segunda-feira, 31 de agosto de 2009

THOR - Parte 70

- DC Versus Marvel / Marvel Versus DC (Fevereiro de 1996 a Maio de 1996)

Histórias:

* "Round One" - Escrita por Ron Marz e Peter David; desenhada por Claudio Castellini e Dan Jurgens

* "Round Two" - Escrita por Ron Marz e Peter David; desenhada por Claudio Castellini e Dan Jurgens

* "Round Three" - Escrita por Ron Marz e Peter David; desenhada por Claudio Castellini e Dan Jurgens

* "Round Four" - Escrita por Ron Marz e Peter David; dsenhada por Claudio Castellini e Dan Jurgens

Marvel Versus DC

Imagine Homem Aranha e Super-Homem. Ambos são super-heróis. Até aí, todos sabem. O que acontece é que cada um desses personagens pertencem a mundos diferentes. Ou melhor, universos diferentes. Para descomplicar, basta entender que cada um desses personagens são publicados por editoras diferentes, empresas diferentes. E, obviamente, por terem cada uma delas personagens tão famosos, essas duas editoras, respectivamente a Marvel e a DC Comics, eram as principais rivais no mercado dos quadrinhos. A "audiência" do público leitor sempre foi acirradamente disputada por ambas, de modo que um encontro entre os seus personagens, algo que parecia impossível devido a rivalidade entre elas, era algo que o leitor via como um evento especial.

Mas chegaram os anos noventa. Grandes escritores e artistas que fizeram seus nomes dentro dessas editoras acharam por bem continuar suas carreiras como empreendedores. E assim surgiram diversas novas editoras que davam maior liberdade criativa para seus artistas... e muita dor de cabeça para a concorrência. Diante desse cenário, as duas maiores concorrentes no mercado foram deixando pouco a pouco sua rivalidade de lado e, cada vez mais, mostrando encontros entre seus principais personagens, afim de arrebatar o público de seus novos rivais. E esse movimento teve seu ápice com um encontro de todos os principais personagens em uma única minissérie.

Marvel Versus DC / DC Versus Marvel aconteceu em 4 edições, não só mostrando o encontro entre esses personagens mas escritas e desenhadas por profissionais de ambas as edtoras. E, para tornar a coisa toda um evento ultramídia, as batalhas entre os heróis e anti-heróis ainda eram decididas pelo público, que opinava cada qual com sua preferência. Nerd, porém funcional.

Thor enfrentou o personagem da DC que também invocava o trovão em suas transformações... o Capitão Marvel (nome curioso... porém trata-se do personagem que grita SHAZAM para se transformar... lembra?). Uma luta coerente, pois além de ter o trovão como símbolo, Marvel ainda tinha superforça capaz de rivalizar com o deus do trovão.

Na batalha, apesar da destruição perpetrada, Thor acaba vencendo o herói da DC por um movimento tático. Para escapar dos destroços, Capitão Marvel grita SHAZAM e volta a se transformar no garoto Billy Batson. Como o corpo do menino era menor do que o do herói, isso permitiria sair de onde estava preso. Porém, ao gritar a palavra mágica novamente para se transformar no herói e voltar a luta, um raio desce até o garoto... e, como Thor é o deus do raio, trovão e tempestade... consegue facilmente controlar a direção do rajada e desacordar Billy.
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domingo, 30 de agosto de 2009

THOR - Parte 69

- Thor 491 a 494 (Outubro de 1995 a Janeiro de 1996)

Histórias:

* "Nailed Up" - Escrita por Warren Ellis e desenhada por Mike Deodato Jr

* "Run Through" - Escrita por Warren Ellis e desenhada por Mike Deodato Jr

* "Run Down" - Escrita por Warren Ellis e desenhada por Mike Deodato Jr

* "Finished Off" - Escrita por Warren Ellis e dsenhada por Mike Deodato Jr
Warren Ellis e Mike Deodato Jr.

Comparado a meses de arte regular, a entrada do desenhista Mike Deodato Jr (nome artístico do paraíbano - sim, um brasileiro - Deodato Taumaturgo Borge Filho) foi um deslumbre para os olhos. Ainda assim, sua arte seguia maneirismos dos desenhistas noventistas, que insistiam em copiar uns aos outros e principalmente a arte exageradamente explosiva da então jovem editora Image (com destaque para desenhistas como Jim Lee e congêneres).

Mas não bastava melhorar radicalmente a arte. Se fosse apenas isso, a Marvel estaria dando apenas mais um passo... iguais aos que tantas revistas e editoras concorrentes estavam dando naquela época. Para, digamos, chocar ainda mais o leitor, foi convocado o escritor britânico Warren Ellis que, com seu estilo ousado e inesperado, traz uma história em um clima tão bizarro que consegue balancear o deslumbre com a arte de Deodato.

Logo de início, sem sabermos maiores detalhes (o mistério é a arma de Ellis), vemos Thor moribundo, morrendo de uma doença desconhecida e desprezado por Odin. A única pessoa capaz de lhe dar algum auxílio é outra asgardiana exilada na Terra, Encantor. Os dois, inclusive, acertam suas contas com o passado e iniciam um romance aparentemente sincero, sem que a feiticeira asgardiana esteje usando suas habilidades sedutoras.

A partir dessa linha, não há muita batalha entre vilões e heróis como se era esperado (afinal, além de super-herói, Thor é um guerreiro). O caminho que Ellis segue não é apenas o velho clichê do bem contra o mal (ou do bem socando o mal), mas... da compreensão. Thor e Encantor até mesmo esperam encontrar algum conhecido vilão por trás de tudo o que está acontecendo... mas encontram apenas... um velhinho... chamado Price.

Para auxiliar na compreensão da história, paralelamente o leitor acompanha o mistério através das investigações de Curazon, um detitive britânico absurdamente folgado e que pode ser entendido como uma espécie de representação do escritor dentro da história (seu alter-ego). Curazon pesquisa as lendas nórdicas e descobre um pouco mais sobre a árvore Yggdrasil que, segudo o mito, é a base de toda a existência, terrena ou asgardiana.

Price havia tido visões sobre essa árvore e decidiu manipulá-la. Segundo as lendas, Yggdrasil criaria uma nova raça depois que toda a humanidade fosse destruída pelo Ragnarok (o apocalipse para os nórdicos). Ao usar seus conhecimentos tecnológico, o mau velhinho fez com que a árvore acreditasse que o mundo havia acabado. Isso explica o estado debilitado de Thor, já que, pelas lendas, ele teria que morrer no fim dos tempos. Agora... como um simples velhinho conseguiu tanto conhecimento? É aí que o lado bizarro de Ellis entra em ação. As visões que teve aconteceram graças a ingestão de uma espécie de cogumelo que era usado pelos vikings (povo que acreditava nos deuses nórdicos) para ficarem "alucinados" durante as batalhas.

Ellis, não satisfeito, ainda nos conta mais um detalhe assustador em seu personagem incomum... Price descobre que pode-se adquirir conhecimento através da ingestão de alimentos. Ora, se ingerisse um pedaço de Yggdrasil, conseguiria conhecimentos sobre a existência. Seguindo por esse caminho, o velhinho tornou-se canibal (!!!!) para adqurir conhecimento da pessoa devorada. Bizarro? Pois ele ainda conta que a primeira vítima de sua nova "dieta" foi ninguém menos do que... sua esposa!

Esse é Warren Ellis...
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sábado, 29 de agosto de 2009

THOR - Parte 68

- What If? 66 (Outubro de 1994)

Histórias:

* "What If... Rogue Possessed The Power of Thor" - Escrita por Simon Furman e desenhada por John Royle

O que aconteceria se... Vampira possuísse o poder de Thor?

