um tanto óbvio, o texto lança a dúvida se esse não foi um erro não previsto pelos organizadores do ataque. Nesse ponto, há uma discreta crítica de Jurgens a política mundial, algo como questionar se o próprio governo americano não teria sua parcela de culpa em atos terroristas acontecidos em seu próprio solo.

Thor sobrevive a explosão nuclear, elimina o conselho que arquitetou o ataque, mas chega a Nova Iorque tarde demais, vendo Asgard destruída. O paramédico Jake Olson, que já dividiu a identidade com Thor no passado, vendo a fúria descontrolada do deus do trovão, decide tomar o martelo encantado e tentar detê-lo. Thor, em sua fúria, acaba matando Jake a sangue frio. Porém, este ato impensado tem um resultado que mudará o futuro do personagem. Ao tentar pegar seu martelo caído ao lado do corpo de Jake... Thor não consegue levantá-lo. O motivo: a inscrição da arma que diz que só AQUELE QUE É DIGNO é capaz de erguer o martelo e possuir o poder de Thor. E, apesar de possuir a Força Odin, Thor perdeu essa dignidade e não mais consegue levantá-lo.

No final, aparentemente o deus do trovão, mais furioso ainda, destrói o resto da cidade... ou os escombros do que ainda restam dela.

Continua?
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