A série "O que aconteceria se..." fez muito sucesso por permitir acontecimentos que fossem diferentes dos que apareciam nas revistas mensais. Dessa forma, era possível, por exemplo, ler uma história sobre a morte de um herói sem que ela realmente acontecesse. Mostrava rumos alternativos que uma história "poderia" tomar caso decisões de última hora fossem tomadas dentro de uma história já contada.

Servia também como exercício criativo para escritores e desenhistas mostrarem seu talento sem que a editora tivesse a obrigação de manter essa equipe mensalmente. Nesse sentido, era como um cartão de apresentação aos leitores. Se o talento envolvido agradasse... era sinal que poderia muito bem se repensar em contratá-lo. No caso dessa edição, a história foi escrita por Simon Furman, que ficou mais conhecido por dar origem e continuidade aos robôs Transformers.

A primeira aparição da personagem Vampira (futura x-man), ocorreu em um especial da revista dos Vingadores, que hoje é considerado um clássico. Nela, a personagem é apresentada como vilã, integrante do grupo Irmandade de Mutantes, uma das versões da equipe de mutantes liderada por Magneto, aqui liderada pela vilã Mística. Nesta história, o ponto mais dramático é quando Vampira rouba os poderes da heroína Miss Marvel, só que de forma mais permanente já que se permite mais tempo absorvendo as capacidades dela. E é aqui que a série alternativa toma um rumo diferente...
Vampira repete a absorção completa de poderes (e memórias) também com Thor. A assimilação a esses poderes é tão completa que a (então) vilã consegue até mesmo levantar o martelo encantado, algo que apenas alguém digno dessa tarefa seria capaz. Vampira, dessa forma, mostra que não só absorveu os poderes e as memórias, mas também a essência divina de Thor. O corpo do deus do trovão, por sua vez, começa a apodrecer rapidamente e o leva a morte, já que sua "alma" foi arrancada dele.

Como é comum na série, histórias com rumos diferentes acabam tomando uma direção mais trágica que sua original. Quase enlouquecida devido ao enorme poder adquirido, Vampira acaba causando uma briga entre seus parceiros da Irmandade de Mutantes e a batalha acaba explodindo a nave onde estavam. Devido ao poder de Thor (e a invulnerabilidade de Miss Marvel), Vampira é a única sobrevivente.

Desolada e confusa, a mutante é acolhida por... Loki, o meio-irmão e principal inimigo deThor. A intenção do vilão é utilizar os poderes da desorientada Vampira para conquistar Asgard. Seu plano apenas não dá certo porque, ao ordenar que Vampira ataque Odin (pai de Thor), não previu que a garota percebesse que estava do lado errado devido ao seu sentimento de família (ela considerava, por exemplo, Mística como sendo sua mãe). Algo que também contribuiu para a decisão de Vampira foi a influência do caráter de Thor (graças as memórias que absorveu do herói), o que a fezperceber que devia usar suas habilidades para o bem.

Com Loki derrotado, Vampira é aceita por Odin como se fosse uma filha e ela passa a atuar como a "nova" Thor.

No final, tudo se mostra apenas como sendo um futuro alternativo previsto por Sina, integrante da Irmandade de Mutantes capaz de prever possíveis acontecimentos ainda não ocorridos. E pelo, que sabemos, esse futuro alternativo realmente nunca aconteceu...
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

THOR - Parte 67

- Thor 472 a 475 (Março a Junho de 1994)

Histórias:

* "...If Twilight Falls" - Escrita por Roy Thomas e desenhada por M.C. Wyman

* "New Gods For Old" - Escrita por Roy Thomas e desenhada por M.C. Wyman

* "When Mountains Walked!" - Escrita por Roy Thomas e desenhada por Sandu Florea

* "Survival of the Fiercest" - Escrita por Roy Thomas e desenhada por M.C. Wyman

Roy Thomas.
A principal característica de um universo de personagens de super-heróis é sua coerência, sua continuidade. Ações mostradas em revistas publicadas dez anos atrás ainda podem mostrar consequências em histórias que serão publicadas dez anos no futuro. É claro que essa regra dança conforme a música dos editores e de suas estratégias para manter o interesse do público em um específico personagem durantes décadas. A Marvel, de certa forma, foi uma das principais editoras a consolidar esse tipo de continuidade e referência, algo que foi seguido por outras editoras. Mas nem sempre foi assim...

No início, a Marvel publicava as histórias de seus heróis, sendo que cada uma não mostrava exatamente uma continuidade. Existiam, sim, detalhes que passavam de uma história a outra, mostrando inclusive como os personagens evoluíam (ou como os escritores e desenhistas iam ajustando conforme a aceitação dos leitores), mas era possível ler qualquer história isoladamente, sem necessariamente saber o que aconteceu antes.

Um dos principais responsáveis por dar rumo a essa bagunça foi Roy Thomas. Nos anos 60, ainda jovem, Thomas era uma espécie de enciclopédia de super heróis, daqueles que sabem detalhes como quantos quilos um herói pode levantar, qual a velocidade máxima ele pode alcançar voando ou mesmo qual o nome do pedestre que ele salvou de ser atropelado.
Os roteiros de Roy Thomas, apesar de competentes, não eram exatamente um trabalho que merecesse atenção maior por parte da mídia especializada. E por um motivo muito simples: ele era o modelo padrão, a base de como uma história com super heróis deve ser. Ou seja, mesmo seus trabalhos menores não podiam ser considerados abaixo da média... porque a média entre uma história boa ou ruim era medida justamente pelo seu trabalho.

Uma característica interessante o diferenciava dos demais escritores de sua época (década de 60). Ele não era datado. Enquanto outros autores, considerados "mestres", não faziam os olhos dos leitores brilhar como antigamente (e até Stan Lee tentou um retorno nos anos 90), Thomas conseguia manter a qualidade de suas histórias simplesmente por não almejar criar nenhuma obra prima. Escrevia com competência... e pronto!

Talvez o fato de escrever Thor em plenos anos 90 causasse certa estranheza aos leitores no começo. Afinal, era a época das histórias da editora Image, de todos os desenhistas tentarem copiar o artista Jim Lee (estrela daquela década) e mostrar heróis se esquartejarem de tanto se bater, sem que necessariamente houvesse um história a ser contada. Mas Thomas fez o que Thomas sabia fazer melhor...

Ainda usando seu grande conhecimento sobre o universo e a carreira de cada herói, Thomas trouxe de volta o personagem Alto Evolucionário e, de cara, já escreveu uma saga que seria a continuidade das maquinações desse complexo personagem.
E, para não dizer que Thomas era apenas um saudosista, juntamente ao desenhista M.C. Wyman, sua saga acaba desenbocando em um novo visual do poderoso Thor. Nada muito radical, sem mudanças de identidade ou poderes. Apenas adaptou-o para a época. E, como já disse, por não ser um saudosista, esse escritor dos anos 60 ainda conseguia manter a atenção dos leitores com suas histórias simples... porém competentes.
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THOR - Parte 66

- Spider-Man 2099 15 e 16 (Janeiro e Fevereiro de 1994)

Histórias:

* "Fall of the Hammer Prelude: The Rise of the Hammer" - Escrita por Peter David e desenhada por Rick Leonardi

* "Fall of the Hammer 1: The Hammer Strikes" - Escrita por Peter David e Rick Leonardi

Thor 2099.

O Universo 2099 foi uma linha de revistas que mostrava como seria o universo Marvel em um futuro dominado por corporações (onde a desigualdade social era mais acentuada) e como seriam seus heróis nessa época. Mais do que simplesmente apresentar versões futuristas dos personagens, essa linha pegava apenas o nome de personagens do passado e o aplicava em novos personagens do futuro. Isso fazia com que a única coisa em comum dessas versões fossem o conceito, a representatividade do herói e não exatamente seus poderes. Apesar da idéia ousada, essa linha de revistas fez sucesso acima do esperado e arrebatou muitos fãs. Boa parte do planejamento desse sucesso deve-se ao escritor Peter David, autor do principal título, Homem Aranha 2099.

Nas páginas desse novo Homem Aranha, surgiu também o Thor 2099... ou alguém que acharia que era o Thor em 2099. Acontece que, no futuro, a existência de deuses asgardianos faria com que surgissem fiéis a ponto de se formar uma religião seguidora deles. Esses fiéis eram conhecidos como thoretes. Aproveitando a adoração por parte desses seguidores, dando a idéia de que era a religião que mais se ampliava naquele período, o vilão Avatarr organizou a criação de uma cidadela futurista flutuante (uma imitação de Asgard) e concedeu, com a tecnologia do futuro, "poderes" para pessoas escolhidas e manipuladas a pensarem serem encarnações dos antigos deuse nórdicos.

Dentre essas pessoas que ganharam poderes, havia também um reverendo que foi levado a acreditar que era Thor. Essa versão, no entanto, talvez por estar sendo manipulada, mostrava-se não só mais arrogante, mas extremamente violento em comparação ao herói do passado.

Como tudo no Universo 2099 era mais conceitual do que visual, não eram apenas batalhas entre vilões e heróis que dominavam o roteiro das histórias. Como pano de fundo para esse minissaga que apresentou a versão de Thor, podemos identificar a intenção crítica em citar o que representam as religiões hoje em dia, além do fanatismo por parte de alguns seguidores e a manipulação por parte daqueles que se julgam acima dos "mortais".
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

THOR - Parte 65

- Infinity Crusade 1 a 6 (Junho a Novembro de 1993)

Histórias:

* "Epiphany" - Escrita por Jim Starlin e desenhada por Ron Lim

* "Enlightenment" - Escrita por Jim Starlin e desenhada por Ron Lim

* "The Damned" - Escrita por Jim Starlin e desenhada por Ron Lim
* "Mortal Sins" - Escrita por Jim Starlin e desenhada por Ron Lim

* "Holy War" - Escrita por Jim Starlin e desenhada por Ron Lim

* "Rapture" - Escrita por Jim Starlin e desenhada por Ron Lim

Cruzada Infinita.

Por isso Jim Starlin estava envolvido...

Cruzada Infinita foi uma mega saga criada pela Marvel, envolvendo praticamente todos os personagens da editora e com reflexos em todas as revistas que publicava. Na verdade era a terceira parte de uma trilogia de sagas cósmicas criadas pelo escritor Jim Starlin.

Nessa última parte da trilogia (apesar do tema ainda ser lembrado futuramente...), a parte boa do personagem Warlock se desprende de seu espírito e decide acabar com todo o mal no Universo... de um a forma um tanto quanto radical. A intenção era escravizar mentalmente todos que tinham fé no bem (de diversas formas e religiões) para formar seu exército particular, formado por heróis que a defenderiam enquanto manipulava forças capazes de realizar seu intento. Dessa forma metade dos heróis da Marvel foram, de certa forma, hipnotizados para enfrentar seus parceiros "de pouca fé". O principal indício de que foram dominados estava no fato de se tornarem sanguinários aos tentar defender sua mestra. Capitão América, por exemplo, jamais iria matar um inimigo com seu escudo como é mostrado aqui.

O intento da Deusa (como é chamada a parte boa de Warlock) era implodir todo o Sistema Solar e levar o resto do Universo junto. As chamas que consumiriam todos os planetas era visto por ela como purificadoras e exterminariam todo o mal. Na verdade exterminaria toda a existência... logo, nem o mal sobreviveria.

A certo ponto da saga, essa intenção coloca os heróis em dúvida. Afinal, alguém que elimina todo o mal do Universo com um pensamento não pode ser considerada uma vilã. Essa linha de pensamento não é tão aprofundada como se pensa e a pancadaria toma lugar da filosofia.

Thor, que já não se achava em uma boa fase devido a suas dúvidas existenciais recentes, é a uma vítima fácil de ser manipulada. Com sua mente dominada, torna-se um dos principais trunfos da Deusa pra defesa de seu planeta e acaba enfrentando pesos pesados como Drax, o destruidor, e o Hulk.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

THOR - Parte 64

- Thor 460 (Março de 1993)

Histórias:

* "Fragments" - Escrita por Ron Marz e Jim Starlin e desenhada por Bruce Zick

Primeira história de Ron Marz.

Por seu trabalho de reformulação com outro personagem, de outra editora, o Lanterna Verde, Ron Marz até que pode ser considerado um escritor para histórias no estilo "cósmico" (aventuras espaciais com criaturas dos mais diversos formatos e poderes). Não chega a ser um Jim Starlin, mesmo porque este não era apenas um especialista nesse gênero... mas parecia fissurado por ele. Curiosamente, é justamente Starlin quem ajuda Marz nessa nova fase da revista, principalmente por ela passar pela mega saga (cósmica, aliás) chamada Cruzada Infinita.

E quem disse que super herói não fica estressado? Devido as últimas mudanças (graças aos roteiros de Tom DeFalco), Thor encontra-se em um momento que mistura desorientação e fúria. Foram tantas reviravoltas que o deus do trovão já não se identifica, não sabe o que quer de sua vida (imortal) afinal. Esse "abalo" é percebido por Odin, que o envia para uma espécie de viagem pelo Universo (daí o lado cósmico), onde o herói é acompanhado por uma guerreira valquíria que, misteriosa, o tempo todo tenta seduzi-lo.

Vale aqui notar a arte de Bruce Zick, desenhista desconhecido do grande público por ter seu trabalho publicado apenas no circuito alternativo dos quadrinhos americanos. Zick tem uma arte que causa estranheza aos desavisados, porém, com o tempo, nota-se um lado bom e outro ruim nisso.
O lado bom da arte de Bruce Zick, primeiramente, está nos grandes quadros, principalmente os de pagina dupla, onde ele mostra detalhes de paisagens fantásticas. Nada que possa ser considerado perfeito, mas a criatividade envolvida acaba enchendo os olhos de uma forma ou de outra. Outro detalhe positivo de sua arte é o ar de "loucura" na face do poderoso Thor, que consegue transmitir toda fúria desorientada pelo qual o herói passa. Nesse sentido, a arte é ideal ao roteiro de Marz.

Já o lado ruim... está justamente ligado a esse detalhe do rosto transtornado de Thor. O problema é que isso não ocorre apenas com o herói principal, mas dá a impressão de que todo mundo está enlouquecido. São semblantes raivosos que dão a impressão de que cada personagem irá espumar pela boca a qualquer momento.

Mas não deixa de ser uma fase peculiar de Thor, onde ele tenta entender o que foi feito dele mesmo... algo que só os editores e escritores poderiam responder. Ou será que não?
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domingo, 23 de agosto de 2009

THOR - Parte 63

- Thor 459 (Fevereiro de 1993)

Histórias:

* "What Price Victory?" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Última história de Tom DeFalco e Ron Frenz.

Foram muitas mudanças de visual, uniforme, identidades, poderes... Mas pode-se dizer que o saldo da dupla DeFalco e Frenz foi positivo. Se assim não fosse, não teriam ficado tanto tempo no título. Há quem diga que isto não é exatamente um mérito e sim falta de tato editorial, daqueles que teimam em deixar uma revista do jeito que está, principalmente em uma editora sem problemas de verbas como a Marvel. No entanto, a situação não é bem assim...

As mudanças propostas pela dupla, de certa forma num espaço curto considerando a quantidade delas, foram justamente reflexo de um ajuste para chamar a atenção do leitor e, assim, justificar a continuidade da revista com... lucro. Nos anos 90, a Marvel passou por um período turbulento que quase a levou a falência anos depois e a quantidade de títulos, mudanças, capas especiais e sagas eram o reflexo desesperado dessa situação. O mercado de quadrinhos como um todo, e não só na Marvel, agia dessa forma. DeFalco adequou-se a esse desafio com mudanças que ofendiam menos a inteligência do leitor do que as idéias de outros escritores (ou editores). O interessante foi acompanhar a arte de Frenz que, claramente, flertava com os traços de John Buscema e Jack Kirby, já considerados lendas dos quadrinhos e que tiveram importante participação no desenvolvimento do personagem Thor.

Na história de despedida da dupla, vemos como eles de desfazem de sua principal criação no título: Eric Masterson. O engenheiro havia assumido a identidade de Thor por um bom período, mas só havia lugar para um deus do trovão. A batalha decisiva, um previsível "Thor versus Thor", acontece na derradeira edição da equipe de criação.

Enganado pela deusa Encantor, Eric Masterson enfrenta Thor em Asgard. Com poderes equivalentes, a dupla destrói tudo em seu caminho até a cena decisiva em que um deles precisa alcançar o martelo para se garantir como detentor do poder de deus do trovão. O Thor original acaba levando a melhor e Eric sai de cena em tom de tristeza...

Odin, em sua grande benevolência e sabendo do valor de Eric como um guerreiro (apesar de meio atrapalhado, foi capaz de ir até o Inferno em busca da alma de Thor), acaba fazendo uma pequena surpresa para o mortal. Quando este bate pela última vez o cajado no chão... novamente se transforma em sua versão do Thor. Mas, ao invés de um martelo, ele agora carrega uma espécie de maça encantada, onde se vê a inscrição Thunderstrike, nome este que será usado por Eric nas aventuras futuras, bem como seu visual será diferenciado do deus do trovão.

DeFalco e Frenz assim se despedem da revista do Thor, não deixando sua criação desamparada e esquecida, mas com um novo horizonte de aventuras.
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THOR - Parte 62

- Thor 457 (Janeiro de 1993)

Histórias:
* "Final Gauntlet" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

A volta do poderoso Thor, o original.

Foram meses e mais meses em que Eric Masterson assumiu o poder de Thor. Nessa época, a maior diferença encontrada nas histórias do personagem foi a fala dele, uma de suas marcas registradas. Há quem não goste muito da fala "empolada" de Thor, cheia de "tu" e "vós" e essa, talvez, seja a característica mais marcante no deus do trovão entre leitores e não-leitores dos seus quadrinhos.

Eric Masterson, quando se transformava em Thor, apenas ganhava o poder o herói, mantendo sua própria personalidade. Com isso, os leitores viam um Thor falando coloquialmente, utilizando gírias, fazendo gracinhas. Chegava até mesmo a parecer (e rivalizar) com o Homem-Aranha, outro herói da Marvel que usava falas descontraídas para enfrentar seus inimigos.

O espírito guerreiro de Thor também não estava mais presente. O Thor original sentia prazer em enfrentar ameaças, típico de um guerreiro asgardiano. Eric Masterson não chegava a ser exatamente covarde, mas se mostrava surpreso com os inimigos que surgiam a sua frente. Em sua fase, no lugar do espírito guerreiro, foi utilizado o drama da vida pessoal do engenheiro, reflexo da perda da guarda de seu filho. Essa situação levava Eric, como Thor, a agir descontar a fúria nos vilões, a ponto até mesmo de se descontrolar. Mas a falta de experiência era evidente e incomodava outros heróis como, por exemplo, seus colegas do grupo Vingadores.

Mas... onde estaria o verdadeiro Thor?
Esse sumiço fazia parte de um plano conjunto dos vilões Loki e Mefisto, que fizeram todos pensarem que a alma do verdadeiro Thor estaria presa no Inferno. Na verdade, a alma que lá estava presa era de ninguém menos que Odin, sendo que a alma de Loki estava ocupando o corpo desse!

Certo...

Mas... onde estaria o verdadeiro Thor???

Após desbaratarem os planos de Loki e Odin retornar a seu reino, foi descoberto que a alma de Thor estava o tempo todo presa... no inconsciente de Eric Masterson! Com a ajuda dos asgardianos, Eric conseguiu "acessar" sua mente e libertar o verdadeiro deus do trovão e, com isso, voltamos a ter histórias cheias de "tu" e "vós" como antigamente.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

THOR - Parte 61

- Thor 434 (Julho de 1991)

Histórias:

* "...If He Be Worthy!" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

O novo visual de Lady Sif.

Ela é linda. Literalmente, uma deusa. Quando surgiu nas histórias de Thor, era protótipo da típica donzela em apuros. Depois, mais ativa e menos coadjuvante, mostrou-se uma mulher ousada. Usando um termo esquisito, diria que era uma deusa... sapeca! Ainda assim, era linda. A ponto de fazer com que Thor esquecesse sua antiga paixão, a enfermeira mortal Jane Foster.

Mas beleza não é tudo. Ela era uma asgardiana. Uma guerreira! Havia mais ali do que um rosto bonito, um corpo escultural e... lindos cabelos negros. Só que os anos 90 chegaram e mostraram que não bastava um visual ousado para bater de frente com um mundo, digamos, machista. Era necessário ter atitude! E, nesse quesito, Lady Sif seguiu o caminho contrário. Atitude ela tinha... só que ficava em segundo plano. Afinal, quem ligava pra atitude diante de uma beldade como aquela?

Então, a solução encontrada foi dar-lhe um visual mais... agressivo. Dê adeus aos lindos cabelos negros. Dê adeus para trajes leves mostrando partes aqui e ali e belas pernas torneadas. E dê boas vindas ao cabelo "requinho". Dê boas vindas a um uniforme mais que guerreiro, mas militarizado.

Dê boas vindas... aos anos 90.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

THOR - Parte 60

- Thor 433 (Junho de 1991)

Histórias:

* "Whosoever Holds This Hammer" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Eric Masterson É o Poderoso Thor (e agora é sério...).

A identidade secreta do Thor sempre foi peculiar. Tão peculiar que o distinguia dos outros super-heróis. Simplesmente porque não existia uma identidade secreta do Thor. A idéia de mostrar um médico manco, o doutor Donald Blake, se transformando em um dos heróis mais poderosos dos quadrinhos, podia ser interessante pelo fato de usar o velho tema do homem frágil (o leitor?) que ganha poderes. Mas, a verdade é que esse homem frágil não se transformava em Thor. Thor é que foi transformado no homem frágil, como lição de humildade dada pelo seu pai, Odin.

É claro que, desde a década de 60, a idéia se perdeu (ou evoluiu). Quase trinta anos depois, já haviam tantos heróis, das mais diversas origens, que o que parecia original se tornou mais um. Entre indas e vindas, Tom DeFalco e Ron Frenz decidiram homenagear as histórias clássicas e trazer a velha fórmula de volta... um tanto quanto modificada, é verdade, mas, ainda assim, com o clima de antigamente.

Devido ao sacrifício para salvar um amigo, Thor foi novamente "condenado" a se tornar um mortal. Mas, dessa vez, havia realmente um mortal que não era exatamente Thor. Tratava-se do engenheiro Eric Masterson que, ao bater um cajado no chão, transformava-se no deus do trovão... da mesma forma que Donald Blake voltava a ser Thor nos anos 60.

Confuso? Pois é... idéias inovadoras em mãos talentosas realmente mostram a que vieram... mas, em novos tempos, de fato se tornam confusas. Então... a solução... seria descomplicar. E nada mais simples, na área de identidades secretas, do que usar a fórmula básica: identidade secreta é aquela que o herói usa quando não está fantasiado de herói e, por uma questão de identificação com o leitor, é aquela no qual ele nasceu... sua principal identidade, digamos assim (nesse caso, a identidade "secreta" seria quando ele estivesse agindo vestido como herói).

E foi exatamente isso, usando a fórmula mais básica, que DeFalco e Frenz tornarm as histórias de Thor mais "digeríveis" e, verdade seja dita, mais fáceis de se roteirizar.

Após um acesso de fúria, arquitetado pela entidade vilã Mephisto (espécie de Satã do universo Marvel), Thor perde a cabeça e, aparentemente, mata seu próprio meio-irmão, Loki. Obviamente, por mais vilão que Loki fosse, Odin, pai dos dois, jamais aprovaria tal decisão. E Thor foi banido da existência... Thor, e não Eric Masterson! Mas, falando em Eric, como ficaria ele nesse caso? Sem poderes? Não... ao bater novamente o cajado, ele não mais trocaria de corpo com Thor... mas se TRANSFORMARIA em Eric Masterson com poderes parecidos com Thor.

Depois desses ajustes, bastou colocar uma pitada de drama no estilo Marvel no personagem, mostrando as dificuldades de Eric, um mortal como qualquer um (sim, o leitor) que tem que se acostumar com um poder grande demais para ele sair por aí usando. Um pequeno detalhe no visual e... pronto... temos um Thor com uma típica e clássica identidade secreta.

Simples assim.
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terça-feira, 18 de agosto de 2009

THOR - Parte 59

- Thor 411 e 412 (Dezembro de 1989)
Histórias:

* "The Gentleman's Name Is Juggernaut" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

* "The New Warriors" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Os Novos Guerreiros.

A editora Marvel dominou o mercado de quadrinhos durante o boom dos anos 80 e o carro chefe dessa revolução foram os mutante dos X-Men (que também foram os maiores beneficiados desse fenômeno). A principal editora concorrente, DC Comics, também tinha lá seu best-seller: os Novos Titãs, um grupo de jovens heróis que representava uma nova geração dentro de um mundo de heróis adultos.

Na verdade, com seus respectivos grupos de heróis liderando as vendas, nenhuma das editoras chegou a realmente incomodar a outra. E, verdade seja dita, até mesmo aproveitaram o sucesso de ambas para lançar um encontro entre os X-Men e os Novos Titãs. Mas a Marvel, aos poucos, foi perdendo o elemento que os Titãs tinham como marca registrada: juventude! Os X-Men, apesar de representarem uma geração supostamente incompreendida, pouco a pouco iria sendo formada por personagens cada vez mais adultos (como Wolverine, Cíclope). E, para suprir a quota de jovens heróis, a editora criaria os Novos Guerreiros.

O conceito, diferente dos Titãs da concorrência, que eram um espécie de versão jovem de heróis adultos, se concentrava realmente nos jovens e os problemas típicos de sua faixa etária. Afinal, como conciliar entre salvar o mundo e se destacar na difícil corrida para o amadurecimento? E assim surgiu o grupo formado por Nova (herói da década de 70, mas abordado de uma forma que não parecesse tão veterano), Estrela de Fogo (personagem recuperada de uma antiga série de desenhos animados do Homem Aranha), Marvel Boy, Speedball, Namorita e Radical. Este último, líder dos Novos Guerreiros, aparentava distúrbios demonstrados em explosões de fúria, refletindo uma geração que sentia afinidade com heróis violentos (ou anti heróis).

Os Novos Guerreiros fizeram sua primeira aparição na revista do Thor, quando este enfrentava (pela primeira vez) o vilão mutante conhecido como Fanático. Tudo fazia parte de uma saga que percorreu praticamente todas as revistas da Marvel naquela época, conhecida como Atos de Vingança. O plano consistia em fazer com que os heróis enfrentassem vilões que nunca haviam encontrado antes, meio que uma troca de inimigos, em ataques que aconteciam ao mesmo tempo.

Para complicar a situação, Thor aparentava estar fraco desde sua união como Eric Masterson, o que fez dele um saco de pancadas perfeito para o Fanático. Apesar da ajuda dos Novos Guerreiros, foi o poder do deus do trovão quem definiu o rumo da batalha, fazendo com que Thor servisse como uma espécie de padrinho apresentando essa nova geração de super heróis... para uma nova geração de leitores.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

THOR - Parte 58

- Thor 408 e 409 (Outubro e Novembro de 1989)
Histórias:

* "There Dwells A Monster" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Mike Mignola

* "To Fight The Unbeatable Foe" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Mike Mignola

Mike Mignola.

O inconfundível traço estilizado do desenhista Mike Mignola sempre deu um clima sombrio a todas as histórias com sua presença. É interessante notar como sua ilustrações passam um clima de ambiente fechado e seus personagens parecem ter sido criados em um circo de horrores, tamanha as bizarrices que aparentam. Seu talento, inclusive, chamou a atenção também do cinema, tanto em criação de visuais fantásticos quanto na transposição para a telona de seu "filho" mais querido: Hellboy.

E por falar em Hellboy...

Mignola desenhou esse pequeno Conto de Asgard (série que voltou algumas edições passadas, contando lendas do reino dourado), mostrando como Thor enfrentou, ainda jovem, uma horda de trolls e uma ameaça em comum chamada Uroc, monstro criado a partir do mesmo material que seu martelo encantado, o metal uru.

O curioso é que o tal Uroc (e os trolls em geral) tem um visual muito parecido com o que seria Hellboy no futuro, com supostos chifres "limados" em sua cabeça. Há, claro, influência do trabalho passado de Jack Kirby, principalmente em histórias de grandes monstros na década de 60. Mas aqui vemos que Mignola cozinhou em Asgard o que seria seu principal sucesso anos depois.

domingo, 16 de agosto de 2009

THOR - Parte 57

- Thor 408 (Outubro de 1989)

Histórias:

* "The Fateful Decision" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Erick Masterson, o poderoso Thor.

E tudo volta a ser como era antigamente... A velha questão da identidade secreta, onde, inicialmente, Thor se transformava no doutor Donald Blake (ou vice versa), retorna de uma forma inusitada. Mas quem retornou foi a transformação... e não exatamento o doutor Blake.

Após uma missão onde resgataram o Alto Evolucionário e Hércules da Galáxia Negra, Thor e Eric Masterson retornam a Terra e são recepcionados pela fúria do Mangusto. Em certo momento, Thor é pego desprevenido e jogado para longe de seu martelo. Eric consegue alcançar a arma e, por ser digno, consegue levantá-la contra o vilão. Mesmo assim, ele não tem a destreza para a batalha que o deus nórdico acumulou durante séculos. O Mangusto ataca Eric a queima roupa e foge quando percebe a chegada de Hércules ao local da batalha.

Eric Masterson está a beira da morte e Thor recorre a seu pai, Odin, para salvar o amigo. O todo poderoso Odin decide ajudar, mas avisa que o que tem em mente poderá ter um alto custo ao herói. Thor aceita os riscos e, triste, Odin age para salvar a vida do rapaz.

Em seguida, Eric Masterson e Hércules (disfarçado sob a identidade civil de Harry Cleese, trocadilho com seu verdadeiro nome, criado as pressa por Masterson) chegam ao apartamento do engenheiro... sem Thor. Eric e Hércules conversam sobre a aventura que passaram e a decisão radical de Odin. O leitor mais atento logo percebe do que se trata quando Eric carrega uma espécie de cajado. Apesar de necessitar dele, devido a um acidente que sofreu na primeira aparição do Mangusto, o velho cajado em muito se parece com o antigo que Donald Blake usava. E, de fato, ao batê-lo no chão... Eric Masterson torna-se o poderoso Thor!
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sábado, 15 de agosto de 2009

THOR - Parte 56

- Fred Hembeck Destroys the Marvel Universe (Julho de 1989)

Histórias:

* "Fred Hembeck Destroys the Marvel Universe" - Escrita e desenhada por Fred Hembeck

Fred Hembeck Destrói o Universo Marvel.

O cartunista Fred Hembeck ficou famoso no universo de super-heróis (mais especificamente os da Marvel), por suas sátiras escrachadas aos personagens com superpoderes, mostradas dentro de seu traço característico.

No especial onde mostra como seria o fim do Universo Marvel (através de uma viagem com a própria morte, caracterizada em um visual de palhaço), Hembeck destrói não apenas Thor... mas toda Asgard!

Cansado de ser um perdedor, Loki decide juntar os principais asgardianos, incluindo seu meio irmão Thor, e formar a banda Loki e os Thorazines! O barulhento show da banda seria contado em lendas futuras como um novo estilo, conhecido como Ragnorok and Roll. Logo no primeiro show, o som é tão ensurdecedor... que destrói toda a cidade dourada.

Por esse trecho, dá pra se ter uma idéia da linha de humor de Hembeck...
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

THOR - Parte 55

- Thor 395 (Setembro de 1988)

Histórias:

* "Enter the Earth Force" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Força Terra.

...Pelo menos a fase escrita por DeFalco e desenhada por Ron Frenz tinha um atrativo curioso: sempre podiam-se encontrar novos personagens uniformizados. Enfim...

O grupo (trio) conhecido como Força Terra surgiu graças as manipulações do deus egípcio Seth que, na época, tencionava atacar Asgard, enquanto ela estivesse vagando pelo espaço (após o ataque de Surtur, a ponte do arco-íris foi destruida e a cidade ficou a deriva).

Seth reuniu três mortais que estavam com suas vidas por um fio e lhes concedeu poderes. Assim surgiram Falcão Celeste (o mais cabeça quente, capaz de voar), Lorde Terra (capaz de manter seu tamanho até a altura de um gigante) e Guerreira dos Ventos, capaz de manipular tufões. A Força Terra, enganada pelo deus serpente, tem como primeira missão atacar um hospital onde o asgardiano Hogum está sendo operado (após ser metralhado em meio a uma luta com o herói Demolidor).

O trio não podia ser chamado exatamente de supervilões, já que percebem que estão lutando por uma causa errada e decidem não continuar a luta com Thor após o primeiro encontro.
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domingo, 9 de agosto de 2009

THOR - Parte 54

- Thor 392 e 393 (Junho e Julho de 1988)

Histórias:

* "Quicksand Kills" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

* "The Blaze of Battle" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Duna.

Mais uma personagem criada num estilo retrô visual e conceitualmente. Duna é uma vilã a moda antiga, maldosa por algum tipo de vingança e com um elemento que lhe serve de tema para seu poder, no caso seu corpo é feito e controla areia. Até aí, também não havia nenhuma novidade, uma vez que, na própria Marvel, já havia um vilão parecido, o Homem Areia, inimigo do Homem Aranha. A diferença aqui é que se trata de uma "mulher areia".

Sigurd Jarlson visita uma usina nuclear que teve a responsabilidade arquitetônica de Eric Masterson. E bem na hora da visita (outro clichê) acontece o ataque da nova vilã, chamada Duna. A fúria da criatura, que deixa claro que não se trata de uma mutante, é explicada pelo fato dela ser uma criatura de areia graças a um acidente nuclear. Duna consegue, além de dar trabalho a Thor, causar um pane nos controles da usina, fazendo com que uma explosão seje iminente. Thor consegue resolver a situação usando seu martelo encantado para mandar TODA a usina para um planetóide morto.

Como subtrama, vemos a participação do Demolidor na revista, sem que o herói cego interaja com Thor. Na verdade, trata-se de uma batalha contra um enlouquecido Hogum, que começa a ter visões após ser teleportado para a Terra.
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sábado, 8 de agosto de 2009

THOR - Parte 53

- Thor 391 (Maio de 1988)

Histórias:

* "The Madness of Mongoose" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Mangusto e Eric Masterson.

Digamos que o Mangusto é um vilão fora do seu tempo... O conceito de personagem vestido com um uniforme que lembra o animal do qual ele se compara (geralmente usando algo parecido com a pele do mesmo) é típico dos anos 70 e, em particular, de vilões encontrados nas aventuras do Homem Aranha, o que talvez explique a presença do herói nessa aventura do Thor. Além do que, uma "meia" primeira aparição (rápida e obscura) do vilão aconteceu, na verdade, na revista do Homem Aranha.

Na fase escrita por Walter Simonson, a identidade secreta de Thor, Donald Blake, se mostrou obsoleta e o escritor decidiu eliminá-la. Ou melhor, atualizá-la. Blake estava fora, mas não significava que Thor não teria uma identidade secreta. Para tanto, recorreu aos conhecimentos de espionagem e infiltração da organização governamental SHIELD, na época dirigida por Nick Fury. Graças a eles, foi criada a identidade de Sigurd Jarlson, um trabalhador braçal e de origem norueguesa, o que explicaria tanto o físico do herói quanto o seu sotaque (asgardiano).

Começando em um novo emprego, um prédio em construção, Sigurd é atacado pelo Mangusto, vilão dotado de velocidade sobre-humana e força idem. Não fica muito claro qual o motivo do ataque e até mesmo o fato dele saber a identidade secreta do herói não é tão explícita. A única coisa que se sabe é que ele obedece as ordens de um "mestre". É então que aparece o Homem-Aranha (simplesmente porque estava passando por ali...) e ajuda Sigurd que, por sua vez, tem tempo em se transformar em Thor e tentar derrotar o vilão.

Mesmo aparentando ser um vilão de segunda, o Mangusto é capaz de escapar e causar danos na estrutura do edifício, fazendo com que Thor, literalmente, segure a obra nas costas! Graças a intervenção do Homem-Aranha, o deus do trovão consegue evitar uma tragédia maior, mesmo que o vilão tenha fugido.

No entanto, o sufoco fez uma vítima: Eric Masterson, o arquiteto do edifício. Escombros caídos graças a batalha o atingiram quando tentava livrar um colega de ser esmagado. Thor consegue socorrê-lo e, na edição seguinte, Eric apareceria apenas com ossos quebrados, mas ainda vivo.

Eric não era um coadjuvante qualquer e Tom DeFalco planejava um grande futuro para esse personagem, tendo ele grande importância na revista de Thor.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

THOR - Parte 52

- Marvel Graphic Novel 33 (1988)

Histórias:

* "I, Whom the Gods Would Destroy" - Escrita por Jim Owsley e Jim Shooter, desenhada por Paul Ryan

Graphic Novel.

Nos anos 80, a febre das graphic novels era reflexo do crescente sucesso que os quadrinhos comemoravam mundialmente. As "novelas gráficas" publicavam histórias completas, mais autorais do que as mensais e, claro, com um roteiro e arte especiais para uma edição considerada "de luxo".

No caso dos super-heróis, uma graphic novel quase seguia o padrão conhecido. Existia, sim, a preocupação de não se distorcer muito o personagem conhecido dos leitores. Mas, ainda assim, quando aconteciam, mostravam momentos peculiares do herói abordado, sem que a história obrigatoriamente se refletisse nas publicações mensais.

A série Marvel Graphic Novel trouxe bons momentos com os personagens da casa e Thor teve exclusividade na edição 33. No entanto, o que pouco se comenta é que essa edição é um típico caso onde um personagem coadjuvante quase ofusca o principal. De fato, a dramática história contando como Thor encara a mortalidade traz o impacto que deveria. Mas é a belíssima deusa Sif, mais bela ainda com a arte simples e eficiente de Paul Ryan, quem chama a atenção. Tanto quanto Thor sofre por seu drama, Sif sofre por não entender o sentimento de seu amado.

O conto se passa em uma época em que Thor ainda se transformava em Donald Blake. Como cirurgião, Blake se depara com um caso inesperado: um de seus pacientes não resiste e morre na sala de operações. A fragilidade da vida humana e a impotência do cirurgião diante da morte é algo insuportável para alguém que, na verdade, é um deus imortal. Blake se revolta, vai encher a cara e acaba na cama com uma mortal que conheceu no bar... destroçando o coração de Sif, que fica perdida diante da tristeza mortal do deus imortal.

Sif desce a Terra e passa alguns dias junto a Donald Blake (e não Thor) e, guiada por ele, experimenta o que é ser cortejada da forma dos seres mortais. Com a cara sempre fechada, ela acaba deixando-se ser produzida (apesar de bela, roupas asgardianas não são adequadas para se andar no dia a dia), sai para passear, jantar e termina em um típico final romântico no apartamento de Blake. Porém, quando questionada por seu amado o que significa aquele momento... ela simplesmente não entende. Afinal, o que é um mero momento para quem é imortal? Enfurecida, ela dá as costas para Blake e sua vida no mundinho terreno...

O mesmo questionamento de Sif abate-se sobre Thor em duas situações extremas. Ele voa até o espaço e lança seu martelo no vácuo, esperando que os sessenta segundos se passem e ele volte a ser Donald Blake. Quando isso acontece ele experimenta um pouco da fragilidade humana que o assustou. Chega até mesmo a esboçar um desesperado sentimento de fé, aguardando que seu pai intervenha... o que não acontece. O martelo retorna e Thor está ainda mais abalado do que antes da experiência.

O segunda (e mais impactante) situação, acontece quando Donald Blake tem que entrar novamente na sala de operações para salvar a vida de uma menina. Relembra tudo o que Sif lhe disse, principalmente que um deus está além dos detalhes de uma vida mortal e, pior, relembra o paciente que perdeu recentemente. Ele foge da sala de operações, só retornando quando Sif reaparece para dizer que, apesar de não compartilhar do mesmo sentimento, entende o amor que Thor sente pelas vidas mortais.

Odin, o pai de Thor que sempre foi contra essa (de certa forma) rebeldia terrena do filho, ao final do conto mostra-se ciente de todos os acontecimentos, tanto com Thor quanto com Sif... e mostra que essa foi mais uma lição de humildade necessária para o amadurecimento de ambos. Uma lição de vida criada por ele, da mesma forma que criou a identidade de Donald Blake para que Thor sentisse o que era ser fraco... humano... mortal... mas nunca menos importante que a vida de um deus.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

THOR - Parte 51

- Thor 386 (Dezembro de 1987)

Histórias:

* "When Warriors Clash" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Leir.

Apesar das histórias de Thor tratarem de deuses da mitologia nórdica, outras crenças também compareceram com suas respectivas entidades nas aventuras. Mas os celtas tinham a peculiaridade de uma rivalidade de crenças com os vikings, o que tornava o encontro de seus deuses interessantes. Os asgardianos e os deuses dos celtas eram os maiores rivais no que diz respeito a batalha pela fé de seus povos. Tanto que os celtas tinham uma espécie de versão de seu deus para o trovão: Leir.

Desde que a ponte do arco-íris de Asgard foi destruída (na guerra contra Surtur), o reino dourado ficou a deriva no espaço. Se antes ela estava em um caminho correto para Midgard (como os asgardianos chamavam a Terra), agora sua posição era um tanto quanto incerta. Imagine que Asgard não se encontrava em um local fixo por acaso. Estava ali justamente por ser o ponto dimensional correto. A partir do momento em que "saiu flutuando", era questão de tempo para esbarrar em outros pontos dimensionais... de outros deuses que não os nórdicos.

Devido ao deslocamento de Asgard, portais dimensionais surgiam no reino dourado, mais parecendo intersecções entre os mundos. Um desses portais leva Thor e os três guerreiros (Fandral, Hogun e Volstagg) para o mundo dos deuses celtas. Acreditando estar sofrendo uma invasão, Leir, deus celta do trovão ataca Thor com seu poder similar. A batalha só cessa quando ambos notam que um monstro mitológico, vindo de uma dessas fendas dimensionais, está atacando ambos os reinos. Unidos conseguem espantar e aprisionar a fera, deixando sua rivalidade de lado... até a próxima oportunidade de medirem forças.

E Thor volta a usar o uniforme clássico, inclusive retirando a barba, uma vez que Hela retirou todos os danos que lhe causou anteriormente. A armadura fica sendo um adereço opcional. É DeFalco e Frenz finalmente tomando as rédeas da cronologia do personagem.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

THOR - Parte 50

- Thor 384 (Outubro de 1987)

Histórias:

* "Who Shall Be Worthy?" - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Dargo Ktor.

E o leitor leva um bruta susto! Nova equipe, nova fase... novo Thor??? Mais ou menos... DeFalco e Frenz ainda parecem estar no clima de aquecimento para entrarem na cronologia oficial do personagem e decidem fazer essa experiência com a lenda do deus do trovão. Um Thor do futuro... alternativo ou não, ninguém sabe... afinal, o futuro ainda não aconteceu.

No ano de 2537, o mundo é controlado por uma corporação que escraviza as pessoas para trabalharem em suas indústrias (não fica muito claro indústria do que ou corporação do que... só se sabe que é um futuro sombrio, cinza e escravocrata). E, claro, há aqueles que decidem montar uma espécie de seita e/ou sindicato para se rebelar contra o sistema. Um desses grupos detém nada mais nada menos do que o martelo de Thor... incrustrado em uma pedra, tal qual uma espada Excalibur a espera de alguém digno que consiga retirá-la do local.

Entre o grupo rebelde, existe alguém cético o bastante para não seguir os planos como um fanático religioso: o jovem Dargo, que só está nessa por curiosidade, seguindo uma namorada que acredita nas lendas, mas acha absurdo tanta adoração em cima de um "martelo velho".

Acontece que um dos lacaios do líder da corporação é ninguém menos do que Loki... seguido de um exército de trolls e sedento para pôr as mãos no martelo encantado. Em um dos ataques de Loki, Dargo, pra se defender, pula para pegar a primeira coisa que vê para se defender... o tal "martelo velho". Com isso (adivinhem...) ele acaba encarnando uma versão futurista de Thor. Mas é interessante que aqui realmente não se trata do Thor e sim de Dargo em um uniforme e com os poderes do deus do trovão. Tanto que o jovem, sempre cético, acha absurdo conduzir tal poder.

A repulsa de Dargo pelo poder recém adquirido é tanta que, após rechaçar um ataque da corporação, decide abrir uma fenda dimensional e lançar o martelo encantado para seu verdadeiro dono... esteje ele onde estiver. Loki, furioso com a atitude do rapaz, decide deixar aquela época... não sem antes matar o líder da corporação e destruí-la. Com isso, o futuro sombrio, agora livre de seu opressor, vê novamente uma chance de recomeçar. Graças ao poder de Thor... mas não a um "novo" Thor. Pelo menos, por enquanto...
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

THOR - Parte 49


- Thor 383 (Setembro de 1987)

Histórias:

* "The Secret Love..." - Escrita por Tom DeFalco e desenhada por Ron Frenz

Tom DeFalco e Ron Frenz.

A nova equipe criativa da revista do Thor, formada pelo escritor Tom DeFalco e pelo desenhista Ron Frenz, estreou no título fazendo uma espécie de aquecimento. Afinal, não era fácil uma troca de direção tão drástica (a equipe inteira) após o grande sucesso conquistado pelo escritor anterior, Walter Simonson. A dupla faria um grande trabalho não só na revista, mas sua parceria duraria por outros títulos da Marvel. Frenz, particularmente, evoluiria sutilmente sua arte para um traço que se aproximava da quadrinização feita por Jack Kirby.

Nessa estréia, vemos um conto do passado, onde Encantor relembra uma cena não mostrada na minissérie Guerras Secretas. Afim de colocar um pouco de juízo na cabeça de sua igualmente vilanesca irmã, Lorelei, revela o que aconteceu quando Thor a resgatou e a levou para fora da base dos heróis, pouco antes dessa receber um ataque maciço do grupo de vilões.

O que houve foi um conversa franca entre o herói e a então vilã sobre sua batalhas passadas e a forma de agir de ambos (algo parecido com o que Walter Simonson fez na conversa franca entre Thor e Loki em sua última história). Encantor chega a conclusão de que realmente é apaixonada por Thor, mas que precisaria usar de métodos menos "sujos" para conquistar o coração do deus do trovão.

Papo vai, papo vem... e o casal quase engata uma reconciliação... não fosse um estrondo causado pelo grupo de vilões (que haviam acabado de massacrar os heróis). Thor, junto a Encantor, retorna a base (ou onde seria a base) apenas para ser atacado pela gangue do Doutor Destino. Encantor, temendo trair o grupo, prefere ficar de lado e fingir que deseja a destruição de Thor (sem se envolver no ataque). Por fim, o herói desaparece após um ataque direto do robô Ultron. Encantor, escondendo as lágrimas, se afasta percebendo que perdeu uma grande chance de mudar sua vida. A experiência do passado, no entanto, refletiu no modo de pensar da feiticeira asgardiana e fez com que seu instinsto de vilã ficasse mais ameno nas histórias seguintes (algo notável nas histórias publicadas na fase de Walter Simonson).

Um belo conto, que mostra o universo Marvel perdendo uma vilã de peso... e ganhando outra em seu lugar, um vez que Lorelei, assim que a irmã vira as costas, mostra que está pouco se lixando com reconciliações e remorsos.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

THOR - Parte 48

- Thor 382 (Agosto de 1987)

Histórias:

* "Journey Into Mystery" - Escrita por Walter Simonson e desenhada por Sal Buscema

Última história de Walter Simonson e Sal Buscema.

Na despedida de Walter Simonson (e de Sal Buscema) o título da história faz referência a revista em que o personagem surgiu, Journey Into Mystery. Revista essa que viria a se chamar Thor, sem alterar a continuidade de sua numeração. Simonson faria, no número anterior, sua despedida como desenhista, em uma edição onde cada quadro da história ocupava a página inteira. Já nessa, onde os desenhos voltam para as mãos de Sal Buscema, escritor e desenhista fecham as pontas soltas durante sua passagem.

Thor se vinga da deusa Hela por esta ter feito seus ossos ficarem frágeis (o que o obrigou a usar a nova armadura). E, o mais impressionante, é que fez isso com um empurrãozinho do seu irmão (e vilão) Loki, que ajudou mais por uma questão de ego do que por bondade. Um detalhe no meio dessa batalha: Thor reencontra, no reino da morte, o Destruidor, personagem que iniciou suas aparições como vilão (ao lado de Encantor), mas se redimiu quando sacrificou a própria vida em um missão para resgatar almas inocentes. Seu sacrifício, também em uma história escrita por Simonson, foi tão dramático que o escritor não podia deixar de homenagear esse personagem coadjuvante.

Porém, ameças e vilões a parte, o que fechou com chave de ouro essa fase foi o diálogo final entre Thor e Loki. Nada de ameaças, sopapos, vinganças, raios ou trovões. Pelo contrário. Foi uma típica conversa entre irmãos que não se davam bem e sobre o porque desta inimizade. Thor, de certa forma, chega a agradecer Loki por todo trabalho que tem dado nesses anos todos, sem o qual não teria amadurecido como herói. E, para não dizer que o vilão ficou sem punição... Thor (calmamente) quebra o braço de Loki com o martelo encantado, para que esse se lembre (ou tenha real motivo) do relacionamento antagonista que existe entre os dois.

Uma conversa tão inesperada entre um herói e seu principal vilão, que até mesmo Thor chega a conclusão de que ele deveria visitar o irmão mais vezes. Dessa forma, mesmo tendo passado por inúmeros perigos, o herói voa se sentindo livre, vitorioso e leve. Algo que está estampado em seu sorriso. Um sorriso de satisfação. Satisfação que, certamente, Walter Simonson e Sal Buscema sentiram ao fechar essa edição... com um sentimento de dever mais que cumprido.

domingo, 2 de agosto de 2009

THOR - Parte 47

- Thor 378 (Abril de 1987

Histórias

* "When Loki Stood Alone" - Escrita por Walter Simonson e desenhada por Sal Buscema

A Armadura de Thor.

Apesar do rosto barbado, Thor ainda não havia sofrido nenhuma mudança visual drástica. Nesse sentido, Walter Simonson até abusou de alterações. Além de ser o responsável em dar barbas ao deus do trovão, é bom lembrar que a versão "sapo" faz parte dessa galeria. Mas o uniforme clássico do personagem, até então ficou inalterado. Até então.

Hela, a deusa da morte, vingou-se de Thor amaldiçoando-o com algo pior que a própria morte. Na verdade, agora ele não podia morrer e, ao mesmo tempo, seus ossos iriam ficar enfraquecidos a cada batalha. Ou seja, levaria uma vida eterna de dor, com seu esqueleto se esfacelando dentro do corpo.

Para conter essa deficiência, Thor criou uma armadura que, apesar de moldada em uma fundição na Terra, foi fortificada com a magia de seu martelo. Nascia assim um Thor com armadura, em um visual que seguiria nas aventuras seguintes. E como primeira, ele livra Loki de ser destruído pelos gigantes da tempestade. Afinal, apesar de inimigos, os dois eram meio-irmãos.
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sábado, 1 de agosto de 2009

THOR - Parte 46



- Thor 371 e 372 (Setembro e Outubro de 1986)

Histórias:

* "Peace on Earth" - Escrita por Walter Simonson e desenhada por Sal Buscema
* "Without Justice, There is No Peace" - Escrita por Walter Simonson e desenhada por Sal Buscema

Paz Justiça.

Claramente inspirado em Juiz Dredd (anti-herói dos quadrinhos independentes ingleses), o personagem Paz Justiça tem o mesmo jeitão de policial duro e implacável,chegando até mesmo a ser cômica a forma como ele defende e faz cumprir a lei que ele segue. Lei essa que é tão exagerada quanto seus métodos. Um cidadão que atravessa a rua antes do semáforo fechar, por exemplo, é tido como criminoso e recebe um dardo carregado com uma enzima hipnótica que o faz voltar pra calçada.

Paz Justiça veio de um futuro onde um inimigo de Thor, Zaniac, capaz de mudar de corpo graças a infecção de ratos e vermes, Quando Thor vê a forma como o policial age, tenta impedi-lo de agir. Por outro lado, Paz Justiça obviamente vê essa intervenção como um crime grave e utiliza toda sua parafernália futurista contra o deus do trovão.

O objetivo de Zaniac é atingir Thor e, para isso, ele decide assassinar ninguém menos que... Jane Foster! Sim, a enfermeira que foi o primeiro amor do herói, lá pela época em que o personagem começava suas aventuras, retorna mostrando-se bem casada e grávida.

Quando Thor e Paz Justiça se cansam de sair no tapa e entendem que tem um inimigo em comum, partem para salvar Jane... mas chegam tarde demais. Thor, desesperado, carrega o aparelho de deslocamento temporado de Paz Justiça e os dois saltam algumas horas no passado, em tempo de impedir que a infecção do novo corpo de Zaniac aconteça.

Paz Justiça retorna para seu tempo, mesmo sem entender muito essa coisa de heroísmo ao qual Thor é adepto...
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